Inês Castel-Branco. "'Snu' é uma história portuguesa mas universal"
Radio Latina 1 3 min. 15.11.2019 Do nosso arquivo online

Inês Castel-Branco. "'Snu' é uma história portuguesa mas universal"

Inês Castel-Branco. "'Snu' é uma história portuguesa mas universal"

Radio Latina 1 3 min. 15.11.2019 Do nosso arquivo online

Inês Castel-Branco. "'Snu' é uma história portuguesa mas universal"

Em entrevista à Rádio Latina, a atriz portuguesa que protagoniza o filme que encerra amanhã o Festival de Cinema Português, no Luxemburgo, defende que todo o filme sobre Portugal "deve chegar às nossas comunidades". Hoje, o programa 'Regresso a Casa', das 16h às 20h, com Raquel Barreira, vai oferecer entradas para o filme.

O Festival de Cinema Português, no Luxemburgo, termina este sábado, 16 de novembro, na Cinemateca, com o filme 'Snu', uma das produções portuguesas que se estrearam este ano no cinema, e com grande sucesso de bilheteira, em Portugal, e um dos destaques da edição deste ano do evento cinematográfico.

Realizado por Patrícia Sequeira,o filme parte do romance, quase proibido, entre Snu Abecassis e o antigo primeiro-ministro Francisco Sá Carneiro. 

É através da sua história de amor, que termina de forma trágica, com o atentado de Camarate, que é contada a de Ebba Seidenfaden (nome verdadeiro de Snu), a mulher dinamarquesa que fundou a editora D. Quixote e publicou alguns dos mais reconhecidos intelectuais portugueses, desafiando, ainda antes do 25 de Abril, a censura do Estado Novo. 

Os vídeos 360 não têm suporte aqui. Ver o vídeo na aplicação Youtube.

Protagonizando uma pequena revolução social depois da revolução propriamente dita, Sá Carneiro e Snu conhecem-se a 6 de janeiro de 1976. Ambos casados, ele pai de cinco filhos, ela mãe de três, apaixonam-se e decidem assumir esse sentimento num Portugal ainda  reerguer-se do fascismo e profundamente conservador. A sua história de amor acabaria, contudo, por inspirar o país, que em 1980 choraria a sua morte.

É por isso que Inês Castel-Branco, que protagoniza 'Snu', afirma, em entrevista à Rádio Latina - parceiro mediático do festival - que esta "é uma história portuguesa mas universal. Porque o amor é universal". 

Como se preparou para fazer o papel de Snu?

Inicialmente com muita leitura. Todos os livros que encontrei sobre ela, sobre o Francisco, sobre a época social e política.  Mais tarde visitei Estocolmo e a casa onde a Snu viveu depois dos pais se separarem. Por último trabalhei com a atriz Sara Carinhas na construção final.

Disse, em entrevistas, que não teve oportunidade de ouvir a voz e o sotaque de Snu, por não existirem registos gravados. Como contornou essa questão?

Falei com mulheres nórdicas a viver em Portugal há alguns anos, gravei o sotaque delas e criei aquele que achei o sotaque mais fiel. Mas sou perfecionista e acho sempre que podia ter ficado melhor.

Isso foi o mais difícil na construção da personagem? Houve outras coisas? 

A produção teve um cuidado especial em não entrar demasiado na sua vida privada, familiar, e nos respetivos contactos...O sotaque não foi fácil, tal como fazer cenas em sueco e em inglês e acima de tudo encontrar aquela contenção nórdica que a pautava. O facto de ser uma história recente e de haver familiares e amigos para quem não era fácil recordar estes acontecimentos fez com que tivéssemos muito cuidado com a abordagem. Mas a ideia sempre foi de dar importância a uma mulher que não teve a atenção merecida na época.

Que significado teve para si, enquanto atriz e mulher, dar vida a esta personalidade da história recente de Portugal?

Foi um orgulho e ao mesmo tempo uma grande responsabilidade mas fiquei muito contente com o resultado. Acho que o filme está fiel à importância que a Snu teve no panorama português da época.

O que mais a surpreendeu na Snu, daquilo que conseguiu conhecer dela?

O facto de ela, mesmo sendo privilegiada, querer mudar o mundo através do conhecimento e de levar a informação a quem não a tinha.

Qual a importância de levar este filme além-fronteiras? E junto das comunidades?

Qualquer filme que fale de nós, de Portugal, dos nossos costumes e culturas deve chegar às nossas comunidades. E é uma época muito importante e de grande relevo para a nossa história política e social.

'Snu' vai encerrar o Festival de Cinema Português no Luxemburgo. Na sua opinião, esta é uma história portuguesa ou universal?

É uma história portuguesa mas universal. Porque o amor é universal.   

Ana Tomás


Notícias relacionadas

Festival de Cinema Português abre com "Peregrinação"

Cultura por Vanessa CASTANHEIRA 4 min. 09.11.2018
Vincent Cassel, o francês mais brasileiro da Sétima Arte, em “O Grande Circo Místico”.

Festival de Cannes. Entre palhaços e futebolistas

Cultura por António Raúl VAZ PINTO DA CUNHA REIS 3 min. 16.05.2018
Xerazade viu-se grega a contar as histórias da crise portuguesa ao rei