"A Música Portuguesa a Gostar Dela Própria" chega ao Luxemburgo
Radio Latina 4 3 min. 19.02.2020

"A Música Portuguesa a Gostar Dela Própria" chega ao Luxemburgo

"A Música Portuguesa a Gostar Dela Própria" chega ao Luxemburgo

Foto: Nicole Sanchez.
Radio Latina 4 3 min. 19.02.2020

"A Música Portuguesa a Gostar Dela Própria" chega ao Luxemburgo

São quase 5 mil vídeos de mais cerca de 2300 projetos musicais que vão ficar disponíveis nas páginas dos sites do Contacto e da Rádio Latina. Tiago Pereira o animador deste enorme trabalho explica o que o levou a esta obra sem fim.

A Associação "A Música Portuguesa a Gostar Dela Própria" é um projeto português, criado em 2011 pelo realizador Tiago Pereira, que tem como missão recolher, gravar e divulgar todo o património de tradição oral e memória coletiva existente no país. Canções, romances, contos, práticas sagradas e profanas, música, dança e também gastronomia têm sido os principais conteúdos gravados. À data de 3 de Junho de 2019 contava com mais de 4231 vídeos, de 2253 projetos musicais diferentes, gravados por todo o Portugal, continente e ilhas. Todos estes registos podem ser visualizados no site da Associação que é um dos maiores arquivos audio-visuais de tradição oral e memória coletiva existente em Portugal; e a partir de agora nos sites do Contacto e da Rádio Latina.

“Existe uma memória colectiva de um povo que tem de ser recordada. E isto faz sentido num país em que as pessoas têm vergonha do sítio de onde vêm.”, afirma Tiago Pereira. É por isso que defende que a memória tem de ser alfabetizada.

"A Música Portuguesa a Gostar Dela Própria" começou em janeiro de 2011. Mas Tiago Pereira já fazia registos antes. “Eu gravava música para fazer música electrónica, com vídeos”. Como o próprio garante, o seu interesse começou de pernas para o ar, “começo com a desconstrução antes de fazer a construção e fazer recolhas”.


Quando fez o documentário a “Tradição Oral Contemporânea” em Trás-os-Montes em 2008 – em que mostrava o B Fachada a cantar com as velhinhas – , o trabalho tem vários resultados, um deles na próprio reportório do músico. B Fachada passa a incluir a canção “Filomena”. “De repente as pessoas escutavam essa música, como se tivesse sido criada ontem, quando tem de facto mais de 500 anos. É nessa altura que eu percebo que há uma ignorância em relação ao passado, mas também em relação ao presente. É preciso nivelar e tornar visível a música invísivel”.

Tiago grava músicas cujas práticas considera que estão vivas. “Não é apenas a velhinha que canta, mas também é a banda filarmonica da aldeia, o rapper, a jazz band. Existe muita música invisível em Portugal”. Não se considera um Michel Giacometti da idade das redes sociais. “O Giacometti, como outros, procuravam de uma certa música portuguesa e chegar aquilo que seria o ’canto do povo’. Eu gravo outras coisas que ele nunca gravaria. No meu projeto não tenho crivos: gravo aquilo que me aparece. O meu método é não ter método. Para mim, tudo tem importância para ser gravado. Quero mostrar a existência de uma música num território que vive num determinado tempo”.

Parece ser uma espécie de trabalho infinito sem fim, uma espécie de trabalho de Sífiso. Não recusa a designação. “O que é apresentado pelos meios de comunicação é uma coisa profissional e eu pretendo registar o cantar das pessoas. É preciso devolver a música ao seu sentido primordial. Quero mostrar todas essas pessoas que cantam sem maquilhagens e sem palcos, nivelando e dando a conhecer o que é invísivel e fugindo a essa uniformização das coisas dada pelos programas televisivos”.

Estes milhares de vídeos que vão poder ver no Contacto e na Rádio Latina mostram “a diversidade, práticas diversas feitas por várias pessoas: desde os ciganos até velhinhas a cantar músicas que muito pouca gente conhece, acima de tudo revelam quanto as coisas são diversas à nossa volta e que nada do que é cantado é estanque”.

Redação


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