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Ameaça de greve na Comissão Europeia
Luxemburgo 3 min. 18.12.2019 Do nosso arquivo online

Ameaça de greve na Comissão Europeia

Ameaça de greve na Comissão Europeia

Anouk Antony
Luxemburgo 3 min. 18.12.2019 Do nosso arquivo online

Ameaça de greve na Comissão Europeia

Teresa CAMARÃO
Teresa CAMARÃO
Empregadas da limpeza voltam à carga contra a “escravatura moderna” e admitem chegar às últimas instâncias pela dignidade.

Mais de dois meses depois da primeira concentração para denunciar a degradação das condições de trabalho, nada feito.

Nem a empresa, nem as instituições europeias responderam às reivindicações das empregadas da limpeza dos sete edifícios da Comissão que denunciam o aumento "irracional" da carga de trabalho. Meia centena voltou a denunciar a impassividade dos patrões, no protesto que fez tremer o chão em Gasperich, junto ao Cloche d’Or.

Se o trajeto para "escravatura moderna" continuar sem qualquer inversão de marcha, admitem a hipótese de uma paralisação total para "fazer valer os direitos" que dizem estar em causa desde que a ISS Facility Servive ganhou o concurso público e passou a gerir a limpeza das centenas de pisos dos edifícios envidraçados que são a cara da Europa no Grão-ducado.

"O ritmo e a pressão a que os trabalhadores estão sujeitos colocam em risco a saúde e segurança. Exigimos a implementação de medidas concretas o mais rápido possível", resume o dirigente sindical da OGBL, Estelle Winter, que sublinha o "esgotamento físico e mental" manifestado pelas empregadas de limpeza que, em menos de um ano, passaram a quase metade, com a redução de 245 para 140 postos de trabalho, agravado pelos pedidos de demissão.

"Autêntico inferno"

Neste contexto, os salários inferiores a mil euros mensais pelas quatro horas de trabalho diárias são a menor das preocupações. Na grande maioria imigrantes e transfronteiriças com baixas qualificações, as empregadas da limpeza das instituições europeias não têm mais de três minutos para limpar a fundo cada um dos mais de 60 escritórios e oito casas de banho que lhes foram destinadas com a organização de trabalho que a empresa justifica com a "redução de custos". Há uma trabalhadora por piso e nada mais. Antes eram pelo menos três. 

Aos 62 anos, Maria fala num "autêntico inferno". Foi uma das que deu a cara no protesto convocado pela OGBL que continua a atribuir o caso à "subcontração dos serviços" que transformaram os direitos dos trabalhadores num "passa culpas" com a empresa a responsabilizar as exigências orçamentais dos concursos públicos e a Comissão Europeia a descartar responsabilidades. 

"Dizem-nos que não podem intervir na gestão interna da ISS, nem impor um método de trabalho ou um número mínimo de pessoal por edifício", revela Estelle Winter. "Enquanto isso, a ISS apresentou uma lista de áreas e métodos a melhorar que não puderam ser seguidas porque punham em causa condições de mercado iniciais que não cumpriam as regras de adjudicação", denuncia.

Rescisão contratual

Certo é que, com a garantia da manutenção de todos os postos de trabalho, a gigante do setor das limpezas do Luxemburgo decidiu rescindir o contrato de 5 anos que a ligava à Europa sediada no Luxemburgo. A notícia foi avançada pelo sindicato durante a concentração e divulgada posteriormente nas redes sociais. 

Para já, sem qualquer data definida para o lançamento do novo concurso, a ordem é que "os trabalhadores se mantenham unidos e solidários" para assegurar que o "bem-estar das empregadas da limpeza seja tido em conta na elaboração do próximo caderno de encargos da Comissão. Isto, numa altura em que se avizinha a batalha da revisão do contrato coletivo do setor, em vigor há três anos, com os apelos não só da OGBL como da LCGB à "responsabilidade" dos empregadores no que diz respeito ao aprofundamento dos direitos dos muitos milhares que, diariamente, mantêm o país na lista dos mais limpos e organizados da Europa e do mundo. 


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