Guardas que deixaram Epstein morrer na cela foram detidos
Radio Latina 3 min. 20.11.2019 Do nosso arquivo online

Guardas que deixaram Epstein morrer na cela foram detidos

Guardas que deixaram Epstein morrer na cela foram detidos

AFP
Radio Latina 3 min. 20.11.2019 Do nosso arquivo online

Guardas que deixaram Epstein morrer na cela foram detidos

Os guardas prisionais que deviam vigiar a cela do magnata acusado de abuso sexual estavam a dormir quando este se enforcou.

Foram detidos dois guardas que estavam encarregados de vigiar a cela de Jeffrey Epstein, o magnata , de 66 anos, acusado de abuso sexual e tráfico de menores, que se suicidou a 10 de agosto, na prisão. 

Segundo revelou o jornal 'New York Times', os agentes estão acusados de incumprimento de deveres e serão, posteriormente, presentes a um tribunal de Manhattan.

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A prisão onde o magnata morreu.

Entre os incumprimentos assinalados está o facto de terem falsificado registos. De acordo com o mesmo jornal, o magnata não estava a ser vigiado na noite em que morreu, por enforcamento, porque os guardas, que estavam destacados para o fazer, terão adormecido. 

Para encobrirem o erro, os dois funcionários do Departamento de Prisões falsificaram os registos. No entanto, acabaram por ser denunciados por colegas e outros agentes que investigaram o caso.

Uma morte anunciada

À altura da sua morte Jeffrey Epstein estava preso sob a acusação de ter criado uma rede de tráfico sexual de menores, com mais de uma década, nas suas mansões de Nova Iorque e da Florida. 

O milionário já tinha sido condenado, em 2008, por acusações semelhantes, naquele segundo estado americano, mas alcançou um acordo extra-judicial com as vítimas que levou ao fim da investigação. 

Porém, em julho de 2019, voltou a ser detido por suspeitas de tráfico sexual e abuso de menores e ficou a aguardar julgamento numa prisão em Nova Iorque. Foi durante esse período que foi encontrado morto na sua cela.

As investigações concluíram que se tratou de suicídio, uma vez que Epstein já o tinha tentado um mês antes. O empresário chegou mesmo a ser colocado num programa de prevenção, mas os seus advogados interpuseram um processo e conseguiram garantir-lhe um estatuto especial, que lhe permitia acompanhamento e visitas à cela a cada 30 minutos.

A 10 de agosto, por alegado incumprimento de dois guardas, essa rotina terá sido quebrada e permitido a sua morte. 

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Janson E. Foy, advogado de defesa de um dos guardas detidos.

Tese de suicídio não convence todos

Apesar de as conclusões oficiais à morte de Epstein terem determinado o suicídio como causa, a tese tem suscitado dúvidas.

Desde o início que surgiram teorias a por em causa esta versão, sobretudo pelas suspeitas de envolvimento, na rede de prostituição de menores que explorava, de altas figuras internacionais do mundo da política e dos negócios. 

O príncipe André, pelo relacionamento próximo que manteve com o magnata durante anos, tem sido uma das mais faladas. 

Mas no círculo de relações deste incluíam-se também nomes como os do ex-presidente americano Bill Clinton, envolvido no passado em vários escândalos sexuais, ou Donald Trump.

Pouco depois de Epstein ser encontrado morto, o seu irmão contratou um patologista forense para investigar as causas da sua morte. 

Hipótese de crime

No mês passado, o especialista afirmou que existiam evidências que sugeriam que poderia não ter sido o empresário a por fim à própria vida, levantando a hipótese de ter sido estrangulado.

A detenção dos dois guardas, noticiada agora, é um dos primeiros resultados da investigação conduzida pelo FBI e pelo Ministério Público americano. O caso contra Epstein foi arquivado após o seu suicídio, embora não esteja definitivamente encerrado, tanto pela presumível extensão da rede e pela possibilidade de envolvimento de outras pessoas na exploração das menores, à altura, como por novos desenvolvimentos e denúncias que vão surgindo. 

Como é o caso do príncipe André cuja entrevista que deu desmentindo qualquer envolvimento com menores ligadas à rede do magnata americano está a gerar grande polémica, não tendo convencido a opinião pública.

Na altura do arquivamento do processo, ainda em agosto, o juiz declarou que era preciso, apesar de tudo, acautelar a justiça para as vítimas. “A morte do sr. Epstein significa, obviamente, que um julgamento onde ele é o acusado não pode acontecer. Penso que é responsabilidade do tribunal garantir que as vítimas neste caso são tratadas de forma justa e com dignidade”, disse então o juiz, citado pelo 'New York Times'.  

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