26 anos depois, a guerra entre os Iglesias chegou ao fim
Radio Latina 3 min. 04.12.2019

26 anos depois, a guerra entre os Iglesias chegou ao fim

26 anos depois, a guerra entre os Iglesias chegou ao fim

Foto: DR
Radio Latina 3 min. 04.12.2019

26 anos depois, a guerra entre os Iglesias chegou ao fim

Enrique Iglesias lembra com tristeza a rejeição do pai. "Chorei muito".

O cantor Enrique Iglesias, 44 anos, deu uma entrevista recente à revista Icon, do El Pais, onde falou pela primeira vez da zanga com o próprio pai, Julio Iglesias. 

O cantor contou que se tinha reaproximado do pai ao fim de 26 anos de pouco contacto e dos cerca de dez em que não se falaram. 

Uma noite, Enrique decidiu ligar ao pai, depois de ver um filme que o emocionou, enquanto estava na sua casa de Miami. Para sua surpresa, foi bem recebido por Julio. "Tivemos uma conversa muito bonita. Ele estava animado. Foi uma conversa dessas em estás consciente de que é especial. Deu-me muito conforto", lembrou.

A zanga começou porque Enrique queria construir uma carreira sem a ajuda do pai e Julio não soube apoiar o filho, chegando a apelidar a sua música de "porcaria".  

Competição entre pai e filho 

Quando atingiu a maioridade e teve a oportunidade de gravar o seu primeiro álbum, Enrique optou por um corte radical. "Aos 18 anos separei-me da minha família por completo. Foi difícil. Saí de casa e durante dez anos não tive nenhum contacto com o meu pai. Não tentei nenhuma aproximação até que o meu avô morreu em 2005. São muitos anos", contou Enrique à publicação espanhola

O cantor tinha então 30 anos e admite que não foi fácil. "Sofri muito, mas o que sentia pela minha música dava-me força. E, sobretudo, lutava por fazer as coisas à minha maneira". 

Um momento em especial acabou por levá-lo às lágrimas. "Chorei muito no princípio. Houve um momento em particular. Fui a São Francisco fazer a mistura do meu primeiro álbum. Passei lá um mês. Lembro-me de regressar ao hotel, estar sozinho a chorar e a pensar: 'O que estou a fazer? Perdi todo o contacto com a minha família'. "Porque isto afetou toda a gente, sobretudo o meu pai, mas também o resto da família", revelou. 

Também o ex-agente de Enrique e antigo amigo da família,  Alfredo Fraile, relembrou à publicação espanhola o que aconteceu entre pai e filho. Quando Enrique saiu de casa, aos 18 anos, estabeleceu-se no Canadá para gravar um disco. Lá, só teve apoio de uma pessoa, a ex-ama Elvira Olivares, que lhe emprestou 500 dólares (cerca de 800 euros).

"O Enrique enviou o disco ao pai, mas Julio respondeu dizendo que era uma porcaria, que não ia chegar a lado nenhum, que ele é quem entendia música e Enrique devia apoiar-se nele. Creio que aí cometeu um erro grande", considerou Alfredo.

O próprio Enrique confessa na entrevista a competitividade do pai, característica que herdou do progenitor. "De certa forma, também sou. Temos muito respeito um pelo outro, mas agora que se passaram 25 anos desde a zanga. É o meu pai e amo-o muito, com toda a minha alma. Respeito-o e admiro-o. Até entendo as coisas que fez na sua carreira e na vida pessoal".  

Na altura, Julio Iglesias já estava separado de Isabel Presley, mãe de Enrique, Chabeli e Julio Cesar. O cantor voltou a casar com Miranda Rijnsburger e teve mais cinco filhos: Victoria, Miguel, Rodrigo, Guillermo e Cristina. 

Este ano, Julio foi obrigado a reconhecer a paternidade de Javier Santos, após uma luta judicial que se arrastou por 29 anos. Javier é fruto de um caso com a portuguesa Maria Edite. 

Ana Patrícia Cardoso