Plácido Domingo é acusado de assédio sexual por várias mulheres
Radio Latina 3 min. 13.08.2019

Plácido Domingo é acusado de assédio sexual por várias mulheres

Plácido Domingo é acusado de assédio sexual por várias mulheres

Foto: Plácido Domingo
Radio Latina 3 min. 13.08.2019

Plácido Domingo é acusado de assédio sexual por várias mulheres

Os casos remontam aos anos 1980 e, no meio, já era conhecida a tendência do cantor de ópera em assediar colegas.

Aos 78 anos, Plácido Domingo continua a atrair multidões em todo o mundo e conta já com mais de 4.000 apresentações, número superior a qualquer cantor de ópera da história. É também o diretor da Ópera de Los Angeles.

Com uma carreira de sucesso mundial, surgem agora acusações de que Plácido terá assediado várias colegas de trabalho ao longo da sua carreira. O cantor diz que histórias são "imprecisas", mas admite que as "regras" mudaram.

Uma investigação da Associated Press (AP) falou com oito cantoras e uma bailarina que contaram as suas experiências de assédio e como o cantor punia profissionalmente aquelas que se recusavam aos avanços. As mulheres não quiseram ser identificadas, apenas Patricia Wulf, uma mezzo-soprano que cantou com Domingo na Ópera de Washington, permitiu que o seu nome fosse usado. 

Patricia Wulf
Patricia Wulf
Foto: DR

Ao que parece, o comportamento de Domingo é um segredo bem conhecido no mundo da ópera. As mulheres contaram à AP que normalmente as tentativas de assédio aconteciam em trabalho. Três delas disseram que ele tentou beijá-las à força várias vezes, nos camarins, hotéis das digressões ou em reuniões de trabalho. 

"Há uma tradição de alertar as mulheres contra Plácido Domingo. Evite a interação a todo custo. E definitivamente não fique sozinha com ele", disse uma mezzo-soprano que trabalhou na Ópera de Los Angeles.    

Além das nove acusadoras, a AP também conversou com quase três dezenas de outros cantores, dançarinos, músicos de orquestra, membros do pessoal dos bastidores, professores de voz e um administrador que disseram que testemunharam o comportamento sexual inadequado de Domingo e que ele perseguiu mulheres mais jovens reiteradamente. 

Domingo não respondeu sobre incidentes específicos, mas emitiu um comunicado a dizer que "as alegações destes indivíduos anónimos que datam de há trinta anos são profundamente preocupantes e, conforme apresentado, imprecisas. Ainda assim, é doloroso ouvir que posso ter aborrecido alguém ou feito com que se sentisse desconfortável - não importa há quanto tempo e apesar das minhas melhores intenções. Eu acreditava que todas as minhas interações e relacionamentos eram sempre bem-vindas e consensuais. As pessoas que me conhecem ou que trabalharam comigo sabem que não sou alguém que intencionalmente possa prejudicar, ofender ou envergonhar alguém."

Acrescenta ainda que "no entanto, reconheço que as regras e padrões pelos quais somos - e devemos ser - avaliados em relação ao presente são muito diferentes do que eram no passado. Sou abençoado e privilegiado por ter tido uma carreira de mais de 50 anos na ópera."

Sete testemunhos afirmam que sentem que as carreiras foram prejudicadas após rejeitarem os avanços de Domingo. Por exemplo, não tiveram os papéis que lhes foram prometidos ou nunca mais foram contratados para trabalhar com o cantor.

Todos os relatos têm o mesmo padrão de comportamento, que incluía o contacto persistente de Domingo - muitas vezes chamando-as repetidamente em casa à noite - mostrando interesse nos seus percursos profissionais ou convidando-as para tomar uma bebida ou sair para jantar. 

Duas das mulheres disseram que cederam aos avanços de Domingo, sentindo que não poderiam arriscar comprometer as carreiras ao dizer não ao homem mais poderoso em sua profissão. Uma das acusadores disse que fez sexo com ele duas vezes. Quando Domingo partiu para uma apresentação, a mulher disse que ele  lhe deixou 10 dólares (8 euros) na mesa e disse: "não quero que te sintas como uma prostituta, mas também não quero que tenhas de pagar para estacionar". 

As vítimas admitiram à AP que se sentiram encorajadas pelo movimento #MeToo e decidiram que a maneira mais eficaz de atacar a má conduta sexual na indústria era chamar a atenção para o comportamento da figura mais proeminente da ópera. 


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