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"A Voz da Rua" não tem mãos e medir com a pandemia
Luxemburgo 3 min. 14.05.2020

"A Voz da Rua" não tem mãos e medir com a pandemia

Stëmm vun der Strosse

"A Voz da Rua" não tem mãos e medir com a pandemia

Stëmm vun der Strosse
Foto: AC
Luxemburgo 3 min. 14.05.2020

"A Voz da Rua" não tem mãos e medir com a pandemia

Álvaro CRUZ
Álvaro CRUZ
Em 2019 a Stëmm vun der Strooss distribuiu ao longo de todo o ano cerca de 110.000 refeições. Este ano vão ser muitas mais.

“Atualmente estamos a distribuir gratuitamente uma média de 400 refeições por dia às pessoas mais carenciadas. Cerca de 300 na cidade do Luxemburgo – em Hollerich e Bonnevoie – e mais outras 100 em Esch-sur-Alzette”, assegura Alexandra Oxaceley, diretora da popular associação Stëmm vun der Strooss (A Voz da Rua, em português), que luta pela defesa dos interesses das camadas sociais mais carenciadas ou em risco de exclusão, desde a sua criação, em 1996.

 Neste momento de pandemia, as refeições são servidas em embalagens de plástico com uma bebida, à porta da associação, no exterior, como medida de segurança após o encerramento das cantinas sociais por medidas de precaução em relação ao pessoal e a quem aparece regularmente para matar a fome. “Esta pandemia veio interferir de forma trágica na vida de muita gente, mas ainda mais profundamente entre as camadas desfavorecidas da sociedade, alguns deles que conseguíamos acompanhar a ajudar nas nossas instalações. 

Vivemos numa sociedade em que nem todos têm as mesmas possibilidades económicas. Muitas pessoas encontram-se em condições precárias e, para além do escasso poder económico, também precisam de apoio a nível emocional e psicológico. Por isso, devido ao coronavírus, as refeições que normalmente custam o preço simbólico de 50 cêntimos e as bebidas, 25, são agora distribuidas gratuitamente”, revela Alexandra. 

“Se para uma pessoa habituada a uma vida normal é difícil estar confinado dentro de casa, os que sofrem traumatismos devido às más experiências da vida acabam por se sentir deprimidos com muito maior facilidade, voltando, muitos deles, a consumir drogas ou álcool. Assim que abrirmos as portas vamos ver quantos deles conseguem voltar. Muitos vão e vêm, mas outros desaparecem para sempre”, desbafa. 


A difícil luta de Ana Cristina em tempos de covid-19
Luxemburgueses e portugueses são dos que mais recorrem às ajudas da Stëmm vun der Strooss. Ana Cristina é portuguesa e uma das presenças habituais da cantina da sede da associação, na rue de la Fonderie, na capital. Quase a completar 40 anos, encontra-se desempregada há três.

Em 2019 a Stëmm vun der Strooss distribuiu ao longo de todo o ano cerca de 110.000 refeições, atingindo a sua capacidade máxima de serviço. Integrou ainda 257 pessoas em vários atleliês de reinserção laboral, alojou 29 em apartamentos que possui e arrenda através do programa Immo Stëmm, facultou 426 consultas médicas gratuítas, garantiu duches e kits de hiegiene a 4.320 pessoas e distribuiu ainda roupas por quase 5.000 necessitados que recorreram regularmente à associação. 

“Recebemos 3,9 milhões de euros do Estado (Ministério da Saúde) para as nossas atividades, aos quais juntamos algumas doações, mas o número de necessitados não pára de aumentar. Grande parte do dinheiro (cerca de 80%) é destinado ao pagamento de salários dos nossos 52 empregados e daqueles a quem conseguimos reintegrar em ateliês”, precisa a diretora da associação que sente no trabalho em prol dos mais desfavorecidos “um imenso prazer” e ao mesmo tempo “um dever”. 

 “A nossa principal missão é assegurar-lhes uma vida estável, dar-lhes a importância que merecem e um lugar na sociedade”, sublinha Alexandra Oxaceley considera a ’Voz da Rua’ um verdadeiro serviço de urgência, porque como refere, “o número de necessitados não pára de crescer e alguém tem de se ocupar desta gente.” 

Costuma dizer-se que ’quem corre por gosto não cansa’, popular adágio que assenta como uma luva a Alexandra e aos seus colaboradores que continuam a garantir um papel de extrema importância na vida de muitos a quem inúmeras portas da sociedade se fecham, mas que ainda têm nesta associação um ombro amigo.

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