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10 de junho. Ruas vão ter pinturas de ícones da cultura portuguesa e luxemburguesa
Luxemburgo 3 min. 06.06.2018

10 de junho. Ruas vão ter pinturas de ícones da cultura portuguesa e luxemburguesa

Pedro Amaral (à esquerda) e Ivo Bassanti são a dupla de artistas que formam os Borderlovers. O retrato de Sophia de Mello Breyner é o primeiro produzido para este projeto.

10 de junho. Ruas vão ter pinturas de ícones da cultura portuguesa e luxemburguesa

Pedro Amaral (à esquerda) e Ivo Bassanti são a dupla de artistas que formam os Borderlovers. O retrato de Sophia de Mello Breyner é o primeiro produzido para este projeto.
Foto: Chris Karaba
Luxemburgo 3 min. 06.06.2018

10 de junho. Ruas vão ter pinturas de ícones da cultura portuguesa e luxemburguesa

Paula TELO ALVES
Paula TELO ALVES
Se de repente vir Sérgio Godinho e Sophia de Mello Breyner pintados nas ruas do Luxemburgo, isso é Borderlovers – o nome da dupla de artistas portugueses convidados pelo Instituto Camões para retratar figuras emblemáticas da cultura portuguesa e luxemburguesa. A iniciativa assinala o 10 de junho, Dia de Portugal e das Comunidades Portuguesas.

Pedro Amaral e Ivo Bassanti chegaram na sexta-feira ao Luxemburgo e já puseram mãos à obra. Na residência de artistas luxemburgueses onde vão ficar durante duas semanas (cortesia da autarquia da cidade do Luxemburgo), acumulam-se tintas e pincéis e os primeiros retratos que os dois portugueses estão a preparar para o 10 de junho.

No chão forrado a plástico negro da garagem da residência, vê-se um enorme desenho da poetisa luxemburguesa Anise Koltz, que recebeu este ano o prémio Goncourt, o mais importante galardão literário em França. Quando estiver terminada, a pintura vai emparelhar com outra da poetisa portuguesa Sophia de Mello Breyner Andresen, uma das maiores figuras da literatura portuguesa do século XX. Ambas vão ser depois afixadas numa parede nas ruas da capital (ver programa completo). No total, vai haver quatro “duos” luso-luxemburgueses, distribuídos por quatro pontos da cidade, do centro ao Grund e a Clausen. Na música, o cantor Sérgio Godinho vai alinhar com Serge Tonnar, conhecido pela defesa dos direitos dos imigrantes e refugiados. Nas artes plásticas, os pintores Almada Negreiros e Joseph Kutter (1894-1941) vão estar lado a lado numa parede perto do Museu Nacional de História e Arte, no Marché aux Poissons. Os realizadores Pedro Costa e Pol Cruchten são os nomes escolhidos no cinema.

O projeto no Luxemburgo é semelhante a uma iniciativa que os Borderlovers apresentaram no ano passado, em Paris, em que associaram intelectuais portugueses e franceses, a convite do Instituto Camões em França. Enquanto em Paris puseram Amália Rodrigues ao lado de Édith Piaf e juntaram Fernando Pessoa a Marcel Proust, no Luxemburgo vão “casar” ícones nacionais com figuras da cultura luxemburguesa. O Instituto Camões no Luxemburgo vai mostrar também as imagens apresentadas em Paris.

O retrato da pintora Paula Rego faz parte de uma série anterior que os Borderlovers fizeram para uma exposição em Paris, chamada "Cartes de Visite".
O retrato da pintora Paula Rego faz parte de uma série anterior que os Borderlovers fizeram para uma exposição em Paris, chamada "Cartes de Visite".
Foto: Chris Karaba

Ivo Bassanti, de 39 anos, e Pedro Amaral, com 58, são a dupla de artistas que formam os Borderlovers – um nome inspirado na perturbação de personalidade ’borderline” –, e vê-se que se sentem em casa no ambiente descontraído da residência de artistas luxemburgueses. Esta é a primeira vez que vêm ao Luxemburgo, e além de um imaginário vago – “um sítio pequeno, muito verde e com muitos portugueses”, segundo Pedro Amaral –, não sabiam muito mais do país. “Fizemos as nossas pesquisas e percebemos que o país é realmente pequeno e periférico, e que houve artistas luxemburgueses que tiveram de desenvolver as suas vidas fora do Luxemburgo”, explica Pedro Amaral. “Aí já há um paralelo com Portugal”, acrescenta Ivo Bassanti, que há dois anos trocou Lisboa por um atelier em Lagery, uma aldeia perto de Reims, em França, e tem uma galeria de arte em Paris.

A completar o projeto, que se prolonga até dia 15 de junho, com inaugurações diárias (ver programa), a dupla vai afixar uma pintura alusiva à relação entre os portugueses e os luxemburgueses. “Há uma presença muito forte, que já vem de há muito tempo”, diz Pedro Amaral, que fez bem o trabalho de casa: conhece a história do santuário de Fátima em Wiltz e tem um fascínio pela história da “Gelle Frä”, o monumento desmantelado pelos nazis na Segunda Guerra Mundial.

O mural vai ter em conta as marcas dos portugueses no Grão-Ducado e a coabitação com os luxemburgueses. “Os portugueses, pelos menos alguns deles, se calhar têm uma relação de amor-ódio com o Luxemburgo, mas vai ser uma associação com sabor a festa”, antecipa Pedro Amaral.

Paula Telo Alves


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