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Arcebispo do Luxemburgo em Wiltz: "Portugueses não trouxeram apenas a força dos seus braços, mas também a sua fé!"
Luxemburgo 15 4 min. 15.05.2015

Arcebispo do Luxemburgo em Wiltz: "Portugueses não trouxeram apenas a força dos seus braços, mas também a sua fé!"

Arcebispo do Luxemburgo em Wiltz: "Portugueses não trouxeram apenas a força dos seus braços, mas também a sua fé!"

Foto: Carlos de Jesus
Luxemburgo 15 4 min. 15.05.2015

Arcebispo do Luxemburgo em Wiltz: "Portugueses não trouxeram apenas a força dos seus braços, mas também a sua fé!"

“Os portugueses não trouxeram apenas a força dos seus braços, mas igualmente a sua fé”, disse o arcebispo do Luxemburgo, Jean-Claude Hollerich, durante a missa que celebrou no santuário de Nossa Senhora de Fátima, em Wiltz, esta quinta-feira. O arcebispo fez ainda questão de agradecer a comunidade portuguesa o que tem feito em prol do Grrão-Ducado em cinco décadas de imigração.

“Os portugeuses não trouxeram apenas a força dos seus braços, mas igualmente a sua fé”, disse o arcebispo do Luxemburgo, Jean-Claude Hollerich, durante a missa que celebrou no santuário de Nossa Senhora de Fátima, em Wiltz, esta quinta-feira. O arcebispo fez ainda questão de agradecer a comunidade portuguesa o que tem feito em prol do Grrão-Ducado em cinco décadas de imigração.

Foram mais de dez mil, segundo a organização, os fiéis e peregrinos, que neste feriado de Quinta-Feira da Ascensão participaram na 46a Peregrinação ao Santuário de Nossa Senhora de Fátima, em Wiltz. Eram não só portugueses, mas também cabo-verdianos, guineenses, lusófonos em geral, além de luxemburgueses e de muitas outras nacionalidades.

Durante toda a manhã de quinta-feira até à hora em que a procissão começou, cerca das 14h30, os fiéis faziam fila para acender uma vela ao pé do andor de Nossa Senhora de Fátima, na igreja de Niederwiltz, a paróquia da parte baixa da cidade de Wiltz.

Muitos eram os que tinham ido a pé até à cidade do Norte, na véspera ou no próprio dia, como o grupo de uma centena de pessoas que veio de Ettelbrück e com quem o CONTACTO conversou. O grupo foi acolhido pelos Escuteiros de Santo Afonso, agrupamento de língua portuguesa que existe há mais de 30 anos no Luxemburgo e que neste dia tem o hábito de acolher os peregrinos, tratar-lhes das feridas nos pés,  dar-lhes de beber, chá ou sumo para desalterar. Ou simplesmente para dar uma palavra de encorajamento, antes que a caminhada continue até ao santuário lá em cima.

Quando chegou a hora do início da procissão, a igreja de Niederwiltz já não podia acolher mais fiéis e muitos estavam sentados na escadaria ou de pé apoiados nas grades à volta do edifício, e acompanhavam as orações que se ouviam através dos altifalantes exteriores.

À hora marcada, o andor bonito e florido saiu da igreja, precedido pelos padres das diferentes comunidades católicas de língua portuguesa e pelo arcebispo do Luxemburgo, monsenhor Jean-Claude Hollerich.

A procissão logo se formou atrás do andor e assim começou a subida até ao santuário no sítio chamado “op Bässent”. Centenas de pessoas enchiam as ruas e os passeios, rezando, orando ou cantando o rosário da procissão transmitido pelos altifalantes montados nos automóveis que seguiam a procissão.

No rosto de certas pessoas viam-se lágrimas de fé, numa emoção forte e sentida acompanhavam os cânticos entoados pela multidão de fiéis. Um verdadeiro mar humano serpenteava as ruas de Wiltz, colina acima.

Cerca das 15h15, no santuário, já algumas dezenas esperavam pela procissão. Entre elas, o embaixador de Portugal, Carlos Pereira Marques, e a mulher, Susana Zarco, que o arcebispo do Luxemburgo fez questão de cumprimentar, antes de celebrar a missa.

Durante a missa, o céu que durante todo o dia ameaçou chuva, deixou cair algumas gotas, mas ninguém arredou pé. Os chapéus-de-chuva abriram-se e os fiéis protegeram-se uns aos outros, como em resposta ao apelo de solidariedade que o arcebispo lançava durante a liturgia.

Como prometera quando chegou ao cargo, o chefe da igreja católica luxemburguesa dirigiu-se aos fiéis em português e homenageou a população lusa do país.

“[A cvomunidade pèortuguesa] não somente trouxe a força dos seus braços, mas igualmente a sua fé”, disse Jean-Claude Hollerich.

Ao fim da homilia, muito aplaudida pelos presentes, o arcebispo agradeceu ainda a comunidade portuguesa pelo "trabalho que feito em prol do país, a presença no Luxemburgo e a fé que mostra em muitas ocasiões".

O feriado da Quinta-Feira da Ascensão, que sempre acontece em Maio, foi o dia escolhido pelos primeiros portugueses que chegaram ao Luxemburgo para assinalar as aparições na Cova da Iria em 1917, que começaram num 13 de Maio. É assim desde 1968. Passados 47 anos este dia feriado continua de ser para a comunidade lusa do Grão-Ducado um grande dia de festa, mas principalmente um dia em que a comunidade católica se reúne em grande número para venerar Nossa Senhora de Fátima.

O santuário tem a sua origem na promessa feita por um grupo de fiéis em torno do padre luxemburguês Prosper Colling, quando Wiltz estava a ser bombardeada pelas tropas nazis, durante a Batalha das Ardenas, em Janeiro de 1945. Assinalam-se este ano os 70 anos dessa promessa. Uma estela será inaugurada no santuário de Nossa Senhora de Fátima, em Wiltz, no Verão, para marcar essa data.

Carlos de Jesus/Rdc



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