Os 15 tratamentos mais bizarros do mundo

Os 15 tratamentos mais bizarros do mundo

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Radio Latina 7 min. 29.11.2018

Os 15 tratamentos mais bizarros do mundo

A história da medicina está repleta de episódios com estranhos tónicos, remédios alternativos e curas rocambolescas.

Eis os 15 tratamentos mais insólitos e bizarros de todos os tempos, catalogados no livro "Why You Should Store Your Farts in a Jar" (Porque Deve Guardar os Seus "Traques" num Frasco) de David Haviland e trazidos à Web pela estação norte-americana CBS.


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1. Ratos mortos para aliviar a dor de dentes

Os antigos egípcios faziam-no, com a esperança de que isso aliviasse a dor de dentes. Em alguns casos, o rato amassado foi misturado com outros ingredientes e o emplastro resultante era aplicado no ponto doloroso.
Mas os egípcios não eram os únicos grandes em curas de rato. Na Inglaterra, no reinado de Isabel I, um remédio para verrugas consistia em cortar um rato ao meio e aplicá-lo no ponto a tratar. De igual forma, eram usados ​​para tratar tosse convulsa, sarampo, varíola e a incontinência nocturna. Importa recordar que, na época, os ratos faziam parte da dieta dos ingleses - fritos ou em tortas.  


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2. Identificar doenças com fígados de ovelhas

Sem exames de sangue ou radiologia, como será que os antigos curandeiros diagnosticavam as doenças? Na Mesopotâmia (atual Iraque), os praticantes traçavam diagnósticos não examinando o paciente, mas observando os fígados de ovelhas sacrificadas. Na época, acreditava-se que o fígado era a fonte do sangue humano e, como tal, a fonte da própria vida. Modelos de argila, de fígados de ovelhas, datam de 2050 A.C.


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3. Cortar a língua para "tratar" a gaguez

Qual o melhor tratamento para a gaguez? Cortar a língua.
Os médicos dos séculos XVIII e XIX geralmente cortavam metade da língua do paciente gago. O tratamento não funcionava e, para além da dor, alguns pacientes sangraram até a morte.  A hemiglossectomia ainda é usada hoje, mas como tratamento para o cancro da língua, sob anestesia geral. 


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4. Contracetivos à base de fezes de crocodilo

No antigo Egito, o contraceptivo de eleição eram as fezes de crocodilo. Os excrementos secos eram inseridos na vagina e à medida que iam amolecendo, com a temperatura corporal, formariam uma barreira impenetrável. Outros contracetivos "apetecíveis" incluíam seiva de árvores, metades de limão, algodão, lã, esponjas do mar e esterco de elefante.


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5. Clisteres com café ou mel para a prisão de ventre

Acredita-se que os clisteres - laxantes administrados por via retal - tenham sido usados ​​desde os tempos antigos. Eles estavam particularmente na moda entre os séculos 17 e 19. Pessoas ricas usavam-nos para tratar a obstipação, bem como uma variedade de outras patologias, para as quais se revelaram inúteis.
Um clister típico pode conter água morna misturada com sal, bicarbonato de sódio ou sabão. Alguns médicos adicionaram café, farelo, ervas, mel ou camomila à mistura. Na alta sociedade, os clisteres tornaram-se muito populares, principalmente junto dos hipocondríacos aristocráticos, a fazerem várias lavagens intestinais por dia.
Consta-se que durante seu reinado, Luís XIV da França fez mais de 2.000 clisteres.


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6. O pó mágico à base de minhocas, vísceras e cadáveres 

A medicina do século XVII pode parecer, aos nossos olhos, desconcertante. Mas talvez nada seja mais bizarro do que o "Powder of Sympathy" (Pó da Simpatia) de Sir Kenelm Digby. Este pó foi concebido como um tratamento para uma lesão muito específica: feridas de pinças. Era feito de minhocas, cérebros de porcos, óxido de ferro (ferrugem) e pedaços de cadáveres mumificados, triturados até resultarem num pó. Não bastante fosse a bizarria, o pó seria aplicado não na ferida em si, mas na no objeto causador do ferimento!
Digby pensava que a estranha mistura, de alguma forma, encorajaria a ferida a curar através de um processo mágico chamado "simpatia".  


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7. Arsénico como medicamento

O arsénico é um veneno mundialmente conhecido, mas durante séculos foi usado como medicamento. Na medicina tradicional chinesa, o arsénico é conhecido como Pi Shuang. O arsénico era um ingrediente-chave em muitos medicamentos patenteados, incluindo a "Fowler's Solution", uma suposta cura para malária e sífilis em uso entre o final do século XVIII e 1950.
Outro medicamento patenteado contendo arsénico, o "Donovan's Solution", foi usado para tratar artrite e diabetes. As mulheres vitorianas também usavam o arsénico como cosmético.  


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8. Pão com bolor como desinfetante

O pão com bolor tem sido usado para desinfetar cortes desde o antigo Egito. Surpreendido? Como Louis Pasteur descobriu, certos fungos são conhecidos por bloquear o crescimento de bactérias causadoras de doenças. Fará sentido, para tal, pensar na penicilina.


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9. A "banha da cobra" para as dores articulares

A gordura de cobra nem sempre foi (apenas) um eufemismo para tratamentos médicos charlatanescos. Durante séculos, a gordura da serpente de água chinesa foi um tratamento real usado na medicina tradicional chinesa para aliviar a dor nas articulações. Na verdade, ainda hoje é utilizada. A gordura de cobra parece ter sido trazida para a América pelos trabalhadores chineses em funções na Estrada de Ferro Transcontinental. Tendo tratado-se de um projeto árduo, acredita-se que os trabalhadores tenham esfregado a gordura nas suas articulações doridas.
Sabemos hoje que as cobras são uma fonte rica de ácido eicosapentaenóico (EPA), um ácido rico em ómega-3 que possui propriedades anti-inflamatórias. 


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10. Análise de urina com degustação

Na Europa Medieval, os médicos geralmente diagnosticavam seus pacientes com base na uroscopia. Parece científico, mas na verdade nada mais é do que observar a urina do paciente. Alguns pacientes entregavam uma amostra pessoalmente, enquanto outros simplesmente enviaram uma amostra ao médico que observava o cheiro, a consistência... e o gosto da urina!


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11. Vinho com folhas de coca para o stress

Em 1863, o químico italiano Angelo Mariani criou um tónico de cura contendo vinho tinto tratado com folhas de coca. "Vin Mariani",  nome pelo qual a bebida era conhecida, foi um sucesso. O que (de resto) não surpreende, pois as folhas de coca contêm cocaína.
Os anúncios à bebida alegavam que esta fora recomendada por 8.000 médicos e era ideal para "homens com excesso de trabalho, mulheres delicadas e crianças doentes". Foi apreciado por Thomas Edison, a Rainha Victoria, o Czar da Rússia, o Papa São Pio X, e o Papa Leão XIII, que até apareceu em um anúncio  e lhe concedeu uma medalha de ouro.
O produto foi um sucesso de vendas nos Estados Unidos e inspirou John S. Pemberton a criar um produto similar: a Coca-Cola. 


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12. Injecções de vitaminas e metanfetamina para aumentar o estado de vigília

Adolf Hitler era hipocondríaco. A tal ponto, que  o seu médico injectou vitaminas nas suas nádegas - por vezes misturadas com metanfetamina. Existem relatos de que as injeções ajudaram a manter Hitler "fresco, alerta, ativo e imediatamente pronto para o dia e tendendo a ficar acordado por longas horas durante a noite". Albert Speer considerava o vício da metanfetamina do Fürher seria uma das razões para suas táticas rígidas nos últimos combates da Segunda Guerra Mundial, quando se recusava a permitir que as tropas recuassem (mesmo sob as mais terríveis circunstâncias). 


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13. Injecções de parafina para eliminar rugas e aumentar as mamas

Hoje, os médicos usam Botox e colágeno para rejuvenescer rostos. No século 19, alguns médicos administraram injecções de parafina para suavizar as rugas. A parafina também foi injectada nas mamas das mulheres, numa tentativa inicial de aumento mamário. Porém a prática caiu em desgraça, pela formação de caroços duros e dolorosos, conhecidos como parafinomas. 


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14. Testículos de bode para curar a impotência e a infertilidade

No início de 1900, John Brinkley tornou-se um dos médicos mais ricos da América, apesar de não ter qualificações para tal. Ele alegou que poderia curar a impotência, a infertilidade e outros problemas sexuais implantando - cirurgicamente - testículos de bode no escroto humano. A cirurgia não tinha mérito científico e era extremamente perigosa. Muitos pacientes morreram. 


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15. Inalar flatulências para curar a peste

Na Idade Média, alguns médicos acreditavam "combater o fogo com fogo". Assim, quando confrontados pela peste negra (que se pensava ser causada por vapores mortais), estavam convencidos de que a chave para combater a doença passaria por usar um pouco de "mau odor terapêutico". Alguns convenceram as pessoas a manterem cabras em casa. Outros recomendaram a inalação de flatulências armazenadas em frascos.
Cada vez que a pestilência mortal aparecia na vizinhança, as pessoas deviam abrir os jarros e inspirar o mau odor.
Entre 1348 e 1350, a peste negra matou 30 a 60 por cento da população da Europa. Os frascos fedorentos não ajudaram.