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Andy Schleck, o último luxemburguês a vencer a Volta a França
Luxemburgo 8 min. 10.07.2019

Andy Schleck, o último luxemburguês a vencer a Volta a França

Andy Schleck, o último luxemburguês a vencer a Volta a França

Foto: Serge Waldbillig
Luxemburgo 8 min. 10.07.2019

Andy Schleck, o último luxemburguês a vencer a Volta a França

Álvaro Cruz
Álvaro Cruz
A vitória no Tour de 2010 foi o ponto alto de uma carreira que terminou abruptamente aos 29 anos, devido a várias lesões graves. Andy Schleck acredita no futuro do ciclismo grão-ducal e diz que não quer ser o último luxemburguês a vencer a Volta a França.

O que significou ganhar a Volta a França, em 2010, a maior e mais conhecida prova velocipédica do mundo?

Foi uma grande alegria, como é óbvio. É um dos momentos mais importantes da minha vida que vai ficar marcado para sempre. Foi também a realização de um sonho que tinha desde pequeno. Por outro lado, pertencer ao grupo dos ciclista de elite que venceram a Volta a França é fantástico. Foi algo que mudou para sempre a minha vida. Sinto-me um privilegiado.

Conseguiu mais dois segundos lugares, em 2009 e 2011. Acha que poderia ter feito melhor no cômputo geral das suas participações no Tour?

Sinceramente, não sei. É muito difícil dizer se poderia ter feito melhor ou não. Corri muitos anos ao mais alto nível e isso não é para todos. Exige muitos sacrifícios. Lutei sempre em cada prova para alcançar a melhor classificação possível. Ganhei muitas provas internacionais, conquistei muitas medalhas e terminei por três vezes no pódio do Tour, o que convenhamos, não é fácil. Talvez tivesse conseguido ganhar mais uma ou outra prova se em determinados momentos da minha carreira tivesse adotado estratégias diferentes, mas estou bastante satisfeito e orgulhoso da minha carreira e com tudo o que consegui como ciclista profissional.


Andy Schleck venceu o Tour de França em 2010
Referência luxemburguesa: Andy Schleck põe fim à carreira de ciclista profissional
O luxemburguês Andy Schleck, vencedor da Volta a França de 2010, anunciou hoje o fim da sua carreira de ciclista profissional, justificando o abandono com os problemas no joelho direito causados pela queda no Tour deste ano.

Em 2011 partilhou o pódio com o seu irmão Frank. Como descreve o momento?

Foi mágico. Terminar a Volta a França no pódio, nos Champs Elysées, com o meu irmão e melhor amigo, foi uma sensação indescritível. É um marco histórico nas nossas vidas. Lutámos e sofremos juntos durante toda a prova. Com altos e baixos e momentos únicos que partilhámos ao longo das etapas. A nossa amizade, cumplicidade e espírito de sacrifício foram determinantes para o excelente resultado. Aliás, acho mesmo que foi inédito em toda a história do Tour o facto de dois irmãos terem terminado a prova no pódio.

Teve um início de carreira fulgurante, confirmou, depois, todas as suas qualidades, mas acabou por abandonar a carreira aos 29 anos, em Outubro de 2014. Lamenta ter sido cedo demais?

Foi sobretudo um momento extremamente duro para mim. Nos meus últimos anos de ciclista profissional fui vítima de várias lesões violentas que se sucederam com alguma frequência e a partir daí, as coisas complicaram-se para mim. Os problemas nos ligamentos e na cartilagem do joelho direito contraídos na queda no Tour, em Inglaterra, acabaram por ser determinantes. O prazer de correr deu lugar ao sofrimento e isso foi muito difícil de suportar. Por outro lado, a vida continua. Encontrei outras formas de ocupar o meu tempo. Surgiram oportunidades de trocar a bicicleta por outras coisas também interessantes.

Optou pelo ciclismo profissional por convicção ou pela tradição familiar que teve no seu avô, pai e irmão referências da modalidade?

Foi por convicção, embora admita que a influência do meu pai e do meu irmão foram determinantes na minha escolha. Desde pequeno que as bicicletas fizeram parte do meu mundo. Sonhava em ganhar corridas e sempre que podia ia para a rua andar com o meu irmão e amigos.

Pode descrever como é o dia a dia de um ciclista numa prova como a Volta a França?

Exige acima de tudo muitos sacrifícios, rigor e disciplina. Para além da dureza e das dificuldades que uma competição deste género obriga, a motivação e a força mental assumem um papel fundamental nos resultados. Nada pode ser deixado ao acaso. A alimentação, a estratégia para cada uma das etapas, os conselhos do diretor desportivo e sobretudo o descanso entre as tiradas que é fundamental para a recuperação porque somos sujeitos a um desgaste tremendo, sobretudo físico. É uma conjugação de várias tarefas diárias que temos de executar para nos colocar mais perto das boas performances.

Foi por convicção que escolhi ser ciclista profissional, embora admita que a influência do meu pai e do meu irmão foram determinantes na minha escolha.  

Esta é a primeira, vez desde 2003, que nenhum ciclista luxemburguês integra o ’Tour’. Como analisa a situação?

É realmente uma pena, mas são coisas que acontecem. Durante os últimos anos, o Luxemburgo esteve sempre representado no ’Tour’ por ciclistas que obtiveram bons resultados, mas este ano não temos nenhum, o que de certa forma até era previsível. O Bob Jungels (Deceuninck – Quick-Step) esteve na Volta a Itália, assim como o Ben Gastauer (AG2R La Mondiale) e não foram escolhidos para estar em França. De qualquer forma, o Grão-Ducado é um país com forte tradição na Volta a França ao longo da história. Já vencemos a mítica prova por cinco vezes. François Faber, em 1909, Nicolas Frantz, em 1926 e 1927, Charly Gaul, em 1958 e eu em 2010. Portanto, temos razões para acreditar na tradição e no potencial que alguns dos nossos ciclistas possuem.

Na sua opinião, quais são os principais candidatos à vitória na Volta a França este ano?

Este ano não é fácil atribuir um ou mais favoritos, porque Chris Froome e Tom Dumoulin não participam e Geraint Thomas, vencedor do ano passado, ainda não está totalmente recuperado da última queda que sofreu na Volta a Suíça. No entanto, acredito que nomes como Geraint, Fulsgang, que venceu no Dauphiné e na clássica Liège-Bastogne-Liège, ou ainda Pinot, Vincenzo Nibali, Landa, Bardet e Nairo Quintana constituem o grupo dos mais fortes. Mas como por vezes acontecem surpresas, talvez surja um ’outsider’ que surpreenda tudo e todos.

Que funções vai desempenhar no ’Tour’ deste ano?

Vou a companhar a volta como embaixador da Skoda e naturalmente como amante da modalidade e ex-profissional.

Quais os melhores momentos que viveu como ciclista profissional?

Tive o privilégio de ter vivido grandes momentos como a vitória no ’Tour’, em 2010, as participações na Volta a Itália e Suíça e em clássicas como a Liège-Bastogne-Liège ou a Amstel Gold Race, entre outras que ganhei. Mas o momento que teve maior significado para mim foi ter estado no pódio com o meu irmão na Volta a França em 2011.

E os piores?

Infelizmente também foram alguns, sobretudo no final da carreira. Mas a queda em Inglaterra quando me lesionei gravemente no joelho foi o pior momento da minha carreira. Foi o princípio do fim.

O prazer de correr deu lugar ao sofrimento e isso foi muito difícil de suportar. Por outro lado, a vida continua.  

Admite voltar ao ciclismo profissional com outras funções?

Por agora não. Talvez daqui a uns anos, mas ainda não sei em que função específica. Como a vida é cheia de oportunidades... vamos ver o que o futuro me reserva.

Como avalia o atual momento do ciclismo luxemburguês?

Poderá não ser o mais brilhante dos últimos anos, mas existem vários ciclistas com grande talento e um futuro promissor. Alguns jovens que estão a despontar deverão ser acompanhados e treinados com qualidade para poderem melhorar. Jungels e Gastauer estão na linha da frente, mas acredito que o futuro é promissor. Brevemente vamos ter um velódromo perto da capital que será uma mais valia para a modalidade. Estou otimista quanto ao futuro.

Acredita que um ciclista luxemburguês possa vencer a Volta a França nos próximos anos?

É provável que sim. Quando se tem qualidade e humildade para trabalhar, tudo se torna possível. É necessária também muita preserverança, dedicação e espírito de sacrifício, mas quem acredita nas suas possibilidades acaba por alcançar bons resultados, De qualquer forma, não quero ser o último luxemburguês a ganhar a Volta a França.


Andy Schleck e Jil Delvaux
Nascimento: Andy Schleck foi pai pela segunda vez
O ex-ciclista luxemburguês Andy Schleck e sua esposa, Jil Delvaux, foram esta segunda-feira pais pela segunda vez.

Como referência do ciclismo luxemburguês e mundial, o que pensa fazer para ajudar a desenvolver a modalidade no Grão-Ducado?

Honestamente, acho que tenho feito bastante pela modalidade e pelo Luxemburgo. A visibilidade da minha carreira deram ao país e ao ciclismo grão-ducal são bastante significativas. Se puder ajudar os mais jovens no que respeita ao aconselhamento sobre a sua evolução na carreira de ciclista também o farei com prazer. Estarei sempre disposto a ajudar no que me for possível.

Considera justa a homenagem a Eddy Merckx, em Bruxelas, no arranque da Volta este ano?

Claro. Sem qualquer sombra de dúvida. Eddy Merckx foi dos expoentes máximos da história do ciclismo mundial. Venceu o ’Tour’ por cinco vezes, é recordista da prova com um total de 34 vitórias em etapas e marcou uma época de gandes corredores. A homenagem que lhe prestaram é mais que justa por tudo o que ele fez e significa para o ciclismo.

Teve algum ciclista que o marcou de forma especial?

Miguel Indurain. Sempre tive um grande respeito e admiração por ele. Foi também dos melhores ciclistas de sempre.

Quem será o seu sucessor como melhor ciclista luxemburguês?

Não sei. Não é fácil responder a essa questão. O Bob Jungels possui grandes qualidades , tem feito progressos significatinos nos últimos tempos e obtido bons resultados. Acredito que pode construir uma boa carreira, mas o futuro é imprevisível.