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“A vacina é única forma de proteção contra a infeção”
Luxemburgo 6 min. 22.01.2021

“A vacina é única forma de proteção contra a infeção”

Dr Thérèse Staub

“A vacina é única forma de proteção contra a infeção”

Dr Thérèse Staub
Luxemburgo 6 min. 22.01.2021

“A vacina é única forma de proteção contra a infeção”

Paula SANTOS FERREIRA
Paula SANTOS FERREIRA
O Centro Hospitalar do Luxemburgo (CHL) lançou uma grande campanha de sensibilização para que os seus funcionários aceitem ser vacinados. Entre os indecisos há portugueses. Dois responsáveis explicam ao Contacto a importância da vacinação.

O Centro Hospitalar do Luxemburgo iniciou há uma semana a campanha de vacinação contra a covid-19 no próprio hospital. Para já, a iniciativa visa unicamente os trabalhadores deste estabelecimento, desde os profissionais de saúde a todos os outros funcionários que ali trabalham

Nesta primeira fase, a vacina contra a covid-19 está a ser administrada aos grupos prioritários, a quem trabalha na ala covid-19 e contacta diretamente com os doentes infetados pela pandemia.

Como não é obrigatória, só se vacina quem assim o desejar. A adesão tem sido “muito boa”, mas há quem ainda tenha dúvidas e esteja reticente em ser vacinado. Entre os indecisos ou mais avessos encontram-se funcionários portugueses, que constituem um grupo importante entre todos os trabalhadores do Centro Hospitalar do Luxemburgo (CHL).

“Existem trabalhadores indecisos de todas as nacionalidades e também portugueses, sim, mas isso é compreensível, dado que se trata de uma vacina nova”, confirma ao Contacto a médica Thérèse Staub, diretora do Serviço Nacional de Doenças Infeciosas do hospital da capital.

Uma sondagem realizada no Luxemburgo sobre a disposição para a vacinação contra a covid-19 revela que os portugueses, a par dos belgas, são os residentes mais reticentes à vacinação, a maioria assumindo considerar ser “pouco provável ou muito pouco provável” aceitar ser vacinado. “Quanto às nacionalidades residentes no Luxemburgo ou na região fronteiriça, a disponibilidade para se vacinar é maior entre os alemães e outras nacionalidades e menor entre os belgas e os portugueses. Os luxemburgueses e os franceses estão no centro”, revela a sondagem realizada em novembro e dezembro pelo LNS em conjunto com a Direção da Saúde.

Conscientes das dúvidas que coloca a vacina anti-covid, sobretudo pelo tempo recorde em que as várias empresas farmacêuticas elaboraram este método de prevenção, Thérèse Staub e o seu colega, Gregory Gaudillot, chefe da farmácia do CHL, protagonizam um vídeo informativo sobre a doença e a vacina dirigido a todos os trabalhadores do hospital, e apelam à vacinação. Este vídeo, onde os dois especialistas explicam e respondem às questões mais frequentes sobre a vacina está a ser divulgado nas redes sociais do hospital e através de outras plataformas, e faz parte de uma ampla campanha de sensibilização à vacinação que decorre no CHL.

“Além do vídeo disponibilizamos na intranet do hospital para quem desejar consultar uma vasta informação sobre as vacinas já aprovadas, desde a sua composição, à sua administração, os vários estudos científicos realizados e os que vão sendo publicados”, explicou ao Contacto Gregory Gaudillot. “Criámos também um endereço de email específico para que todos os trabalhadores possam escrever as suas dúvidas e colocar-nos todas as suas questões, com garantia de que todas as respostas sejam dadas a cada um, pelos especialistas”, acrescentou.

Thérèse Staub e Gregory Gaudillot não têm dúvidas: “A vacina anti-covid é até agora a única solução para nos protegermos da infeção, protegermo-nos a nós próprios para não ficarmos doentes e protegermos os nossos familiares. É a única forma de proteger a população e travar a doença”, vinca a diretora do Serviço Nacional de Doenças Infeciosas do CHL.

“Infelizmente até agora não existe nenhum medicamento, nenhuma terapêutica que nos proteja de forma mais rápida e eficaz do que a vacina pelo que todos se devem vacinar”, recomenda a especialista.

Até 18 de janeiro mais de 40 milhões de pessoas já tinham recebido a primeira dose da vacina anti-covid no mundo, de acordo com os dados da Universidade de Oxford, e os efeitos secundários quando existem “são muito ligeiros, tal como acontece com a maioria das vacinas”, salienta esta especialista.

A enfermeira-chefe do serviço de Thérèse Staub, a portuguesa Catarina Fernandes foi a primeira pessoa a ser vacinada no Luxemburgo, no dia 28 de dezembro.

“Deu um grande exemplo e ela está perfeitamente bem”, diz esta responsável sublinhando que, em breve, a enfermeira-chefe vai tomar a segunda dose da vacina, 21 dias depois da primeira dose.

Numa entrevista ao Contacto após ter sido vacinada, Catarina Fernandes apelou à vacinação como a única forma de prevenir a infeção da covid-19. “É melhor prevenir e não ser infetado do que ficar infetado e poder ter complicações de saúde para o resto da vida. Os casos graves da doença podem deixar sequelas para sempre”, vincou Catarina Fernandes nessa altura.

Vacinar todo os voluntários até março

Todos os profissionais do CHL que tomam a vacina têm acompanhamento e até agora, como todos os residentes vacinados no Luxemburgo as reações que existem “tem sido muito ligeiras”.

E quantos funcionários foram vacinados no Centro Hospitalar do Luxemburgo desde o dia 12? “Na primeira semana da vacinação aqui no hospital vacinámos 240 pessoas, mas há funcionários nossos que já receberam a vacina no centro de vacinação do Hall Vitor Hugo. No total foram 187 funcionários no Limpertsberg”, precisa Gregory Gaudillot.

A lista de inscrição para a vacinação dos dois primeiros grupos prioritários que incluem 2162 funcionários, já tem “985 reservas até 15 janeiro”.

“Por agora temos de excluir as pessoas que estão doentes ou já foram infetadas e que por isso fazem parte de grupos que serão mais tarde vacinados”, frisa a diretora do SNDI do CHL.

“A vacina é indicada para todas as pessoas à exceção das grávidas”, lembra Thérèse Staub.

Os dois responsáveis sublinham satisfeitos que a “adesão tem sido muito boa”.

“Há mais reservas do que as doses por enquanto existentes”, diz o chefe da farmácia adiantando que está já prevista a chegada de novas doses ao CHL.

“Começamos a campanha de vacinação com 60 pessoas vacinadas por dia, esta semana aumentamos a capacidade para 70 funcionários diários e para a próxima semana serão já 140 pessoas por dia a serem vacinadas no CHL”, indica Gregory Gaudillot.

Por enquanto, este centro hospitalar está a receber apenas a vacina da Pfizer, a primeira a ser aprovada pelas entidades internacionais e sobre a qual existem mais estudos realizados.

Como por exemplo, “a eficácia desta vacina na proteção da nova variante britânica”, diz Thérère Staub. Já a mais recente variante descoberta, a brasileira, e que tal como a britânica é muito mais contagiosa do que o vírus original ainda “não se sabe se também funciona sendo preciso realizar investigações”. “Vamos estar sempre dependentes das remessas de vacinas, mas se tudo correr bem estimamos que até ao final de março conseguimos vacinar todos os funcionários e trabalhadores subcontratados do CHL”, perspetiva o farmacêutico. Contudo, mesmo as pessoas vacinadas têm de continuar a manter “os gestos barreira”, ou seja, o uso da máscara e o distanciamento social e evitar ao máximo os contactos sociais, como lembra Thèrèse Staub. Até o Luxemburgo conseguir imunidade de grupo, ou seja, entre 60% a 70% da população estar vacinada é preciso continuar com as medidas de proteção.

Para os dois responsáveis do CHL, só através da vacinação “poderemos vir a ter uma vida normal” e no final voltam a apelar a todos para que se vacinem: “é a melhor proteção que temos contra a covid-19”. 

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