Mães denunciam situações de bullying e inércia das escolas
Radio Latina 3 min. 12.10.2022
Luxemburgo

Mães denunciam situações de bullying e inércia das escolas

Luxemburgo

Mães denunciam situações de bullying e inércia das escolas

Foto: Gerry Huberty
Radio Latina 3 min. 12.10.2022
Luxemburgo

Mães denunciam situações de bullying e inércia das escolas

Roupas e cabelos cortados à tesoura, murros nos olhos, consultas em psicólogos e neurologistas e traumas que duram anos. Casos de bullying relatados por várias mães no Luxemburgo.

Após a divulgação de um caso de bullying numa escola de Wilwerwiltz, vários pais, sobretudo mulheres, reagiram nas redes sociais denunciando situações semelhantes e inércia por parte das escolas.

As reações seguiram-se à divulgação do caso de um menino de 10 anos que tem sido vítima de agressões na escola e no autocarro que faz o transporte escolar, contado à Rádio Latina pela mãe da criança. Após várias queixas na escola, a família foi à comuna e à empresa dos autocarros, acabando na esquadra da polícia. Sentem que as autoridades nada fizeram para parar a situação, que já voltou a repetir-se desde o início do novo ano letivo.

Um dos comentários na página da Rádio Latina no Facebook foi deixado por Sandra Sequeira, que escreve o seguinte: “os professores aqui, descartam tudo, fecham os olhos às agressões, aos agressores… e muitas vezes só veem a criança/adolescente/jovem a defender-se e ainda o acusam de ser o provocador, quando na realidade estava apenas a defender-se dos agressores”. Esta mãe conta também que o seu filho já passou por várias situações de bullying e que chegou a assistir a uma situação em que o professor ignorou por completo o que tinha acontecido. Diz também que recentemente o seu filho foi agredido com um murro nos olhos por ter defendido uma colega da turma.

Elisabete Delgado também é mãe e conta que a filha de seis anos foi vítima de bullying na escola. “Fiz de tudo para que parassem com a situação, mas os professores nada fizeram”, escreve acrescentando que a menina “ficou muito mal, perdeu a autoestima, a capacidade para estudar e a confiança”. A situação fez com que a criança andasse em vários médicos, incluindo neurologista, psicólogo e terapeuta da fala. Quatro anos depois, continua a ser acompanhada por um centro de inclusão. “Penso que seja tarde pois ela já perdeu muito do ensino e da sua infância”, conclui a internauta.

No caso de Catarina Araújo, o bullying contra a filha chegou ao ponto de lhe cortarem o cabelo e as roupas. Esta mãe denuncia a falta de apoio na escola. Diz que quando se dirigiu ao estabelecimento de ensino foi-lhe dito para procurar ajuda mental já que se tratava apenas de “brincadeiras de crianças”. Catarina Araújo relata também que a menina chegou a ter febre durante a noite devido ao stress de ter de ir para a escola. Conta ainda que acabou por conseguir que a professora em questão deixasse de dar aulas.

Cláudia Paiva fala em “assistência zero”. A filha foi vítima “durante anos e nunca ninguém fez nada”, apesar dos pedidos de ajuda. Hoje tem 16 anos e recusa-se a ir à escola devido ao trauma e ao medo. Cláudia lamenta que “um país tão protetor das crianças não se preocupe minimamente com um assunto tão grave”.

Há dois anos que o filho de Tânia Suarez sentiu o bullying na pele. “Ainda hoje precisa de ajuda. Era um menino doce e está revoltado e triste”, escreve.

Tilu Carvalho Cardoso escreve o seguinte: “Já passei por estas situação em Wiltz onde certos habitantes acham que mandam, que tudo podem, os filhos fazem o que querem e ninguém faz nada. Eu defendo os meus filhos se for preciso e da forma que for. Não tenho medo como muitos têm. Por tanta descriminação e violência é que esta juventude está assim. Tudo começa na primária”.

Cláudia Garcia Nunes testemunha na primeira pessoa. Foi vítima de bullying quando era criança. Teve de ser tratada na enfermaria depois de ter sido agredida. Depois de contar o que se tinha passado à psicóloga da escola, diz que, juntamente com os restantes colegas de turma, foi castigada pela diretora de turma.

A Rádio Latina pediu entretanto mais informações ao Ministério da Educação sobre a estratégia nacional de luta contra o bullying. Numa entrevista recente à Rádio Latina, a psicóloga e presidente da associação Amazing Kids, Catherine Verdier, denunciou também que o “Luxemburgo está atrasado” nesta matéria.

Diana Alves

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