Brasil promove maestro que diz que rock "ativa o aborto" e o "satanismo"
Radio Latina 1 2 min. 03.12.2019

Brasil promove maestro que diz que rock "ativa o aborto" e o "satanismo"

Brasil promove maestro que diz que rock "ativa o aborto" e o "satanismo"

Foto: Wikimedia Commons
Radio Latina 1 2 min. 03.12.2019

Brasil promove maestro que diz que rock "ativa o aborto" e o "satanismo"

Dante Mantovani foi promovido a diretor da Funart no Brasil, mas as suas teorias sobre a música e conspiração políticas estão a preocupar os artistas do país

O governo de Jair Bolsonaro nomeou esta segunda-feira, 2 de dezembro, Dante Mantovani, o novo presidente da Fundação Nacional das Artes (Funarte). 

A recém-nomeação do maestro para aquela que é considerada uma das mais importantes instituições de apoio às artes e cultura do país está a causar polémica, por diversas declarações recentes que o dirigente fez no seu canal do Youtube, que contemplam associações entre a música, a política e teorias da conspiração. Entre elas destacam-se o facto de Mantovani afirmar que “o rock ativa a droga, que ativa o sexo, que ativa a indústria do aborto. E a indústria do aborto alimenta uma coisa muito mais pesada, que é o satanismo”, alega . 

Beatles, comunismo e "engenharia social" 

 Além do rock, enquanto género, o maestro brasileiro discorre, nos vídeos publicados no seu canal do Youtube, sobre várias teorias acerca dos Beatles. Numa delas, sustenta que na música pop, a banda britânica apareceu "para combater o capitalismo e implantar a maravilhosa sociedade comunista”.  

Foto: Wikimedia Commons


Dante Mantovani, seguidor das ideias de Olavo de Carvalho - figura apontada como ideólogo do atual presidente Jair Bolsonaro, e que disse que o filósofo alemão Theodor W. Adorno escreveu músicas para os Beatles -, também afirma que John Lennon fez um pacto com Satanás. 

O maestro diz ainda que havia "uma infiltração de serviços de Inteligência na indústria fonográfica americana" e que a União Soviética tinha "agentes infiltrados nos Estados Unidos" para realizarem experiências com discos e músicas para crianças, com o propósito de fazerem "experimentação de engenharia social”, que depois passaram a testar em adolescentes, acrescenta. 

O objetivo dos soviéticos, alega o novo diretor daquela instituição, era "destabilizar a juventude americana" e "destruir as famílias", enquanto base do sistema capitalista e burguês americano. 

 Experiências que, sustenta, começaram nos anos 20, mas não pararam por aí. "Na década de 50 apareceu um tal de Elvis Presley com o rock lá que fazia todo mundo sacolejar, balançar o quadril. Todo mundo ama esses caras e começam a ser introduzidos certos comportamentos. O Elvis Presley, por exemplo, morreu de overdose", exemplificou.   

Os vídeos 360 não têm suporte aqui. Ver o vídeo na aplicação Youtube.


 Reações na Cultura 

A notícia de que Mantovani vai ser o novo diretor da Funarte, deixou vários artistas incrédulos. Diversas personalidades, sobretudo músicos de rock, têm usado a suas redes sociais para se manifestar contra a nomeação do maestro que, além das declarações referidas, é autor de outras polémicas, como a aquela em que se referiu aos artistas brasileiros que atuaram na cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos, no Rio de Janeiro, de 2016 - entre os quais Caetano Veloso -, como "aberrações sonoras". 

Veja, em baixo, algumas das reações de artistas brasileiros à escolha de Dante Mantovani para diretor da Funarte: 

 Felipe Andreoli, da banda Angra:


Rogério Flausino - Jotaquest:


José de Abreu (ator):


Ana Tomás