Grã-Duquesa. "Temos de abdicar da nossa liberdade quando entramos para uma família real"
Radio Latina 10 1 3 min. 29.04.2021

Grã-Duquesa. "Temos de abdicar da nossa liberdade quando entramos para uma família real"

Grã-Duquesa. "Temos de abdicar da nossa liberdade quando entramos para uma família real"

Foto: Maison du Grand-Duc/Sophie
Radio Latina 10 1 3 min. 29.04.2021

Grã-Duquesa. "Temos de abdicar da nossa liberdade quando entramos para uma família real"

Casar com um príncipe é casar também "com a instituição" e "com o país", declara Maria Teresa numa entrevista a um programa de TV dos EUA, onde deixa conselhos a Meghan Markle. Veja o vídeo.

(Paula Santos Ferreira)

A Grã-Duquesa do Luxemburgo, Maria Teresa, abriu as portas do Castelo de Berg para receber a jornalista de um dos programas mais famosos dos EUA: O "Good Morning America", da ABC News.

Maria Teresa foi das primeiras plebeias a casar-se com um príncipe e entrar para uma família real. Ainda por cima nascida fora da Europa, nomeadamente em Cuba. Razão pela qual a jornalista Maggie Rulli lhe pergunta que conselhos dá a outras jovens comuns, sem sangue azul, que se apaixonem por uma cabeça coroada. A questão prende-se, claro, com a polémica lançada por Meghan Markle, mulher do príncipe Harry e a sua revolta contra a família real britânica.

Passar a ser membro de uma família real significa "que temos de abdicar da nossa liberdade privada, é uma vida de comprometimento e de serviço", começa por explicar a Grã-Duquesa. Ao casar com um príncipe "casamos também com a instituição e casamos com o país", diz Maria Teresa. Assume-se "um compromisso2 de servir a instituição e de "servir o país".

Por isso, "quando nos confrontamos com situações em que não podemos fazer o que queremos não vamos denunciar o sistema em que vivemos, porque tivemos a sorte de casar com ele", defende a Grã-Duquesa numa alusão às críticas de Meghan Markle na entrevista polémica à Oprah Winfrey.

Os vídeos 360 não têm suporte aqui. Ver o vídeo na aplicação Youtube.

Quando conheceu o príncipe herdeiro do Luxemburgo na universidade de Genebra, Suíça, a jovem Maria Teresa Mestre Batista-Falla apaixonou-se logo pelo jovem Henri, um amor à primeira vista.

"Vida de dedicação"

"Disse a mim própria que o pior que me podia acontecer era apaixonar-me por um príncipe coroado, um grande problema", confessou na entrevista. "Mas mal o vi, já está!", lembra.

"O mais difícil foi passar de ser uma pessoa comum para passar a ser uma figura pública", diz Maria Teresa para quem fazer parte de uma família real é "uma grande responsabilidade". E acrescenta: "Temos de perceber o que temos de abdicar e o que podemos oferecer".


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"Somos um símbolo. Estamos disponíveis para todos", refere. Quanto à vida de conto de fadas que as princesas e rainhas têm, Maria Teresa garante que não é bem assim.

"Existe a ideia de que a nossa vida é carpetes vermelhas, tiaras e coisas lindas. Mas posso dizer que usar uma tiara na cabeça durante cinco horas num jantar de estado provoca uma grande dor de cabeça, esse é o outro lado", declara a mulher do Grão-Duque Henri. Até a jornalista norte-americana conta no início da entrevista que entrar e passear pelo Castelo de Berg foi como se "estivesse no mundo Disney", de princesas.


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Porém, ser princesa e depois Grã-Duquesa é uma "vida que exige muito", feita de "muita dedicação" e onde há que "fazer coisas sem se queixar", diz a Grã-Duquesa.

 Em defesa de grandes causas

Contudo, quando se tem a sorte de viver assim há que também olhar para o mundo real e ajudar quem precisa, entende Maria Teresa conhecida pela sua luta contra a violência feminina.

"As causas que defende quero que sejam as causas que mais ninguém quer defender. Como vivo num meio privilegiado quero ajudar quem vive nas piores situações. Esta é a minha grande dedicação", salienta a monarca que preside à Fundação Grão-Duque e Grã-Duquesa e ao Projeto Stand Speak Rise UP! destinado a luta contra a violência sexual contra as mulheres em meio fragilizados, pelo mundo.

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