Desigualdade salarial. Mulheres do Luxemburgo trabalham de graça até ao final de 2020
Radio Latina 11.12.2020 Do nosso arquivo online

Desigualdade salarial. Mulheres do Luxemburgo trabalham de graça até ao final de 2020

Desigualdade salarial. Mulheres do Luxemburgo trabalham de graça até ao final de 2020

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Radio Latina 11.12.2020 Do nosso arquivo online

Desigualdade salarial. Mulheres do Luxemburgo trabalham de graça até ao final de 2020

Segundo as estatísticas, elas passam o dobro do tempo a realizar tarefas domésticas: 16 horas por semana, enquanto os homens dedicam apenas oito horas a esse tipo de trabalho.

A partir do dia 12 de dezembro, as mulheres no Luxemburgo estarão a trabalhar de graça, se tivermos em conta a desigualdade salarial entre homens e mulheres no país. O alerta é da central sindical OGBL, que fez as contas com base na diferença salarial de 5,5% que, segundo as estimativas, ainda existe no Luxemburgo. Assim, o dia 12 de dezembro (sábado) marca este ano o dia da desigualdade salarial no Grão-Ducado. Em média, comparadas com os colegas masculinos, as mulheres vão então trabalhar gratuitamente durante vinte dias.

Numa nota à imprensa, o sindicato defende o princípio de “trabalho igual, salário igual” e aproveita para chamar a atenção para uma situação que a crise do coronavírus veio pôr aos olhos de todos. Em causa está o facto de as mulheres estarem sobrerepresentadas nos setores considerados essenciais, que, em larga medida, são aqueles com os ordenados mais baixos.

A OGBL adverte que “várias profissões consideradas tradicionalmente femininas são as menos bem remuneradas”. Os setores das limpezas, do comércio e da horesca são alguns dos exemplos. A este problema, vem juntar-se outra realidade: é que a taxa de atividade das mulheres continua a ser inferior à dos homens, já que elas tendem a optar mais por empregos a tempo parcial. Segundo os dados mencionados pelo sindicato, 30% das mulheres trabalha a tempo parcial, ao passo que entre os homens essa percentagem cai para os 5%.

Segundo a OGBL, esta desigualdade salarial mostra que “inúmeras tarefas no seio da família continuam a incumbir às mulheres”. Segundo as estatísticas, elas passam o dobro do tempo a realizar tarefas domésticas: 16 horas por semana, enquanto os homens dedicam apenas oito horas a esse tipo de trabalho.Para o sindicato, “isto tem que mudar”, até porque a situação prejudica as mulheres ao longo de toda a sua carreira. Razões pelas quais a central sindical apela à participação na greve das mulheres anunciada pela plataforma JIF e marcada para o próximo dia Dia da Mulher, 8 de março de 2021.  

Diana Alves

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