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Último discurso de Juncker. "Gostava de ter feito do luxemburguês uma língua oficial"
Economia 1 3 min. 29.11.2019

Último discurso de Juncker. "Gostava de ter feito do luxemburguês uma língua oficial"

Último discurso de Juncker. "Gostava de ter feito do luxemburguês uma língua oficial"

AFP
Economia 1 3 min. 29.11.2019

Último discurso de Juncker. "Gostava de ter feito do luxemburguês uma língua oficial"

Ana Patrícia CARDOSO
Ana Patrícia CARDOSO
O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, fez o último discurso do seu mandato e mostrou-se preocupado com o atual estado da Europa, afirmando ser o "último sobrevivente do Tratado de Maastricht".

"É a última vez que tenho o prazer e a honra de me dirigir a este fórum", declarou o presidente da Comissão Europeia antes de entregar o poder à sua sucessora Ursula von der Leyen, que assume funções no domingo. 

O discurso aconteceu  na sala de imprensa da sede da Comissão Europeia, onde referiu ter-se deslocado 18 vezes durante os cinco anos de mandato.

Jean-Claude Juncker, que foi o primeiro-ministro do Luxemburgo até 2013, elogiou a atmosfera multilingue da Comissão Europeia, embora tenha declarado que "gostava de ter podido fazer do luxemburguês uma língua oficial". 

Questionado sobre a situação em Malta após a demissão dos ministros pelo assassinato da jornalista Daphne Caruana Galizia, afirmou que não iria comentar especificamente a situação, mas que estava a acompanhar o assunto. 

"O euro e eu somos os únicos sobreviventes do tratado de Maastricht"

"No que diz respeito ao Estado de direito, estou preocupado. Em mais de um país, o Estado de Direito não é respeitado o suficiente", disse Juncker. "Estou muito preocupado". 

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Muitos criticaram os líderes europeus por terem escolhido um novo Presidente da Comissão fora do processo que teria levado o partido europeu com a maior percentagem de votos a ocupar o lugar cimeiro da UE. 

"Tenho pena que se tenha perdido esse pequeno avanço democrático", disse, a propósito de ter sido escolhido para o cargo através de um processo de seleção entre candidatos apresentados pelos grupos políticos do Parlamento Europeu ('Spitzenkandidaten'), processo que foi abandonado para a nomeação da sua sucessora. 

"O euro e eu somos os únicos sobreviventes do tratado de Maastricht, com a minha partida fica só o euro", sublinhou. Sem querer "deixar recados" a Von der Leyen, pediu apenas para que "cuide da Europa".

Primeira mulher líder da Comissão Europeia

A Comissão Von der Leyen, que sucede à Comissão Juncker, iniciará assim no primeiro dia de dezembro um mandato de cinco anos.   

Philipp von Ditfurth/dpa

 Esta é a primeira Comissão Europeia liderada por uma mulher, tendo Von der Leyen quase assegurado a paridade de género que pretendia para o executivo, que é assim constituído por 12 comissárias do sexo feminino e 15 comissários do sexo masculino.

A Comissão Von der Leyen inicio o mandato com um mês de atraso relativamente à data inicialmente prevista, que se deveu à rejeição de três comissários (de França, Hungria e Roménia) pela assembleia, no quadro do processo de audições aos comissários designados.  

O luxemburguês como "língua oficial" 

A língua luxemburguesa foi reconhecida como língua nacional há 35, a 24 de fevereiro de 1984.  

No Luxemburgo, apesar de as leis estarem redigidas apenas em francês, o alemão e o luxemburguês são também considerados línguas administrativas e judiciais.

Ao longo destes 35 anos, a língua uniformizou a sua gramática e ortografia, tem dicionários e tornou-se numa das exigências para a aquisição da nacionalidade por parte dos estrangeiros.

Mas tem também algumas fraquezas. Com cerca de 400 mil falantes, o luxemburguês é considerando pela Unesco como uma língua "vulnerável" e ainda não conseguiu obter o estatuto de língua oficial da União Europeia.

Ana Patrícia Cardoso 







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