Morreu o músico Pedro Barroso
Radio Latina 3 min. 17.03.2020

Morreu o músico Pedro Barroso

Morreu o músico Pedro Barroso

Foto: Facebook Oficial de Pedro Barroso
Radio Latina 3 min. 17.03.2020

Morreu o músico Pedro Barroso

Considerado o último trovador português, morreu em Lisboa esta segunda-feira, vítima de doença prolongada.

O músico Pedro Barroso morreu esta segunda-feira, aos 69 anos. A notícia foi avançada pelo filho Nuno Barroso (ex-vocalista da banda Além Mar), na sua página do Facebook.

O músico, cantor e compositor - um dos últimos trovadores da música portuguesa e da geração de Abril - morreu vítima de doença prolongada e encontrava-se internado no Hospital da Luz, em Lisboa, desde 7 de março, com um quadro clínico grave.

Conhecido por êxitos como 'Menina dos Olhos D' Água', Pedro Barroso celebrou em dezembro de 2019, os 50 anos de carreira e deixou, segundo a editora Ovação, um disco gravado, intitulado 'Novembro' e a editar "em breve" e que inclui um dueto com Patxi Andión falecido em dezembro passado.

Nascido a 28 de novembro de 1950, em Lisboa, a artista cresceu em Riachos, concelho de Torres Novas.

Estudou música na Fundação Musical Amigos das Crianças, para onde entrou em 1959, prosseguiu-os como autodidata, e retomou-os na década de 1980, com a pianista Naria Luísa Bruto da Costa.

Em 1964, através da escritora Odette de Saint-Maurice, fez teatro radiofónico na ex-Emissora Nacional, altura em que influenciado por cantores franceses como Barbara, Gilbert Bécaud, Charles Aznavour, Edith Piaf, George Brassens e Leo Ferré, começou a compor e a cantar.

Cinco anos mais tarde, em 1969, estreou-se no popular programa televisivo "Zip Zip", acompanhado por Pedro Caldeira Cabral (guitarra portuguesa) e Pedro Alvim (viola).

O primeiro disco, o EP "Trova-dor", saiu em 1970, ano em que passou a colaborar com o Teatro Experimental de Cascais, enquanto músico e ator. Além dessa colaboração, mantida até 1974, acumulou a direção do Órfeão Académico de Lisboa.

Opositor à ditadura do Estado Novo, com as suas composições a incluírem-se no conjunto das canções de intervenção, após o 25 de Abril de 1974 participou ativamente nas Campanhas de Dinamização Cultural do Movimento das Forças Armadas (MFA), pelo país.

Licenciado pelo Instituto Nacional da Condição Física, em 1973, estudou também Psicoterapia Comportamental. Lecionou a disciplina de Educação Física, no ensino secundário, durante mais de 20 anos. Entre 1986 e 1990, orientou ateliers de psicoterapia comportamental, no Hospital Júlio de Matos, em Lisboa.

A música foi-se mantendo sempre presente, não só nos discos que foi lançando até ao final da sua vida, mas noutras iniciativas relacionadas em que se envolveu.

Entre 1979 e 1981 fez o programa "Musicartes-Etnomusicologia e Património Cultural", na RDP-Antena 2, e 1982, foi autor e apresentador, na RTP1, do programa "Musicarte", ao qual se seguiu, em 1988, no mesmo canal, "Tempo de Ensaio".

Na segunda metade da década de 1980, as suas melodias tiveram menos divulgação na rádio, embora em 1987 a canção "Menina dos Olhos d’Água", do álbum "Roupas de Pátria Roupas de Mulher", tivesse sido eleita a melhor do ano. Em 1988 editou "Pedro Barroso" e continuaria a lançar trabalhos nas décadas seguintes.

Foi membro da direcção do Sindicato dos Músicos e autor, em 2002, do polémico Manifesto sobre o estado da Música Portuguesa que teve audições junto de todos os grupos parlamentares na Assembleia da República e do então Presidente da República, Jorge Sampaio. 

Integrou também os corpos gerentes da Sociedade Portuguesa de Autores, na direcção presidida por Manuel Freire.

Apesar de a música sempre o ter acompanhado tinha também paixão por outras artes, como a pintura e artes plásticas, a escrita, nomeadamente a poesia e a ficção.

No resumo da obra, definiu-se como “homem de música e palavras”, após o concerto de despedida, a 21 de dezembro  no Teatro Virgínia, em Torres Novas, no Ribatejo. Em casa. 

"Cesso atividade como músico, não me retirando obviamente, nem como homem das ideias, nem das artes, nem das palavras. E da diferença. Não abandono a intervenção crítica, nem a cidadania”, escreveu na véspera da sua despedida dos palcos.



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