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A arte de dizer olá em vez de moien
Luxemburgo 2 min. 09.06.2021

A arte de dizer olá em vez de moien

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Luxemburgo 2 min. 09.06.2021

A arte de dizer olá em vez de moien

Ricardo J. Rodrigues
Ricardo J. Rodrigues
São luxemburgueses. Querem ser polícias, militares, professores, assistentes sociais. E estão a aprender português para poderem servir melhor a população. Mergulho nas aulas de português do liceu Nordstad, em Diekirch.

Joshua Küntsch tem 19 anos, é filho e neto de luxemburgueses, toda a história da família remete a raízes no Grão-Ducado. E na verdade é um dos mais empenhados alunos de português da turma do 11° ano do Liceu Nordstad, em Diekirch. “Estou a formar-me em pedagogia, quero trabalhar no apoio extracurricular a crianças, ajudá-los nos estudos, organizar campos de férias. Muitos dos miúdos com quem vou trabalhar são portugueses. E não é só para poder falar com eles que quero aprender a língua. É para falar com os pais, que às vezes são mais lentos a aprender o luxemburguês, e poder explicar-lhes o que andamos a fazer.”

Entre os 14 alunos desta turma estão Luca Dratwiczki, que quer ser professor, Gil Wildarger, que quer ser polícia, Pôl Klares, que se vai dar como voluntário para as Forças Armadas. Também há Kathlyn Bento, que também é luxemburguesa e a única da sala com raízes portuguesas. “Nunca aprendi a língua em condições mas agora sinto que ela me será útil no futuro”, explica. A rapariga também pensou muitas vezes em entrar na polícia, mas agora está mais inclinada para entrar na carreira de assistente social. “Quando um quinto da população é lusófona e a maioria pertence às classes trabalhadoras, vou conseguir chegar muito mais diretamente aos problemas das pessoas e conseguir ajudá-las.”

A lição de hoje tem como base a ementa de um restaurante. Nas rédeas da aula estão duas professoras: Clara Santos, dos quadros do Instituto Camões, e Suzana Nunes, luxemburguesa que estudou no Porto e ensina francês no liceu Nordstad. “Agora vim para este projeto também, para ajudar a fazer a transição entre o luxemburguês e o português. Estou contente com esta ideia, penso que ela é importantíssima para combater desigualdades e aumentar a tolerância entre as comunidades do país. Além, claro, de ser útil aos alunos luxemburgueses”, diz a professora Suzana.

O menu é lido de fio a pavio, com os alunos a tentarem adivinhar o que são pataniscas de bacalhau ou bifanas grelhadas. Pôl, que tem francamente bom sotaque, diz que um bom bife com batatas fritas é bem capaz de ser o seu prato preferido. Clara santos também se ri, e anima-se quando percebe que estas aulas estão a lançar sementes. “É muito bom sentir quando eles ficam curiosos com a cultura portuguesa, quando se admiram com alguma coisa – e aquilo que mais os surpreendeu foi ver como a gramática francesa é parecida à nossa. Estes alunos são avaliados, têm notas no final do ano. Mas também estão a aprender uma lição valiosa sobre um povo com quem convivem, mas nem sempre conhecem.”  

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