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Aníbal Radical Silva! - por Sérgio Ferreira Borges, analista político
Editorial Luxemburgo 3 min. 28.10.2015 Do nosso arquivo online
OPINIÃO

Aníbal Radical Silva! - por Sérgio Ferreira Borges, analista político

Editorial Luxemburgo 3 min. 28.10.2015 Do nosso arquivo online
OPINIÃO

Aníbal Radical Silva! - por Sérgio Ferreira Borges, analista político

Avenida da liberdade, por Sérgio Ferreira Borges - Com a exclusão da esquerda, Cavaco Silva provocou uma terrível onda de choque entre dois órgãos de soberania, a Presidência e o Parlamento. E, no entanto, é a ele que compete zelar pelo regular funcionamento das instituições.

Avenida da liberdade, por Sérgio Ferreira Borges - Cavaco Silva conseguiu ouvir críticas de sectores impensáveis. Foi desastroso na comunicação que fez ao país, sem ter necessidade disso. A esquerda vergastou-o em uníssono e ainda teve ajudas da direita.

O Presidente da República não esperava receber críticas de Marcelo Rebelo de Sousa, que até é conselheiro de Estado por nomeação presidencial. Ou de Luís Marques Mendes, seu antigo ministro. Ou ainda de Jorge Miranda, catedrático de Direito Constitucional e deputado constituinte, eleito pelo PPD/PSD.

Não está em causa a indigitação de Passos Coelho para formar Governo. É uma prerrogativa constitucional que, sem a menor dúvida, pertence ao Presidente da República. Mas as considerações que fez sobre os partidos à esquerda do PS foram um desastre. Considerou-os partidos menores que não podem integrar soluções governativas, porque são contra a Nato, contra a União Europeia, contra o Euro, contra a relação transatlântica. Porque falam na renegociação da dívida pública, porque criticam os mercados.

Em resumo, há mais de um milhão de eleitores cujo voto não é considerado para qualquer solução política. Com a exclusão da esquerda, Cavaco Silva provocou uma terrível onda de choque entre dois órgãos de soberania, a Presidência e o Parlamento. E, no entanto, é a ele que compete zelar pelo regular funcionamento das instituições.

Criticar a Nato, por exemplo, pela sua política de alargamento a países do leste europeu, pelas suas intervenções nos Balcãs ou na Ucrânia, pela sua estratégia de cerco à Rússia, com a instalação de novas bases na Geórgia, ou na Ucrânia, criticar a Nato por estas razões, não significa que se seja contra a Nato, ou que se defenda a saída de Portugal da organização.

Tal como criticar a política monetária do Euro, a actuação do Eurogrupo ou do Banco Central Europeu não implica ser contra o Euro. Que dizer de países como o Reino Unido ou a Suécia, que sempre rejeitaram a moeda única? Ou que dizer do Presidente francês que, no mesmo dia da declaração de Cavaco, defendeu a renegociação da dívida grega? Cavaco Silva foi radical contra aqueles que acusa de radicalismo.

As poucas vozes que vieram a público defender Cavaco argumentam com a ausência de um acordo conhecido entre o PS, o Bloco de Esquerda e o PCP. Esse acordo existe e ainda não foi divulgado por uma razão que se compreende bem. Durante a campanha eleitoral, a coligação Portugal à Frente não apresentou um programa de Governo. Pelo contrário, o PS apresentou um programa macro-económico de longo prazo. E qual foi o resultado? Toda a gente criticou o programa do PS, porque ele existia. E ninguém criticou o programa da PàF, pela simples razão de que ele não existia. Por isso, a opção de manter o acordo de esquerda tapado é uma decisão estratégica, esperando que Passos Coelho apresente primeiro o seu programa de Governo.

Os próximos dias de Cavaco não vão ser fáceis. E apesar da situação de emergência que o país atravessa, esteve ontem e hoje em Itália, quando podia estar em Lisboa, para empossar o novo Governo de Passos Coelho que, previsivelmente, será chumbado no parlamento. Resta saber o que fará depois disso. Mas está mais que avisado. Se optar por manter o Governo em funções de mera gestão dos negócios correntes do Estado, sem orçamento, por um período que se arrastará até ao próximo Verão, transforma-se no maior responsável pela crise que Portugal atravessa.


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