"Estava no Pizza Express". Príncipe André nega acusações de abuso sexual de menores
Radio Latina 2 5 min. 18.11.2019

"Estava no Pizza Express". Príncipe André nega acusações de abuso sexual de menores

"Estava no Pizza Express". Príncipe André nega acusações de abuso sexual de menores

Radio Latina 2 5 min. 18.11.2019

"Estava no Pizza Express". Príncipe André nega acusações de abuso sexual de menores

Em entrevista à BBC, o príncipe negou qualquer envolvimento sexual com Virginia Roberts- Guiffre, uma das vítimas do escândalo sexual que envolve o milionário Jeffrey Epstein.

No sábado passado, 16, o príncipe André de Inglaterra, filho da rainha Isabel II,  falou pela primeira vez sobre o escândalo sexual que envolveu o empresário norte-americano Jeffrey Epstein, que se enforcou na prisão em agosto.

A entrevista tinha como objetivo esclarecer a ligação com Epstein e responder às acusações que recaem sobre si, nomeadamente, sobre os encontros sexuais com  Virginia Roberts-Guiffre. 

A mulher acusa o príncipe de 59 anos de abuso sexual quando esta tinha apenas 17 anos. Virginia assegurou que foi forçada "em repetidas ocasiões" a ter relações sexuais com o duque de York, entre 1999 e 2002. 

"Ele não foi rude nem nada disso. Eu estava em choque , não podia acreditar que a realeza também estava envolvida", disse.

Quando confrontado com a situação, o duque de York negou tê-la conhecido. Apesar do testemunho de Virgínia e uma fotografia em que o príncipe surge com o braço à volta da cintura da jovem, André afirmou que os encontros nunca aconteceram.

A 10 de março de 2001, uma das datas mencionadas por Guiffre, o duque garante que estava com a filha mais velha, Beatrice, numa festa no 'Pizza Express', em  Woking, arredores de Londres, e que depois foi para casa. 

"Porque a Duquesa estava fora, temos uma regra simples na família: quando uma está fora, o outro está lá. Acrescentou que se lembra da ocasião "distintamente" porque foi uma das poucas vezes que esteve em Woking, e ir ao Pizza Express foi "uma coisa muito incomum que eu fiz".

Os vídeos 360 não têm suporte aqui. Ver o vídeo na aplicação Youtube.

Virginia é uma das 16 mulheres que afirmam terem sido vítimas de Epstein e, juntamente com outra cinco, deu uma entrevista à NBC, onde contou detalhes sobre o tempo em que viveu com Epstein e a sua namorada, Ghislaine Maxwell.  

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Duas fotografias de 2010, reveladas pela imprensa, colocam em questão a veracidade das palavras do duque de York. 

Numa delas, André surge na casa de Epstein, em Nova Iorque, a despedir-se de uma jovem quando esta sai de casa. Na outra, surge abraçado a Virginia, quando esta ainda era jovem.

André insistiu que não se recorda do momento captado pela fotografia em baixo, onde surge agarrado a Virginia Roberts-Guiffre. "Não aconteceu. Posso dizer categoricamente que nunca aconteceu. Não me recordo ter conhecido alguma vez esta senhora". 

Após a entrevista, Virginia publicou no Twitter um texto do jornal Financial Times em que se destacava a citação: "As respostas do príncipe Andrew às perguntas forenses de Emily Maitlis fizeram com que fosse uma das incursões mais mal avaliadas da família real na televisão, eclipsando até mesmo as entrevistas dadas por Charles e Diana sobre o colapso de seu casamento."

Na entrevista com a BBC, o príncipe garantiu também que vai procurar assessoria jurídica antes de prestar declarações sob juramento nos EUA. 

Amizade sem arrependimento

Apesar de toda a controvérsia em que se viu envolvido, o duque de York não lamenta a amizade com Jeffrey Epstein, que conheceu em 1999, através da então namorada, Ghislaine Maxwell, filha do empresário Robert Maxwell.

Na entrevista da BBC, o príncipe afirmou que conhecer Epstein teve "alguns resultados muito benéficos", num momento em que André tinha deixado uma carreira na Marinha e começou a trabalhar como representante especial da indústria e comércio. "As pessoas que conheci e as oportunidades que me foram dadas para aprender, por ele ou por causa dele, foram realmente muito úteis". 

No entanto, também garantiu que o encontro em 2010 (imagem acima), em que ficou na casa de Epstein, era precisamente para terminar a amizade e que nunca deveria ter ficado na sua casa em Nova Iorque. 

"[Ter ficado em casa dele] incomoda-me todos os dias porque não é algo próprio de um membro da família real e nós tentamos manter os mais altos padrões e práticas e eu envergonhei-os, tão simples quanto isso", disse a Emily Maitlis durante a conversa gravada no palácio de Buckingham. 

A estadia ocorreu já depois de uma primeira condenação de Epstein, em 2008, por prostituição de menores. "Era um lugar conveniente para ficar. Pensei muito e concluí, com a retrospetiva que se pode fazer, que foi definitivamente uma decisão errada. Mas, na altura, achei que era uma atitude certa e honrosa", reforçou.   

O príncipe considerou falar com o milionário por telefone, mas decidiu fazê-lo cara a cara "para mostrar liderança". 

Há mais de uma década, Epstein foi acusado de montar uma rede de tráfico de dezenas de jovens menores na sua mansão de Nova Iorque, e noutra situada na Florida. 

O magnata já tinha enfrentado acusações similares na Florida, mas em 2008 alcançou um acordo extraoficial com a procuradoria para o fim da investigação, tendo cumprido 13 meses de prisão e alcançado um acordo económico com as vítimas. 

O acordo foi supervisionado pelo então procurador de Miami, Alexander Acosta, que foi posteriormente nomeado secretário do Trabalho pelo presidente dos EUA, Donald Trump. Acosta foi forçado a renunciar ao cargo devido às críticas emitidas na sequência da nova detenção de Epstein. Se tivesse ido a julgamento poderia ter enfrentado até 45 anos de prisão. 

Ana Patrícia Cardoso 


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