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Uma crise social à porta?
Economia 3 min. 13.11.2020

Uma crise social à porta?

Uma crise social à porta?

Economia 3 min. 13.11.2020

Uma crise social à porta?

Patrick JACQUEMOT
Patrick JACQUEMOT
Para Pierre Lammar, presidente do Fundo Nacional de Solidariedade, o fim dos subsídios de desemprego ou das medidas de desemprego parcial vai provocar, provavelmente, mais pedidos de ajuda .

Enquanto todas as atenções estão viradas para o combate à pandemia de coronavírus e o setor da saúde, há um crise social a acontecer. O Fundo Nacional de Solidariedade espera registar mais pedidos de Auxílio de Custo de Vida (AVC) ou de Rendimento de Inclusão Social (REVIS) até 2021, adianta o Wort francês

Pode referir-se o número de falências registadas em 2020, mas o cenário não é muito diferente dos outros anos. Dados do Ministério da Justiça revelam a existência de 988 falências nos dez primeiros meses deste ano. Um número que, no entanto, se situa na média dos últimos anos. Em 2019 houve um total de 1.017 falências, e 936 em 2018. 

Em relação ao desemprego, segundo a ADEM, a taxa de desemprego tem vindo a diminuir e está nos 6,3%, abaixo dos 7% em abril de 2020.

"O impacto da crise também ainda não se faz sentir, mas sentimento é temporário", admite o presidente do comité diretivo do Fundo Nacional de Solidariedade, Pierre Lammar. "Olhando para as tendências mensais dos novos candidatos, não há nada que indique que a crise esteja a ter um impacto grave nas famílias luxemburguesas. Assim, no que diz respeito aos pedidos de Rendimento de Inclusão Social concedidos aos mais desfavorecidos, os números mantêm-se relativamente estáveis de um ano para o outro". Em 2019, registaram 4.345 candidaturas, em comparação com 3.281 candidaturas no final de setembro. 

"Podemos esperar um número equivalente", diz Lammar. Foram desembolsados 167 milhões de euros no ano passado e este ano já estamos nos 157 milhões. "Estamos a manter-nos dentro da norma". 

Na evolução dos pedidos de Auxílio Custo de Vida (AVC), a comparação entre os 20.463 beneficiários do ano passado e os 18.758 homens e mulheres atualmente aceites para este regime de ajuda parece não revelar uma crise, mas os valores pagos dizem o contrário. As despesas para o AVC não vão ficar-se nos 36 milhões de euros, como aconteceu no ano passado. Já foram atribuídos 66,5 milhões, até agora. Logo, embora o número de beneficiários não tenha aumentado muito, o investimento disparou. 

Em maio passado, o governo decidiu aumentar os pagamentos em 50%. "Esta escolha permitiu também aumentar as parcelas de ajuda que certos candidatos podiam subscrever", recorda o presidente desta organização. 

Em princípio, no próximo ano, volta tudo ao normal. No primeiro dia de 2021 o subsídio irá beneficiar de um aumento de 10%. Mais uma vez um gesto social. Mas aqui, não se trata tanto de ajudar todos a ultrapassar a crise da covid-19, mas sim de apoiar a aplicação de um novo imposto no seu orçamento. 

A "taxa de carbono" que foi decidida sobre os combustíveis, mas também sobre o óleo ou gás para aquecimento. Alguns cêntimos por litro mas cujo impacto nas famílias mais frágeis, deverá aproximar-se dos 150 euros por ano (em comparação com os 200 euros para rendimentos mais elevados). Daí, a compensação desejada pelos ministros do Ambiente e da Energia. "2021 será um ano 'socialmente' mais difícil, imagino", diz Lammar. 

A instituição, sob a supervisão do Ministério da Família, sabe que a crise está parcialmente mascarada pelos subsídios de desemprego concedidos aos residentes que perderam os seus empregos. "E estes benefícios têm um limite de tempo. Após um ano, na maioria dos casos, não restará nada e é aí que mais pessoas virão bater à porta do Fundo de Solidariedade Nacional", acrescenta. 

Também será certamente necessário ter em conta a situação dos trabalhadores de restaurantes ou hotéis que se encontram entre os trabalhadores mais afetados pelo desemprego parcial. "Rendimentos modestos e que terão passado meses com 80% do seu salário anterior", conclui Pierre Lammar. 


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