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A cada semana juntam-se mais 155 automóveis às filas de trânsito
Luxemburgo 4 min. 04.11.2019

A cada semana juntam-se mais 155 automóveis às filas de trânsito

A cada semana juntam-se mais 155 automóveis às filas de trânsito

Luxemburgo 4 min. 04.11.2019

A cada semana juntam-se mais 155 automóveis às filas de trânsito

Paula SANTOS FERREIRA
Paula SANTOS FERREIRA
Como convencer 73 mil a partilharem o carro ou a irem de transportes públicos para o trabalho? A Fundação IDEA apresenta várias ideias ao governo.

 As longas filas de trânsito, em hora de ponta, deixam muitos habitantes com os nervos em franja todas as manhãs e fins de tarde. 

Rezam as estatísticas que, em média, um percurso que demora 30 minutos levará mais de 50 minutos a ser percorrido. E, se é assim atualmente, imagine como será em 2025.

Basta lembrar que, a cada semana, há 121 residentes no Luxemburgo que entram no mercado trabalho e, ao mesmo tempo, cerca de 130 frontaliers começam aqui um novo emprego.

Ao todo são “254 novos trabalhadores a cada semana, o que dá um total de 155 novas viaturas” a circular nas horas de ponta. Isto porque, em média, cada viatura leva 1,2 ocupantes, segundo as estatísticas.

A estes condutores juntam-se mais “48 novos passageiros de bus – o que equivale à lotação de um autocarro –, 15 novos trabalhadores que optam por ir a pé e cinco ciclistas. Tudo isto a cada semana!”, relembra a Fundação IDEA.

 Trânsito ao nível de Xangai ou Sidney

 Em matéria de mobilidade o Luxemburgo “está perto de ter uma trombose”, sublinha um novo artigo da Fundação IDEA, publicado a 30 de outubro, que se centra sobre a estratégia do governo para resolver este problema.

Só para se perceber a dimensão da dor de cabeça, basta olhar para as estatísticas e ver que, em 2018, os habitantes do Luxemburgo tiveram de adicionar, em média, mais 33% de tempo, à duração da mesma viagem de automóvel que faziam em 2017.

A nível mundial, e de acordo com TomTom Trafic Index, que mede o nível de congestionamento do trânsito nas cidades, estes dados provam que em matéria de trânsito estamos ao nível de cidades como Sidney ou Xangai, refere a Fundação IDEA.

 Cidade estaleiro

Por isso, a cidade do Luxemburgo, transformou-se num autêntico estaleiro, com a construção de novas vias ferroviárias, alargamentos de estradas, novas linhas de autocarros, mais ciclovias e caminhos pedestres.

A principal ideia da autarquia e do governo é diminuir a circulação de veículos privados. Pelo ambiente e pelo tráfego.

 Denominada “Estratégia para uma mobilidade duradora (MODU 2) "o plano do executivo visa “reduzir o congestionamento do trânsito em horas de ponta, mesmo com um aumento de 20% de trabalhadores em relação a 2017”.

Isto porque 73% dos trabalhadores utiliza o seu automóvel para ir trabalhar, segundo os resultados do inquérito Luxmobil de 2017, realizado pelo Statec. Mesmo quando o percurso é de apenas cinco quilómetros.

 Deixar o carro em casa

 Intitulado “Descodificação nº5: Mobilidade duradoura: transformar 73 mil assalariados “autosolistes” antes de 2025?” o artigo assinado por Vicent Hein relembra as contas.

“Se por hipótese, o número de trabalhadores aumentasse 20%, num cenário em que os novos assalariados de 2025 se comportassem como os de 2017, a estratégia será a de reduzir 73 mil “autosolistes” (trabalhadores que viajam sozinhos). Assim, “34 mil deverão passar a dividir a viatura, 14 mil decidem ir de transportes públicos, 15 mil optam por fazer o percurso a pé e 10 mil utilizam a bicicleta”.

Quanto aos que continuavam a viajar sozinhos poderiam fazê-lo só parte do trajeto, de casa até a um meio de transporte público, por exemplo, e continuar a pé até ao trabalho.

Estratégia ambiciosa

A Fundação IDEA considera a estratégia “ambiciosa” tanto mais que o horizonte é de apenas cinco anos.

Para tal ser possível é preciso existir uma “mudança real de comportamento” dos habitantes.

Para a estratégia resultar é necessário uma “mudança real de comportamento” dos habitantes. E para tal acontecer é necessário criar um conjunto de condições favoráveis.

O artigo deixa algumas ideias: a gratuitidade dos transportes é de facto importante. Mas não chega. 

Atrativos fiscais e diferentes portagens

Deverão haver “atrativos fiscais” ou preços de portagens diferentes “dependendo das horas e número de passageiros no mesmo veículo”. 

Uma das ideias é a "portagem 'reversível', no caso de partilha do veículo ou do condutor deixar totalmente de usar o carro em horas de ponta". 

“A promoção do teletrabalho, medidas de promoção de outras formas de trabalho ‘nómada’, como a contagem do tempo passado no transporte como tempo de trabalho” poderiam ser testados “antecipando e gerindo os riscos que daí pudessem surgir”.

Usar a "criatividade"

Por outro lado, há também que “criar as infraestruturas” necessárias e conseguir uma “boa gestão da rede de transportes públicos”, com horários e informação em tempo real aos utilizadores, entre outras medidas.  

No entender da Fundação IDEA, para a estratégia resultar precisa-se de “criatividade” na elaboração de todos os planos de mobilidade.