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A partir de sábado as mulheres trabalham de borla
Luxemburgo 3 min. 11.12.2020 Do nosso arquivo online

A partir de sábado as mulheres trabalham de borla

A partir de sábado as mulheres trabalham de borla

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Luxemburgo 3 min. 11.12.2020 Do nosso arquivo online

A partir de sábado as mulheres trabalham de borla

Até ao fim do ano, as trabalhadoras luxemburguesas não ganham nem um cêntimo em comparação com os homens. A culpa é da diferença salarial de 5,5%.

A partir deste sábado, 12 de dezembro, e até ao fim do ano, as mulheres vão trabalhar de borla, segundo as contas da OGBL Equality. 

"De acordo com dados estatísticos recentes, a diferença salarial entre homens e mulheres no Luxemburgo é estimada em 5,5%. Se esta lacuna for relatada numa base anual, significa que, em média, em comparação com os seus colegas masculinos, as mulheres trabalham gratuitamente durante 20 dias do ano", explica a estrutura sindical num comunicado enviado às redações na véspera do dia D. 

A distância da linha da frente e do fim da linha 

Essenciais durante a pandemia e sem direito de confinar, mesmo nos setores dominados pelo sexo feminino como as limpezas, o comércio ou os cuidados, as mulheres continuam a dominar no setor dos salários baixos. 

"As mulheres estão sobre-representadas em sectores-chave que, em grande medida, são aqueles com os salários mais baixos", realça o sindicato.

Com vínculos mais precários e com menos estabilidade, a OGBL Equality estima que 30% das mulheres não têm sequer um horário completo. Na prática, diz o sindicato, dando "menor independência financeira e poder de compra às mulheres em comparação com os homens, o que também leva mais tarde, inevitavelmente, a uma lacuna nas pensões". 

Na idade ativa e na velhice, as mulheres ainda são confrontadas com outras tarefas essenciais mas não remuneradas, tal como a gestão e a execução das tarefas domésticas. 

"No Luxemburgo, por exemplo, as mulheres passam o dobro do tempo em tarefas domésticas -16 horas/semana em média - do que os homens (8 horas/semana em média). Isto tem de mudar, pois as mulheres sofrem as consequências para o resto das suas carreiras", sublinha a OGBL. 

Menos mal 

Se nada for feito em contrário, o Luxemburgo só deverá extinguir o fosso salarial entre homens e mulheres em 2027, ainda assim, 77 anos antes do conjunto dos Estados membros da União Europeia.

Tendo em conta que, nos últimos oito anos a discriminação salarial regrediu apenas 1% nos países que compõem a UE, o Luxemburgo segue na dianteira do processo, já que, precisamente entre 2010 e 2018, passou de uma diferença salarial média de 8,7% para 4,6%. 

Aprovada na Câmara dos Deputados em dezembro de 2017, a lei que contempla a igualdade salarial entre homens e mulheres, ajuda a explicar o trajeto. 

Desde então, o Tribunal do Trabalho luxemburguês tem enquadramento legal para punir com multas entre 251 euros e 25 mil euros os patrões que violem a norma. Nos sindicatos há delegados responsáveis pelo departamento da Igualdade. No fim de contas, cabe à Inspeção do Trabalho (ITM) fiscalizar o cumprimento da lei. 

Mal geral 

No estudo que põe a nu a incapacidade de resposta dos governos no que respeita à igualdade dos sexos no mundo laboral, o Grão-Ducado só é ultrapassado pela Roménia e surge à frente da Hungria. Dentro de dois anos, em 2022, as romenas verão a sua remuneração equiparada à dos homens, apesar da CES considerar que, neste caso, se tratam de salários “inadmissivelmente baixos”. 

Quase dez anos depois, em 2031, é a vez húngaras. Na Dinamarca ou na Áustria, a igualdade salarial só será alcançada na segunda metade deste século. Noutros casos será ainda mais tarde, como na Alemanha, em, 2121, ou em França, onde as mulheres terão de esperar cerca de mil anos para terem um salário idêntico ao dos homens, já que o ritmo de redução das disparidades é de apenas 0,1% desde 2010.

Em Portugal, o cenário é igualmente dramático com as mulheres a ganhar, em média, menos 16,2% que os homens. Não há sequer data para acabar e, de acordo com as previsões do Eurostat as desigualdades “continuam a agravar-se”. Acontece também na Bulgária, Croácia, Eslovénia, Letónia, Lituânia, Malta e Polónia. 

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