Violência doméstica. Rapper Valete coloca arma na boca de mulher em novo vídeo
Radio Latina 1 4 min. 19.09.2019

Violência doméstica. Rapper Valete coloca arma na boca de mulher em novo vídeo

Violência doméstica. Rapper Valete coloca arma na boca de mulher em novo vídeo

Radio Latina 1 4 min. 19.09.2019

Violência doméstica. Rapper Valete coloca arma na boca de mulher em novo vídeo

"BFF" é o nome do tema que levou à discussão nas redes sociais.

Em setembro, o rapper Valete tornou pública uma música nova, BFF, em que um homem surpreende a mulher na cama com o melhor amigo, insulta-a e aponta-lhe uma caçadeira.  Acusa-a de viver à custa dele e enfia-lhe o cano da arma na boca, aponta-a também ao amigo. 

Quando está prestes a disparar, acorda em casa e a mulher diz-lhe "estás todo suado. Vai tomar um banho". Ele vai e o tal amigo sai do armário e foge da casa. 

A letra segue a narrativa ao detalhe: "revolta macabra, ele quer ver a cabra morta (...). O esforço que fiz para teres a vida acautelada / Trabalho como um escravo para que não te falte nada (...) Forreta era o que ouvia das tuas bocas / quando fui eu que comprei as tuas joias, as tuas roupas / Puta, cona alargada (...) / Agora vais sentir a sequela / Com a caçadeira enfiada na tua goela / a bala a perfurar a tua traqueia / e o corpo como plateia enquanto a morte fraseia."  

Os vídeos 360 não têm suporte aqui. Ver o vídeo na aplicação Youtube.


O próprio rapper anunciou o lançamento nas redes sociais logo dividiu opiniões. Enquanto que o Dino d'Santiago elogiou o tema dizendo que estava "em modo repeat, pela madrugada", Sónia Tavares, dos The Gift, ficou menos convencida. 

“És um tipo tão inteligente, escreves tão bem, fazes tão boa música, mas este vídeo não dá. As crianças também gostam de ti e não vão perceber que este vídeo pode ser um abre-olhos”, escreveu a cantora. Valete fez questão de responder e pedir-lhe para ter "cuidado com a condescendência, Sónia. Não confundas luta feminista com PIDE. Onde é que está decretado que não se pode fazer ficção com violência? Como fiz em toda a minha vida contei uma boa história, consegui levar para um registo cinematográfico e chegámos a este resultado. É uma boa história e bom cinema. Dissertações sobre homicídio passional, violência doméstica cabem-te a ti. A Sónia e a sua gang da PIDE decretaram agora que não se pode fazer filmes com violência e que não se pode fazer arte sem mensagem. Já agora manda também mensagens ao Scorcese [realizador americano, autor de Taxi Driver, Goddfellas e Casino] quando ele põe maridos traídos a matar esposas nos filmes dele. Esta mensagem é surreal vinda de uma artista como tu”.

A conversa continuou, com Sónia a responder. "Não, querido Valete, era só uma opinião, eu não decreto nada. O meu sobrinho adora-te, tem 11 anos e não percebeu nada. Era só isso. (...) Acima de tudo o meu comentário elogia o teu trabalho. É só o meu ponto de vista. (...) Eu luto contra todo o tipo de Pides, e não o contrário."

O rapper não deixou o assunto por aí. "É uma curta-metragem igual a muitos filmes que ele vê todos os dias. Entendes que sou artista e tenho de me expressar da maneira que me apetece expressar. Ainda bem que o teu sobrinho gosta, mas eu não faço música infantil, nunca fiz. Bem pelo contrário. Como te disse é só a obra de um contador de histórias a querer contar uma boa história. Associar aquela obra a violência doméstica ou humilhação da mulher é super rebuscado."

Por fim, a cantora dos The Gift disse que "sei que não fazes música para crianças, eu também não, mas invariavelmente elas chegam até nós. (...) Crianças à parte, digo-te do coração e só te escrevo porque trabalho diretamente com mulheres vítimas de violência. Parece que vi a cara de todas no teu vídeo e gostava tanto que alguém pudesse contar a história ao contrário. Do ponto de vista delas. E como amante de arte, sem qualquer tipo de preconceito, queria que soubesses que a tua voz ativa chega efetivamente às pessoas."  

Num texto do Diário de Notícias, Valete nega que a música e vídeo tenha uma mensagem. "Que mensagem? O que viste ali é um cineasta e um novelista a contar uma história - não há mensagem. Quando faço uma obra há sempre um grupo que não entende. Acho que é um grupo minoritário e geralmente de pessoas preconceituosas em relação ao rap. O preconceito vem dessa coisa de as pessoas quererem perceber o objetivo. A minha arte não é unidimensional, nunca foi. Tenho um fascínio incrível pelo comportamento humano, a psicologia humana. Criei uma personagem machista de propósito."

Julgamentos a favor ou contra, o vídeo tem quase 700 mil visualizações no YouTube. 



Notícias relacionadas