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Um quinto dos bares, cafés e restaurantes poderá não sobreviver à pandemia
Economia 3 min. 20.08.2020 Do nosso arquivo online

Um quinto dos bares, cafés e restaurantes poderá não sobreviver à pandemia

Um quinto dos bares, cafés e restaurantes poderá não sobreviver à pandemia

Foto: Chris Karaba
Economia 3 min. 20.08.2020 Do nosso arquivo online

Um quinto dos bares, cafés e restaurantes poderá não sobreviver à pandemia

Horesca estima que entre 9% a 20% terão dificuldades em manter-se abertos, com as alterações trazidas pela pandemia.

Apesar da reabertura dos espaços de restauração, cafés e bares, as medidas que agora têm de aplicar, para impedir a propagação do covid-19, trouxeram uma pressão acrescida a um setor já fragilizado pelos meses de confinamento. Por isso, a estimativa é que parte dos negócios não consiga sobreviver à pandemia, mesmo reabrindo as portas.

François Koepp, secretário-geral da Horesca, afirmou ao Delano, esta terça-feira, 18 de agosto, que o presidente do organismo “costuma dizer que cerca de 20% [do setor] dos bares, cafés e restaurantes iriam fechar nos próximos nove meses. Na minha opinião, vamos perder cerca de 8 ou 9% deles. Isto é muito grave".


Bares, cafés e restaurantes com vida difícil na reabertura
A reabertura do sector da Horesca não está a correr da melhor forma, muitos dos comerciantes do ramo na capital. O medo de sair e o teletrabalho, entre várias outras razões, têm impedido muitos clientes de retomar velhos hábitos.

Apesar de salientar que as subvenções estatais ajudaram muitas das PMEs mais pequenas a sobreviver, a alteração dos procedimentos para o trabalho a tempo parcial tem sido um grande desafio. Se, no início, os montantes eram pagos no prazo de 15 dias após o pedido, no início, desde julho que os empresários têm de esperar até quatro meses ou mais antes de serem reembolsados. 

“Este é um procedimento de reembolso muito lento e difícil. Se tiverem de adiantar todos os salários para os próximos quatro meses, não tiverem dinheiro suficiente e tiverem de esperar quatro meses para recuperar o primeiro mês, será muito difícil aguentarem-se", afirmou.

Mas, segundo François Koepp, não é só a pandemia a explicar a situação apertada em que se encontram algumas empresas. A proibição de fumar em bares e restaurantes, decretada em 2014, e o aumento do IVA sobre o álcool de 3% para 17% em 2015 também contribuíram para esse cenário. “Na minha opinião, muitas destas empresas sempre estiveram em apuros. Penso que agora é o momento em que eles podem decidir desistir, uma vez que não faria sentido continuar porque a sua dívida seria demasiado elevada".


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Há ainda outra realidade, esta sim, decorrente da pandemia, que é o aumento do teletrabalho.

Este, a ser praticado em grande escala, é a maior ameaça para os cafés e restaurantes luxemburgueses, que são menos frequentados pelos residentes e mais dependentes dos trabalhadores de escritório. 

 A Horesca estima que a perda diária para o setor do comércio devido ao teletrabalho se situe em meio milhão de euros, o que implica, aponta Koepp, para uma mudança completa do modelo de negócio. “Dizemos aos nossos membros que tenham isto em conta, que o modelo de take-away pode ser interessante para eles". 

O teletrabalho - a par com as restrições ainda existentes nas viagens internacionais - também tem impacto negativo nos hotéis citadinos, sobretudo nos da capital do país, que representam até 65% das viagens de negócios. “A indústria hoteleira está quase a zero no centro. A taxa de ocupação de quartos é de 20 ou 25%“, diz Koepp.  


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Sem arriscar estimativas numéricas face a futuros encerramentos na área da hotelaria, as quebras nas taxas de ocupação deste sub-setor são igualmente reflexo da diminuição nas entradas de turistas no Luxemburgo. 

Por outro lado, a tendência para permanecer no país durante as férias pode dar um empurrão ao setor, com os residentes e transfronteiriços a gastarem mais dentro das fronteiras do Grão-Ducado.

E se os números da pandemia não piorarem e obrigarem a novo fecho das fronteiras, estima-se um possível regresso dos turistas belgas e alemães no outono e a possibilidade de alguns estabelecimentos saírem da crise.


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