8% da população já esteve em contacto com bactéria transmitida pela carraça

Chama-se Associação Luxemburguesa Borreliose de Lyme, foi criada no início de Junho deste ano, e tem por objectivos promover a investigação, o diagnóstico e tratamento da doença de Lyme. Uma doença causada por uma bactéria transmitida pela carraça. No Luxemburgo, 8% da população já esteve em contacto com a bactéria.

Sofia Araújo é a presidente da Associação Luxemburguesa Borreliose de Lyme. Apanhou a doença em 2009 e quer juntar mais pessoas e informações sobre a doença
Sofia Araújo é a presidente da Associação Luxemburguesa Borreliose de Lyme. Apanhou a doença em 2009 e quer juntar mais pessoas e informações sobre a doença
Foto: Guy Jallay

Sofia Araújo foi picada por uma carraça durante um acantonamento de escuteiros, em 2009, no Luxemburgo. Foi aí que apanhou a borreoliose de Lyme, também conhecida como doença de Lyme.

"Tive o problema em 2009 e fui dada como doente em 2010. Apanhei a doença num chalet de escuteiros. Não havia ervas altas, nem muitas folhagens, no entanto fui picada na mesma por uma carraça", conta Sofia Araújo, presidente da nova associação.

A doença de Lyme é uma doença causada por uma bactéria, geralmente transmitida pela picada de uma carraça infectada. Pode haver 800 sintomas diferentes, mas os mais comuns são o cansaço e as dores corporais.

"No início pode-se ou não ter logo alguns sintomas e depois, mais tarde, pode-se ou não ter a doença. Não é uma coisa automática logo quando se é mordido pela carraça. Até hoje há 800 sintomas, que variam de caso para caso. O cansaço e as dores no corpo são os sintomas mais comuns", diz Sofia Araújo.

No caso da Sofia os sintomas passam por problemas nas articulações, perda de consciência, perturbações auditivas e de visão. "Coisas que vão e vêm", desabafa, mas o cansaço permanece.

Quanto ao tratamento, diz que tem sido à base de antobióticos, óleos essencias e extractos de plantas. Mas por ter sido diagnosticada tardiamente, não sabe ainda se o tratamento que tem estado a fazer vai resultar.

"Aqui não há muita informação e nas primeiras vezes que tive sintomas mais graves foi-me dito que não precisava de fazer grande coisa e que aqui não havia essa doença. É um bocado chocante porque se eu nessa altura tivesse tratamento não estava na situação que estou hoje. Tenho de terminar ainda o tratamento de oito semanas que estou a fazer e não sei dizer se funciona ou não funciona", desabafa a lisboeta de 26 anos, residente no Luxemburgo desde os oito.

No Luxemburgo, de acordo com dados do Centro de Investigação Pública da Saúde (CRPS, na sigla em francês) e Laboratório Nacional de Saúde, 16% das carraças são infectadas com o agente da doença de Lyme, 38% dos trabalhadores florestais e 8% da população em geral já teve contacto com a bactéria. Contacto facilitado pela própria vegetação do país.

"As carraças adultas podem ser encontradas sobretudo nas ervas altas e as carraças mais pequenas nas folhas mortas no chão. Mas também podem chegar facilmente às pessoas através dos animais domésticos", explica Sofia Araújo.

Ainda quanto à transmissão da bactéria, ela pode também pode passar da mãe para o feto (quando a mãe está infectada). A carne mal passada de um animal selvagem que tenha essa doença pode também ser um factor de risco de transmissão.

Mas no momento da picada, Sofia deixa um conselho para minorar as consequências da transmissão da doença.

"Já ouvi muita gente dizer que quando a carraça ferrar deve-se pôr manteiga para ela sair melhor, queimar com cigarro ou matá-la, mas não. Quando ela está chupar o sangue não há mal nenhum. Só quando ela acaba é que deixa ficar um líquido que pode vir com essas bactérias que infectam. O melhor é tirá-la com precaução para não a traumatizar. Quanto menos líquido ela depositar em nós, menor é a percentagem de sermos infectados", aconselha a presidente da associação, que quer juntar mais pessoas e informações sobre a doença.

"A associação conta já com alguns médicos e outros membros, mas queremos ter o máximo de pessoas e criar também um site para partilhar a informação para conseguir um objectivo maior: ter a colaboração do Centro de Investigação Pública da Saúde para organizar uma jornada de informação sobre a doença no Luxemburgo. O CRPS e o Laboratório Nacional de Saúde estão a fazer um estudo sobre a doença e gostávamos de nos associar a eles", conclui Sofia Araújo.

Os interessados podem contactar a associação através da página Facebook da associação (ALBLyme).

Henrique de Burgo