Príncipe André abandona a vida pública e as funções reais
Radio Latina 5 min. 21.11.2019

Príncipe André abandona a vida pública e as funções reais

Príncipe André abandona a vida pública e as funções reais

Radio Latina 5 min. 21.11.2019

Príncipe André abandona a vida pública e as funções reais

O duque de York não vai mais desempenhar as suas obrigações como filho da rainha. Esta é a maior crise real da últimas duas décadas.

O príncipe André voltou a pronunciar-se sobre o escândalo sexual em que se vê envolvido. Desta vez, não para dar outra entrevista, mas para anunciar a sua retirada das funções públicas que lhe competem como terceiro filho da rainha Elizabeth II e o oitavo na linha de sucessão ao trono. 

A entrevista ao programa NewsNight da BBC, que tem sido apelidada de "car crash" (acidente de carro), foi sido muito mal recebida pela opinião pública, uma vez que o duque de York não conseguiu esclarecer a ligação com o caso de abuso de menores relacionado com o milionário Jeffrey Epstein, encontrado morto em Agosto passado na prisão de Nova Iorque. 

Quatro dias depois da emissão da entrevista, chega agora a demissão do duque de York, 59 anos, das suas "obrigações reais". Numa declaração publicada na passada quarta-feira, 20, o príncipe admitiu que laços com Epstein têm causado "uma grande perturbação" na família real britânica. 

O jornal espanhol El Mundo adianta que fontes do palácio garantem que a decisão partiu diretamente da rainha Isabel II, que consultou o príncipe Charles por telefone, uma vez que este está em viagem oficial à Nova Zelândia. André  sempre foi considerado o filho "favorito" da monarca.

No comunicado pode ler-se: "Tornou-se claro para mim nos últimos dias que as circunstâncias em torno da minha ligação anterior com Jeffrey Epstein causaram uma grande perturbação no trabalho da minha família e no valioso trabalho que eles fazem em muitas organizações e instituições de caridade, as quais tenho orgulho de apoiar. Portanto, consultei Sua Majestade se poderia afastar-me dos deveres públicos no futuro, e foi-me dada autorização". 

 O filho da rainha Isabel II acrescenta ainda: "Continuo a lamentar profundamente a minha associação equivocada com Jeffrey Epstein. O seu suicídio deixou muitas perguntas sem resposta, particularmente para as suas vítimas, e eu simpatizo profundamente com todos aqueles que foram afetados e precisam encerrar esta questão de alguma forma. Só posso esperar que, com o tempo, eles possam reconstruir as suas vidas."

Esta foi a primeira vez que o príncipe demonstrou publicamente solidariedade com as vítimas de Epstein. Na entrevista no passado sábado, dia 16, tinha admitido que não se arrependia da amizade com o milionário já que lhe trouxe "alguns resultados muito benéficos", num momento em que André tinha deixado uma carreira na Marinha e começou a trabalhar como representante especial da indústria e comércio. "As pessoas que conheci e as oportunidades que me foram dadas para aprender, por ele ou por causa dele, foram realmente muito úteis". 

Jeffrey Epstein foi condenado, em 2008, a 18 meses de prisão por prostituir uma menor. Em julho de 2019, o milionário voltou a ser detido por suspeitas de tráfico sexual e abuso de menores. 

Nome 'sujo' no mercado empresarial

AFP

Em apenas quatro dias, cinco empresas já anunciaram que se desvincularam dos negócios que mantinham com o duque de York e o seu projeto de empreendedorismo, o Pitch@Palace.  

Este projeto foi fundado pelo príncipe, em 2014, e envolve empresários que competem pela oportunidade de apresentar as suas ideias de negócio a empresários influentes. Opera em 64 países e afirma ter criado mais de 6.300 postos de trabalho. 

A consultora KPMG foi das primeiras a afirmar publicamente que não renovaria o seu patrocínio à iniciativa de André. A empresa contribuía com 115 mil euros por ano. 

Seguiram-se nomes como a Aon, Standard Chartered ou Gravity Road. A  Advertising Week Europe já anunciou também que não vai convidar André ou alguém da sua equipa para o seu evento de quatro dias em Londres, que é também um dos mais importantes do sector publicitário e que acontece em março. 

Resumo do escândalo

A conversa com a BBC tinha como objetivo 'limpar' a reputação do duque de York e esclarecer as acusações que recaem sobre si, nomeadamente, sobre os encontros sexuais com  Virginia Roberts-Guiffre. A mulher acusa o príncipe de 59 anos de abuso sexual quando esta tinha apenas 17 anos. Virginia assegurou que foi forçada "em repetidas ocasiões" a ter relações sexuais com o duque de York, entre 1999 e 2002. 

Quando confrontado com a situação, o duque de York negou tê-la conhecido. Apesar do testemunho de Virgínia e uma fotografia em que o príncipe surge com o braço à volta da cintura da jovem, André afirmou que os encontros nunca aconteceram.  

Duas fotografias de 2010, reveladas pela imprensa, colocam em questão a veracidade das palavras do duque de York. Numa delas, André surge na casa de Epstein, em Nova Iorque, a despedir-se de uma jovem quando esta sai de casa. 

"[Ter ficado em casa dele] incomoda-me todos os dias porque não é algo próprio de um membro da família real e nós tentamos manter os mais altos padrões e práticas e eu envergonhei-os, tão simples quanto isso", disse na entrevista à BBC. 

A estadia ocorreu já depois de uma primeira condenação de Epstein, em 2008, por prostituição de menores. "Era um lugar conveniente para ficar. Pensei muito e concluí, com a retrospetiva que se pode fazer, que foi definitivamente uma decisão errada. Mas, na altura, achei que era uma atitude certa e honrosa", reforçou. As palavras do duque do York não convenceram a opinião pública e o resultado está à vista. 

Há mais de uma década, Epstein foi acusado de montar uma rede de tráfico de dezenas de jovens menores na sua mansão de Nova Iorque, e noutra situada na Florida. 

Ana Patrícia Cardoso 



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