Músicos portugueses apelam à população para ficar em quarentena
Radio Latina 15.03.2020

Músicos portugueses apelam à população para ficar em quarentena

Músicos portugueses apelam à população para ficar em quarentena

Foto: Instagram Oficial Rui Veloso
Radio Latina 15.03.2020

Músicos portugueses apelam à população para ficar em quarentena

Vários artistas, como Rui Veloso ou Marisa Liz, gravaram vídeos a apelar à população para se manter em casa.

Rui Veloso, Marisa Liz, Carlão ou Jimmy P são alguns músicos portugueses que decidiram vir a público, através de um vídeo partilhado na página do músico e compositor Benjamim, apelar aos portugueses para se manterem em casa e em isolamento social, devido ao novo coronavírus.

Apesar de a medida ter sido decretada no final desta semana, e de já haver recomendações das autoridades de saúde nesse sentido, há vários dias, para diferentes situações sociais, muitos não as têm acatado, enchendo praias, esplanadas, bares e restaurantes.

Por isso, vários artistas gravaram apelos para sensibilizar a população para a importância de se manter em casa, apesar do sol e das temperaturas de primavera que se fazem sentir no país.

Veja, abaixo, os testemunhos:

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Fiquem em casa.

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Também a cantora Isaura, que neste momento luta contra um cancro da mama, deixou um apelo pessoal e desesperado às pessoas que não têm cumprido as recomendações das autoridades de saúde, dando como comparação as dificuldades acrescidas que alguém que está numa situação como a sua sente nesta altura.

 "Estamos a viver um momento difícil e é difícil para todos e cada um lida com as coisas à sua maneira; mas não podia deixar de vos vir lembrar que pacientes oncológicos (com o sistema imunitário altamente comprometido), pessoas com doenças cardiovasculares e pessoas com doenças do foro respiratório - para além de todos aqueles que estão numa faixa etária avançada e ou que possam ter outras complicações que não referi - devem ter vomitado um bocadinho quando viram as fotografias do Cais Sodré de ontem à noite", criticou num longo post que partilhou na sua página de Instagram. 

"Não custa assim tanto ser cívico e um bocadinho fraternal; e se mesmo assim isso for demasiado sejam só egoístas e protejam-se a vocês mesmos porque infelizmente não há garantias absolutas de como o vosso organismo vai reagir a este coronavírus", lembrou na mesma mensagem.

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Não vos consigo explicar o que sente quando se está a lutar pela vida com unhas e dentes e se vê determinados comportamentos com os quais temos de coexistir em impotência. Senti-me inundada por perguntas a primeira vez que saí de uma sessão de quimioterapia e fui bafejada em tabaco alheio precisamente à porta; senti-me zangada por tentar caminhar na cidade universitária cheia de efeitos secundários e a recuperar de um hemopneurotorax uns dias antes (afinal o meu cartoon sobre o implantofix e deixarem-me cair era uma premonição ao estilo Simpsons) e não conseguir sentir oxigénio no ar, só uma coisa turva e densa que vem da segunda circular; senti-me incrédula já várias vezes na estrada com condutores que claramente se estão a borrifar para a possibilidade de mandarem com a cara num muro impenetrável. Estamos a viver um momento difícil e é difícil para todos e cada um lida com as coisas à sua maneira; mas não podia deixar de vos vir lembrar que pacientes oncológicos (com o sistema imunitário altamente comprometido), pessoas com doenças cardiovasculares e pessoas com doenças do foro respiratório - para além de todos aqueles que estão numa faixa etária avançada e ou que possam ter outras complicações que não referi - devem ter vomitado um bocadinho quando viram as fotografias do Cais Sodré de ontem à noite. Não custa assim tanto ser cívico e um bocadinho fraternal; e se mesmo assim isso for demasiado sejam só egoístas e protejam-se a vocês mesmos porque infelizmente não há garantias absolutas de como o vosso organismo vai reagir a este coronavirus. (Nota: usei esta fotografia de um cabelo lindo de morrer, pelada, lindo de morrer, pelada e pelada na esperança de que mais pessoas parassem para ler. Porque o mais importante não é o meu cabelo ou falta dele de momento - caso este post seja replicado algures por aí - o importante é estar toda a gente em casa. Não é assim tão difícil)

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