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A ajuda do Luxemburgo a Portugal traz de volta uma primavera de esperança

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A ajuda do Luxemburgo a Portugal traz de volta uma primavera de esperança

A ajuda do Luxemburgo a Portugal traz de volta uma primavera de esperança

A ajuda do Luxemburgo a Portugal traz de volta uma primavera de esperança


por Ana TOMÁS/ 27.02.2021

Fotografia: Rodrigo Cabrita

Solidariedade e capacidade de adaptação "incrível" foi o que as equipas luxemburguesas encontraram no Hospital do Espírito Santo em Évora. Duas enfermeiras, um médico e uma médica constituem a "embaixada" de profissionais de saúde que o Luxemburgo enviou para apoiar os hospitais portugueses no combate à covid-19 e que a reportagem do Contacto acompanhou.

Bastaram dois dias para Samuel Luyasu perceber o esforço que o hospital do Espírito Santo de Évora tem feito para responder à crescente procura de doentes covid-19, desde que começou a pandemia. O médico intensivista, que trabalha, desde 2017, no Serviço de Urgência de Adultos, do Centro Hospitalar do Luxemburgo e atualmente trabalha no serviço de urgências dedicado a doentes covid-19, chegou à cidade alentejana dia 21 de fevereiro, integrando a segunda equipa enviada pelo Governo luxemburguês para apoiar Portugal no combate à pandemia. O que viu não só não quebrou as expectativas, como revelou algumas surpresas. "Esperava que houvesse uma boa integração na equipa porque acima desta missão há um valor, que é o da solidariedade. Quando abraçamos este valor, a integração é natural", começa por referir à reportagem do Contacto. 

Essa expectativa foi confirmada logo nos primeiros dias de trabalho com a equipa da unidade de cuidados intensivos covid-19 do hospital de Évora, onde as duas equipas luxemburguesas estão inseridas. Estar em Portugal para poder ajudar os colegas portugueses com os doentes da pandemia é tarefa que deixa o médico "muito orgulhoso" e enriquecido, porque apesar dos pacientes serem iguais em todo o mundo e dos tratamentos para a covid-19 seguirem orientações comuns há sempre aprendizagens a ganhar. "O que faço aqui é aquilo que faço no meu país: trato dos pacientes, examino-os clinicamente, acompanho a sua evolução e discuto-a com os meus colegas, assim como as terapias a usar. Na minha profissão essa discussão com os colegas é muito importante e aqui encontrei discussões profissionais muito valiosas", explica. 

 O que também encontrou e o surpreendeu foi o trabalho e o esforço das equipas de saúde portuguesas para se adaptarem a um combate que não tem dado tréguas e se agudizou no início do ano, deixando o hospital à beira da lotação e obrigando a constantes readaptações dos serviços para aumentar a capacidade para receber doentes covid-19. "Deixa-me um profundo sentido de respeito pelos meus colegas do Hospital de Évora o que o hospital fez num tão curto período de tempo. Disseram que antes da crise pandémica havia apenas cinco camas de cuidados intensivos, e agora, do que vi, da nova organização e das novas estruturas para que pudessem enfrentar esta crise...Não tenho palavras para descrever. A única coisa que posso dizer é que é incrível." 

A segunda equipa luxemburguesa, que chegou no dia 21 de fevereiro e fica em Évora até dia 7 de março, é composta pelo médico Samuel Luyasu, do Centro Hospitalar do Luxemburgo, e pela enfermeira portuguesa Mónica Almeida Valente, que trabalha no contact tracing a doentes covid-19, no Grão-Ducado
A segunda equipa luxemburguesa, que chegou no dia 21 de fevereiro e fica em Évora até dia 7 de março, é composta pelo médico Samuel Luyasu, do Centro Hospitalar do Luxemburgo, e pela enfermeira portuguesa Mónica Almeida Valente, que trabalha no contact tracing a doentes covid-19, no Grão-Ducado
Fotografia: Rodrigo Cabrita

Desde que a pandemia chegou a Portugal, o Hospital de Évora, estrutura distrital, que abrange vários concelhos e uma população de aproximadamente meio milhão de residentes, teve cerca de 700 doentes internados com covid-19, mais de metade concentrados nos meses já de 2021. O hospital chegou a ter um máximo de 120 doentes covid-19 internados em simultâneo. Na semana passada estavam hospitalizadas com a doença 32 pessoas, 12 em UCI, num total de 17 camas disponíveis, e embora a diminuição da pressão sobre os internamentos já tenha começado a permitir a libertação das enfermarias que tinham sido adaptadas para responder ao SARS-Cov-2 e a retoma gradual das cirurgias programadas, o auxílio externo continua a ser um apoio importante num serviço tão específico, como o dos cuidados intensivos covid-19, onde o tratamento é lento e a resposta de cada doente imprevisível. 

"Foi de grande amabilidade o apoio do Luxemburgo para nos ajudar. Vieram numa fase em que já se sentiu os efeitos do confinamento e não tiveram a experiência do pico em que nós estivemos um pouco aflitos, em que geríamos as camas no dia a dia", refere Manuel Chantre Lima, diretor da UCI covid do hospital. Apesar disso, a unidade foi conseguindo responder às solicitações com profissionais do hospital que também se foram adaptando às exigências. "Havia sempre um intensivista coadjuvado por colegas mais novos, que rapidamente se integraram e conseguimos fazer um trabalho aceitável, dentro dos condicionalismos". 

A ajuda do Luxemburgo trouxe a mais-valia de, em altura de menor pressão, possibilitar a troca de conhecimentos e procedimentos. "Os colegas vieram e isso permitiu-nos perceber se há alguma diferença em relação à abordagem do doente crítico que eles fazem comparativamente a nós. Não existe evidência que haja diferença, também as práticas a nível das unidades são iguais em qualquer país da Europa, o que difere é a existência ou não de equipamentos adequados", explica o responsável.  

Essa é também a impressão registada pela enfermeira Filomena Silva Costa que veio com a primeira equipa, que chegou a Évora a 14 de fevereiro e regressa este domingo. A enfermeira lusodescendente, que é professora no Lycée Technique pour Professions de Santé, nota que o material no hospital português é um pouco diferente daquele com que tem trabalhado mas nada que tenha atrapalhado a rápida integração na equipa. "No fim de contas os princípios de funcionamento e de aplicação são iguais", afirma. 

Filomena Silva Costa faz equipa com a médica alemã Modesta Dargeviciute, que trabalha no maior hospital de Trier e na Luxembourg Air Rescue. A médica de urgência, especializada em anestesia e reanimação, admite que o cenário é "um pouco diferente" do luxemburguês e do alemão. "São países diferentes mas o objetivo é o mesmo: lutar contra o corona", resume. A enfermeira Filomena, que traduz as suas respostas às perguntas da nossa reportagem, desenvolve um pouco mais e acrescenta que as mudanças se notam mais a nível das próprias estruturas hospitalares, que na Alemanha e no Luxemburgo são mais modernas.

Apesar de algumas diferenças, as terapêuticas e os procedimentos para tratar os doentes graves de covid-19 praticamente não diferem entre os dois países.
Apesar de algumas diferenças, as terapêuticas e os procedimentos para tratar os doentes graves de covid-19 praticamente não diferem entre os dois países.
Fotografia: Rodrigo Cabrita


Parte do hospital de Évora integra instalações da Misericórdia com mais de 500 anos e polos separados da unidade maior, o que obriga a uma logística mais complexa e muitas vezes criativa para responder às necessidades, como observa a enfermeira lusodescendente. "Em Évora quando queremos ir com um paciente fazer um TAC, há um circuito que é aberto e fecham o resto do hospital para não haver contacto entre não-covid e covid. E são essas adaptações que nós lá no Luxemburgo [e em Trier] não temos, porque as infraestruturas são mais modernas. Aqui em Évora essa foi a maneira que encontraram para fazer respeitar dois circuitos diferentes. Praticamente foi a única coisa que a gente estranhou, mas compreendeu, porque aqui o hospital é mais antigo e as infraestruturas não foram pensadas para este contexto." Já a nível terapêutico e de hábitos clínicos a médica Modesta Dargeviciute não vê diferenças, uma vez que as equipas, de um país e de outro, se vão mantendo ao corrente das orientações da OMS, acabando por trabalhar da mesma maneira.

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Uma missão solidária e voluntária
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Fotografia: Rodrigo Cabrita


À exceção da médica de Trier, que veio para Portugal contratada pela Luxembourg Air Rescue, os restantes elementos das equipas voluntariaram-se para esta missão, assim que foi feito o apelo do Governo Luxemburguês. 

O médico Samuel Luyasu voluntariou-se "porque estamos numa crise europeia e nas crises os países têm a tendência a virarem-se para dentro e esse é o perigo de uma crise". Mas ao mesmo tempo lembra que das crises nasce a esperança da solidariedade e essa foi a principal razão que o levou a responder ao pedido do Governo luxemburguês. "A par dos cuidados aos pacientes, há uma dimensão simbólica nesta missão: a de que a solidariedade é algo possível, não é apenas uma palavra durante uma crise como esta." 

Samuel Luyasu veio para o hospital de Évora com a enfermeira portuguesa Mónica Almeida Valente, que vive no Luxemburgo há dois anos e meio e integra a reserva sanitária que o país criou para combater a pandemia. A participação neste apoio ao hospital alentejano é a sua primeira experiência no terreno com pacientes covid-19. "No Luxemburgo não estou na parte de prestação de cuidados ao doente em meio hospitalar, faço contact tracing. Trabalhei em Portugal na área do doente crítico e no Luxemburgo comecei a trabalhar quando surgiu a pandemia. Estou pela reserva sanitária neste momento e no contact tracing desde abril." 

A vinda para Évora nesta missão de ajuda do Luxemburgo é, por isso, a concretização de um desejo que alimentava desde que a pandemia começou, o de passar do contacto à distância com os doentes para estar na linha da frente de combate. "Eu conheço a realidade de Portugal, sei as dificuldades que existem e punha-me no papel dos meus colegas. A vontade de estar na linha da frente já vem desde o início, portanto, quando houve a oportunidade de vir fiz logo a inscrição. Entretanto fui contactada e estou muito satisfeita por poder estar aqui, por poder contribuir e de alguma forma para ajudar", afirma Mónica que admite que pensava que o hospital estaria numa fase mais complicada do que aquela que acabou por encontrar. 


A primeira equipa, da enfermeira Filomena e da médica Modesta, chegou uma semana antes, com o objetivo de ajudar os homólogos portugueses "que estavam em dificuldade, com hospitais saturados". "E tivemos sorte", diz a enfermeira, aludindo à facilidade de terem sido disponibilizadas pelas chefias e à colaboração dos colegas que ficaram, para poderem embarcar nesta missão. 

Tal como a enfermeira Mónica, Filomena recebeu um email da reserva sanitária, através da qual já tinha sido chamada em abril de 2020 para trabalhar três semanas na Deish Hall, em Ettelbruck, no centro de cuidados avançados que foi equipado com tendas militares. "Há três semanas, recebi outro email, num sábado à noite, a dizer que estavam à procura de enfermeiros lusófonos e então respondi a esse email. Mas antes telefonei logo à minha mãe e ao meu diretor", conta. Participar na linha da frente, ainda por cima noutro país, implica preparar a retaguarda, o que muitas vezes significa ver o medo nas palavras dos que são mais próximos. 

A mãe de Filomena ficou com o seu filho, de 13 anos, mas temeu pela sua ida para Évora, numa altura em que Portugal batia recordes nos números da pandemia que colocavam o país no topo dos piores a nível mundial. "'No que tu te vais meter!', disse ela. Mas eu disse que ia. Estava decidida e nem me passou pela cabeça se podia ser infetada ou não", afirma Filomena que revela sentir-se tão segura dentro dos equipamentos de proteção e no acompanhamento aos doentes, que acaba por se esquecer do peso da nova doença que veio mudar o mundo bruscamente. 

Solteira e sem filhos, a médica Modesta, que foi enviada pela Luxembourg Air Rescue e que "disse logo que sim", no espírito de prontidão das equipas de resgate, precisou apenas do acordo dos seus superiores e de 24 horas para preparar as coisas e fazer a mala, porque ainda esteve a trabalhar na sexta-feira que antecedeu a partida para Portugal. 

A médica luxemburguesa, Modesta Dargeviciute (à direita) e a enfermeira luso-descendente, Filomena Silva Costa (à esquerda).
A médica luxemburguesa, Modesta Dargeviciute (à direita) e a enfermeira luso-descendente, Filomena Silva Costa (à esquerda).
Foto: Lusa


No hospital de Évora, o turno desta equipa começa sempre às 8h e dura cerca de oito horas e meia se não houver imprevistos. Houve um dia em que ficaram mais tempo para acompanhar a admissão de um doente e não deixarem a equipa enquanto a situação não estivesse estabilizada. 

 Também na duração dos turnos dos colegas portugueses e a rotatividade que daí resultam encontraram algumas variações face ao Luxemburgo, mas nem isso perturbou o acolhimento e integração da enfermeira Filomena e da médica Modesta nas equipas do Hospital do Espírito Santo. "Como eles fazem turnos de 12 horas, nós não vemos todos os dias as mesmas pessoas, não é como no Luxemburgo, em que fazem quatro ou cinco manhãs seguidas. Cá não, um dia vêm de manhã, depois no outro já vêm de noite. Por isso, vemos muita gente diferente, mas cada vez que entramos para dentro da sala somos tão bem acolhidas e há mesmo um espírito de equipa e de entreajuda", salienta Filomena. 

Sentem-se parte da equipa residente desde o início. O facto de a enfermeira ser alta faz com que a reconheçam de imediato, mesmo se o material de proteção disfarça as feições do rosto. O facto de falar com a médica Modesta em alemão, também ajuda à identificação. "Os colegas passam para nos dar as boas-vindas" e alguns dos doentes, entre os que já estão conscientes, ainda que não estejam a par desta ajuda do Luxemburgo a Portugal "dão conta" de que há alguma coisa de diferente em quem os acompanha. "Quando eu estou com a Dra. Modesta a ver os pacientes eles ouvem-me a falar em português mas depois tenho de traduzir e ficam admirados".

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As enfermeiras que falam português e se reconhecem pelas outras línguas
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Fotografia: Rodrigo Cabrita


Com a chegada das equipas do Luxemburgo, o francês, o alemão e o inglês somam-se ao português nas línguas faladas e ouvidas nos corredores do hospital e na cidade de Évora, agora despida de gente e de turistas por causa do confinamento em que todo o país se encontra. No entanto, e considerando a comunidade portuguesa que existe no Grão-Ducado, foi preocupação das autoridades luxemburguesas integrar nas equipas elementos portugueses ou lusodescendentes para facilitar a comunicação. 

Neste caso essa ponte é feita pelas enfermeiras Mónica e Filomena, para quem esta missão tem um significado especial devido à ligação afetiva a Portugal. "Para mim é um grande orgulho. E quando acabei o curso de enfermagem, para manter todas as opções em aberto pedi autorização para exercer no Luxemburgo e em Portugal. Não calhou vir para Portugal, mas na minha cabeça tinha aquele sonho de um dia ver como é que é em Portugal e poder trabalhar a falar em português. E agora fiquei contente com esta oportunidade aos 45 anos", refere a enfermeira, que todos os anos passa as férias na Costa da Caparica. 

Fez questão de trazer estampado esse orgulho na t-shirt que vestiu quando embarcou no Findel para esta missão e que dizia 'Living in Luxembourg, with Portuguese roots' ('Vivendo no Luxemburgo, com raízes Portuguesas').   

Foto: DR

"Eu tinha aquela t-shirt há algum tempo no armário e nunca tinha tido oportunidade de a tirar de lá. Não conseguia dormir na noite em que me disseram que era para ir e não sei porquê veio-me à ideia aquela t-shirt e disse: 'vou levá-la'. E quando tirámos a foto, abri o casaco mesmo para se ver bem. Eu sou super-orgulhosa da minha dupla cultura. Não tenho dupla nacionalidade, sou só luxemburguesa mas sou super-orgulhosa dessa dupla cultura", diz, acrescentando que no exercício da sua profissão no Luxemburgo usa o português para ajudar e facilitar o contacto com os que, falando a língua de Camões, não dominam as do Grão-Ducado. "Eu proponho-me logo para traduzir porque quero que os pacientes estejam bem informados." 

O hotel onde estão hospedadas as equipas do Grão-Ducado fica perto do hospital, que se situa próximo do centro da cidade. Isso permite-lhes que o trajeto seja feito a pé e, ainda que a cidade esteja praticamente fechada e "triste", a presença dos grupos do Luxemburgo não passa despercebida aos poucos eborenses que circulam fora do hospital. "As pessoas sabem quem nós somos", diz Filomena. "Ouvem-nos falar em alemão, viram-se e há pessoas que até nos cumprimentam na rua."

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O sol, as laranjeiras e uma primavera com cheiro a esperança
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Fotografia: Rodrigo Cabrita


Apesar do cinzentismo do confinamento, a chegada a Évora teve um sabor especial para quem saiu de um Luxemburgo coberto de neve, com os termómetros a marcarem -9ºC e encontrou, na cidade alentejana, máximas a rondar os 20ºC. "Para nós foi primavera e para nós é uma alegria depois do almoço tomar o café debaixo daquelas laranjeiras" ao sol, diz Filomena aludindo aos momentos de pausa no trabalho hospitalar. 

"Para nós não foi só primavera quando chegámos cá, foi também primavera a nível de sentimentos e valores humanos", resume a enfermeira Filomena.
"Para nós não foi só primavera quando chegámos cá, foi também primavera a nível de sentimentos e valores humanos", resume a enfermeira Filomena.
Fotografia: Rodrigo Cabrita

Das duas semanas que passou nesta estrutura, a primeira equipa leva a partilha de conhecimentos, práticas, "mas sobretudo a gentileza", diz a médica Modesta Dargeviciute. "O acolhimento e a felicidade das pessoas" quando as viram chegar foi algo que marcou a dupla. "Nunca tinha vivido uma coisa dessas, não estávamos minimamente à espera de sermos acolhidas assim e por tanta gente", refere a enfermeira Filomena, que destaca o "espírito de equipa e a solidariedade entre os seus elementos" como as mais-valias desta experiência. 

Uma solidariedade também sublinhada várias vezes pelo médico Samuel Luyasu que com a enfermeira Mónica Almeida Valente fica mais uma semana, até 7 de março. "Vi que há um grande sentido de solidariedade dentro do hospital e mesmo com o alargamento a novas estruturas. Agora é tempo da solidariedade se estabelecer entre países", aponta, defendendo que o que tem observado no Hospital do Espírito Santo de Évora é um exemplo do que o ser humano deve fazer perante uma crise e daquilo que acontece quando as pessoas colaboram entre si para um objetivo comum. "Há alguns dias vimos uns pequenos robôs a aterrar em Marte. Também é incrível. O ser humano é capaz de grandes feitos quando trabalha em conjunto, seja a mandar um robô para Marte, seja a abrir novas estruturas no Hospital de Évora para enfrentar a crise de covid-19." 

Das equipas estrangeiras que vieram ajudar Portugal, nesta fase de combate à covid-19, as do Luxemburgo foram as únicas que ficaram fora dos grandes centros urbanos do país - as equipas alemã e francesa reforçaram hospitais de Lisboa e da sua área metropolitana. Talvez por isso, como nota a enfermeira Filomena, tenham encontrado em Évora também uma proximidade diferente entre profissionais de saúde. "Aqui há um ambiente familiar que nós lá não temos assim tanto. Cá são como uma grande família, conhecem-se todos. Para nós não foi só primavera quando chegámos cá, foi também primavera a nível de sentimentos e valores humanos." 

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