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Ainda a proibição de falar português: Governo recorda que valoriza a língua portuguesa nas escolas luxemburguesas
Luxemburgo 3 min. 06.11.2014

Ainda a proibição de falar português: Governo recorda que valoriza a língua portuguesa nas escolas luxemburguesas

A escola do Brill, em Esch, foi visitada por Pedro Passos Coelho, no mês passado. Na ecola do Brill há alunos que têm aulas em português

Ainda a proibição de falar português: Governo recorda que valoriza a língua portuguesa nas escolas luxemburguesas

A escola do Brill, em Esch, foi visitada por Pedro Passos Coelho, no mês passado. Na ecola do Brill há alunos que têm aulas em português
Domingos Martins
Luxemburgo 3 min. 06.11.2014

Ainda a proibição de falar português: Governo recorda que valoriza a língua portuguesa nas escolas luxemburguesas

O Governo do Luxemburgo emitiu hoje um comunicado em que recorda a tradição multilingue do pais, sobretudo no seio da escola luxemburguesa. O comunicado recorda ainda as boas relações entre o Luxemburgo e Portugal no domínio da Educação.

O Governo do Luxemburgo emitiu hoje um comunicado em que recorda a tradição multilingue do pais, sobretudo no seio da escola luxemburguesa. O comunicado recorda ainda as boas relações entre o Luxemburgo e Portugal no domínio da Educação.

O papel da língua portuguesa no seio da escola luxemburguesa é claramente posto em evidência pelo Ministério da Educação. O comunicado recorda a visita do ministro da Educação de Portugal ao Luxemburgo, em Julho deste ano, e lembra também que os alunos portugueses têm a possibilidade de frequentar "na escola fundamental, os cursos integrados de português".

O Governo lembra também o "projecto piloto de introdução de língua portuguesa" que está ser efectuado em "vinte escolas do ciclo 1" (pré-primária) e cujos primeiros resultados "permite concluir que, para uma criança lusófona, a utilização da língua materna no contexto escolar constitui uma importante ajuda na aprendizagem da língua luxemburguesa", diz o Ministério.

O comunicado recorda ainda que o Ministério da Educação tem posto em evidência o papel das línguas maternas como factor "facilitador da aprendizagem  e da promoção do processo de construção identitário. Por isso, diz o Governo, o pessoal educativo das "structures d‘accueil " (creches, "maison de relais") devem também utilizar a língua materna e integrá-la nas actividades educativas enquanto meio de comunicação das crianças".

O comunicado Governo termina dizendo que "paralelamente uma atenção muito particular é dedicada ao luxemburguês", uma vez que "é a língua  comum a todas as crianças, e por isso factor de coesão social", e que "prepara as crianças para o estudo do alemão".

Na escola luxemburguesa "o alemão e o francês tomam progressivamente o seu lugar (...) como língua veicular (...) e são as línguas em que a escolaridade é feita". É essencial que o uso das línguas veiculares oficiais seja respeitado", diz o comunicado.

O CONTACTO revelou esta semana que há crianças portuguesas no Luxemburgo que são punidas e separadas do grupo se falarem português em creches e ateliers de tempos livres (ATL). O caso foi denunciado por uma funcionária portuguesa que trabalha num estabelecimento público deste tipo em Esch-sur-Alzette.

O caso da proibição do uso de português nas escolas luxemburguesas chegou a Lisboa, e o Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal, através da Embaixada de Portugal no Luxemburgo, pediu esclarecimentos ao ministério de Claude Meisch. As conversas entre a Embaixada e o ministério luxemburguês foram confirmadas ao CONTACTO pelo próprio ministro da Educação do Luxemburgo.

Em Lisboa, o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas garantia, num post publicado no Facebook, que tinha diligenciado “junto do Ministério da Educação do Luxemburgo, no sentido de esclarecer a existência de normas que pretensamente proibissem a utilização da língua portuguesa nas creches e escolas daquele país”. Feita a diligência, concluiu “que tal não é verdade, pelo que deverá ser concretamente denunciada qualquer irregularidade cometida num estabelecimento de ensino local”, diz Cesário. 

Domingos Martins


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