David Carreira: "O sucesso chateia muita gente"
David Carreira: "O sucesso chateia muita gente"
Quis começar aqui no Luxemburgo a digressão por alguma razão especial?
Acho que foi o destino que acabou por fazer com que isso acontecesse. Acabei por tirar, durante cerca de um mês, umas “férias” no Brasil e também aproveitei para trabalhar numas coisas próximas e o destino fez com que o primeiro concerto da tour fosse aí. E então acho que é muito bom e muito engraçado também.
Tem a experiência de, em 2017, ter recebido convite do Presidente Marcelo Rebelo de Sousa, atuando não só perante a sua presença, mas também perante os Grão-Duques e uma multidão. Esse acontecimento deixou-lhe marcas especiais?
Sim, sem dúvida. Ainda bem que me lembrou, foi o último concerto que dei aí. Foi brutal, estava numa praça aberta, imensa gente, estava ao barrote! Foi um momento brutal para mim e poder representar o meu país nessa data muito especial, foi mesmo brutal.
Quer deixar alguma mensagem para os seus fãs aqui no Luxemburgo?
Estou ansioso por voltar aí no dia 23 e poder mostrar o novo álbum à malta do Luxemburgo. Vai ser um concerto brutal, espero estar com todos vocês, assinar os álbuns na sessão de autógrafos e conversar um bocadinho com todos. Já não vou aí há algum tempo e quero aproveitar para matar saudades.
Ser filho de Tony Carreira e irmão de Mickael influenciou-o na escolha por uma carreira no mundo da música?
Não, de todo. Rapidamente fiz o meu estilo próprio e acabei por entrar no mundo da música de uma forma diferente, nunca me deixei propriamente influenciar por ninguém a não ser pelas minhas referências, as pessoas que gosto de ouvir. Sou muito fã de música no geral, gosto de ouvir vários estilos, várias pessoas com carreiras para tentar perceber quais são os segredos para terem carreiras tão bem sucedidas e penso que o segredo mais importante é respeitar o público, fazer aquilo de que tu mais gostas e ser feliz naquilo que tu fazes porque é isso que te dá a possibilidade de dar felicidade às pessoas.
E não existe rivalidade com o seu irmão?
Não, damo-nos muito bem. Quando éramos mais novos eu sempre fui um bocado reguila, complicado, “terrorista”, mas agora damo-nos super-bem, eu vou trabalhando em algumas músicas para ele, ele faz o mesmo comigo, vamos sempre trabalhando um com o outro e damo-nos super-bem.
Que memórias ficaram da sua participação nos Morangos com Açúcar?
Uii [risos], já lá vai algum tempo... Foram muito boas, penso que foi em 2010 e foi sem dúvida os Morangos que me levaram a cantar, tenho sempre boas recordações dessa altura.
E da passagem pelo mundo da moda?
Ah, o mundo da moda era quando eu queria ganhar um dinheirozinho, até foi antes dos Morangos. Na altura fiz uma ou duas sessões fotográficas, um ou dois desfiles que era mais na cena de já querer ganhar o meu dinheiro. Isso nem foi propriamente algo em que quisesse muito apostar.
Entretanto, tem uma marca de roupa...
Sim, gosto de moda, mas nunca quis ser modelo, não era uma profissão que estivesse interessado em seguir, embora sempre gostasse de moda. Quando comecei a fazer o merchandising em termos de carreira musical tinha algumas ideias e pensei em criar uma marca de roupa com a qual possa fazer coisas que nada têm a ver comigo e posso brincar um bocadinho mais, divertir-me, fazer coisas relacionadas comigo e outras que nada têm a ver. E foi aí que comecei a criar a 91 e a lançar a marca.
Antes disso, podia ter sido jogador de futebol – era central nas cmadas jovens do Sporting, mas uma lesão afastou-o. Tem pena? Ficou adepto do clube e acompanha os jogos ou nem por isso?
Sinceramente, a música surgiu na altura em que parei de jogar futebol e parece que foi um substituto. Não é que me tenha desinteressado do futebol, mas deixei de acompanhar tudo o que é clubes, enquanto nas fases de seleção, aí, desligo tudo e tenho de ver os jogos. Mas no resto do ano, quando é com os clubes, acabo por não ligar muito. A não ser gozar com os meus amigos benfiquistas quando o Sporting ganha [risos] o que é raro ultimamente, mas pronto... Já não sou muito ferrenho a nível de futebol, costumo dizer que já nem tenho tempo para isso, estou quase sempre em estúdio, não tenho tempo para ver os jogos, mas quando é a seleção ligo muito mesmo!
Imagino que, ainda por cima tendo vivido em França, fosse um momento inesquecível ver a seleção ser campeã da Europa na final de Saint-Denis com os franceses...
Sem dúvida! Ainda por cima eu, vivendo em França, quando Portugal perdia era muito gozado na altura em que era miúdo. Estar agora do outro lado para mim foi uma desforra e aproveitei ainda mais a nossa vitória em 2016. Nessa altura tinha acabado de lançar uma música com o Quaresma, o “Não Papo Grupos”, então foi mesmo a triplicar o orgulho nesse momento.
Tem sido importante aconselhar-se com o seu pai em termos musicais ou não costuma fazer isso?
Aproveito todo o tempo com ele para estarmos mais em família.
Como é que analisa as acusações de plágio que foram dirigidas ao seu pai?
Como é que hei de dizer isto? Eu não sou propriamente a pessoa mais indicada para falar disso. Nunca comentei, nem faz sentido comentar. Já houve muitas pessoas que foram criticadas por plágio – Michael Jackson, Rihanna, Pharrell Williams, por exemplo –, muitos artistas passaram por isso nas suas carreiras, mas eu não sou a pessoa indicada para falar disso.
Em relação a trabalhos seus, isso também já foi referido: em 2013, com uma música que tinha um ’sample’ de um tema de Suzanne Vega (“Tom’s Diner”) e que o David disse ter sido autorizado a usar; mais tarde, em 2015, com outra canção sua (“Acabou”) em que teriam sido usadas partes de músicas de João Pequeno e Player (“Dias Cinzentos” e “Verdade ou Consequência”); agora, com a canção “O Problema é que ela é linda”, que tem no refrão “A foda é que ela é linda”, canção do grupo brasileiro 3030 em colaboração com Tifli CamCam. Consegue explicar o que se passa aqui?
É tão simples quanto isto: isso chama-se sucesso. O sucesso chateia muita gente. Há uma coisa que aprendi na minha curta carreira de oito anos que é quanto mais sucesso, mais vais ter pessoas que adoram o que fazes, mas também aqueles que não gostam. Acho que, a partir do momento em que se atinge um certo sucesso em todas as áreas – pode ser música, desporto, pode ser com um doutor ou um padeiro –, vais sempre ter pessoas que gostam daquilo que tu fazes e outras que vão criticar por criticar e não vão querer trabalhar tanto como tu trabalhas. Aliás, saiu há pouco tempo um documentário que mostra todo esse ’backstage’ da criação do álbum, como criei as músicas deste novo álbum, e há certas pessoas que não querem passar por essas horas até às seis da manhã em estúdio e para elas é mais fácil inventar notícias falsas.
São, portanto, notícias falsas?
Se eu tivesse feito algum plágio na minha carreira, neste momento teria a SPA a ligar para mim. Só que não acontece. São revistas que querem vender à força com notícias falsas sobre mim como já inventaram umas 1.500, como já inventaram 2.500 do CR7 e como já inventaram do Luís Figo e de todas as pessoas que fazem vender revistas. Quando se tem a sorte de se poder fazer aquilo de que se gosta, e sou abençoado por isso, e de poder ter pessoas que me acompanham por aquilo que faço, é preciso estar habituado e saber lidar com isso. No início, para mim, era um bocado penoso por não entender porque é que as pessoas não podiam simplesmente curtir em vez de falar mal. Hoje em dia percebi que não podes agradar a toda a gente, tens de preocupar-te com as pessoas que te acompanham porque são as mais importantes como os fãs que vão ver os concertos. São esses que não podes deixar ficar mal e, por isso, no final de cada concerto dou autógrafos e estou muito presente nas redes sociais para as pessoas que me acompanham desde o início. Porque é a essas pessoas que devo explicações.
O que diz sobre
Gosta de cozinhar. Qual é o seu prato preferido?
Gosto muito de cozinhar carne, costumo ser o homem dos churrasco. Ou é massa ou faço carnes ou fico a comer, porque também me sabe muito bem.
Quanto a pratos favoritos, gosto de tudo: sushi, pizzas, lasanha, carne, peixe, tudo o que seja para engordar sabe-me bem!
Só há uma cena que eu odeio que é coentros. Toda a gente gosta, mas não sei porquê não sou capaz de gostar.
Como são as suas preferências musicais?
Gosto muito de Coldplay, se calhar em termos de bandas é, se calhar, a minha favorita. Depois gosto de muita coisa: Jeb Havens, Bad Bunny, Drake, Imagine Dragons, ouço um bocado de tudo.
E cinema? Há um filme que o tenha entusiasmado?
De regresso do Brasil, no avião, vi o filme dos Queen e curti bué, gostei muito do filme! Já conhecia vagamente a discografia dos Queen, mas fiquei ainda mais interessado por voltar a ouvir e acho que o filme está muito bem feito.
Atriz e ator preferidos?
Gosto de vários atores, de Al Pacino a Leonardo DiCaprio, mas indico o DiCaprio como preferido. Quanto a atrizes, acho que a Angelina Jolie é fixe.
Quem é que prefere em desporto?
CR7, sem dúvida!
Que rede social usa com mais frequência?
Instagram cada vez mais. Ainda vou usando o Facebook, o Twitter já muito pouco, mas estou muito mais ligado ao Instagram.
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