Escolha as suas informações

Uma crise que começou na inflação
Opinião Economia 2 min. 20.06.2022
Economia

Uma crise que começou na inflação

Economia

Uma crise que começou na inflação

Opinião Economia 2 min. 20.06.2022
Economia

Uma crise que começou na inflação

Sérgio FERREIRA BORGES
Sérgio FERREIRA BORGES
Na base desta inflação galopante estão os custos dos combustíveis que, praticamente, todas as semanas aumentam.

 A pobreza aumenta em Portugal a um ritmo ciclópico, atirando centenas (ou milhares) de famílias para a bondade das instituições de solidariedade social.

São cada vez mais os agregados que recorrem às instituições de solidariedade, com a particularidade de, em muitos casos, terem duas pessoas empregadas. Isto não aconteceu em crises anteriores, mais marcadas pelo desemprego

A razão está no surto inflacionista que lhes expurga parte importante do rendimento. Nas grandes metrópoles, como Lisboa e Porto, a desvalorização do dinheiro atingiu também os custos da habitação, agravando a vida das pessoas.

A mendicidade urbana parece não ter crescido, pelo menos, não se nota nas ruas das grandes cidades. O que agora existe já se via há anos, portanto, o fenómeno aí não ganhou mais expressão.

Na base desta inflação galopante estão os custos dos combustíveis que, praticamente, todas as semanas aumentam. Com um pequeno truque, que não consegue disfarçar coisa alguma. Há subidas e descidas, mas as descidas são sempre mais irrelevantes e em menor número que as subidas. As petrolíferas ganham com isto, assim como o Estado que cobra mais impostos.

O aumento dos combustíveis é uma locomotiva inflacionista, porque provoca aumentos nos custos de todos os outros bens, quer na produção, quer na distribuição.

A tudo isto, junta-se a crise dos cereais, como consequência da guerra, entre a Rússia e a Ucrânia. Existe aqui uma troca de acusações, mas ninguém resolve o assunto. Os danos maiores desta crise vão sentir-se em África, mas na Europa já subiu, por exemplo, o preço do pão, produto essencial para a vida das famílias.

Uma das particularidades desta crise é o facto de o desemprego ser reduzido e, em algumas regiões, estarmos numa situação de praticamente pleno emprego. Mas os níveis salariais são muito baixos e, por isso, as famílias não aguentam o choque da inflação.

António Costa deve tomar medidas urgentes que invertam, ou pelo menos menorizem os efeitos desta crise. Apesar de o principal partido da oposição estar ainda em fase de transição entre duas direcções e passar por momentos de letargia, começa a existir matéria suficiente para fazer oposição. E o Governo parece ter malbaratado em escassos três meses uma parte importante da maioria absoluta que o eleitorado lhe confiou. Se não houver uma reacção firme do executivo, o fim do Verão pode ser o momento certo para a oposição atacar.

O Primeiro-Ministro tem arranjado desculpas para tudo, mas não arranja soluções para nada.

Sérgio Ferreira Borges

O Primeiro-Ministro tem arranjado desculpas para tudo, mas não arranja soluções para nada. À crise dos preços, junta-se a crise no Serviço Nacional de Saúde e a ministra, Marta Temido, enfrenta sozinha as críticas vindas de todo o lado, desde os utentes, às organizações corporativas. Parece ser uma ministra a prazo.

Siga-nos no Facebook, Twitter e receba as nossas newsletters diárias.