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Turbulência. Luxair dispensa quase 600 trabalhadores
Economia 4 min. 18.11.2020

Turbulência. Luxair dispensa quase 600 trabalhadores

Turbulência. Luxair dispensa quase 600 trabalhadores

Foto: Gerry Huberty
Economia 4 min. 18.11.2020

Turbulência. Luxair dispensa quase 600 trabalhadores

Teresa CAMARÃO
Teresa CAMARÃO
Com perdas avaliadas em 100 milhões de euros, a companhia aérea luxemburguesa deve enviar 265 pessoas para a reforma antecipada e emprestar 50 ao Ministério da Saúde. Há 587 trabalhadores afetados: metade vai “reforçar competências” com 80% do salário.

Para 50 dos 68 trabalhadores da Luxair requisitados pelo Ministério da Saúde para reforçar as linhas de atendimento e acompanhamento covid é bem possível que o “deve dirigir-se a um hospital” passe a ser regra. O mesmo se aplica aos condutores dos autocarros da companhia aérea luxemburguesa que passam a integrar a lista de “condutores temporários” dos autocarros regionais da RGTR. Não se admire se se cruzar com algum. A Luxair está a reestruturar-se. 

50 para aqui, os outros para ali

Sem qualquer recapitalização à vista, a administração pretende compensar as perdas associadas à pandemia com a saída de trabalhadores e reduções salariais pontuais. A estratégia foi revelada na semana passada, com o carimbo do Governo e dos sindicatos.

Das quase 600 pessoas afetadas pelo acordo tripartido, 265 devem reforma-se antecipadamente e 50 serão emprestadas ao ministério de Paulette Lenert. Com menos 20% do salário, 157 trabalhadores são encaminhados para uma unidade de requalificação profissional para “reforçar as competências” – sobretudo do ponto de vista tecnológico – podendo ser mobilizados a qualquer altura pela Luxair, Luxairport ou CargoLux.

Os outros 227 seguem, para já, para um plano de “reclassificação estrutural”. Diz o ministro do Trabalho que a formação permite encontrar um novo rumo. “Não é bom que todos os empregos não tenham podido ser salvos, mas o mais importante é a ausência de despedimentos e o apoio social dos trabalhadores em causa”, consente secretária central da OGBL, Michelle Cloos. “Nada está ganho. Não sabemos o que nos espera amanhã. A partir de agora, temos de implementar o que foi decidido”, resume, por seu lado, Robert Fornieri, secretário-geral adjunto do LCGB.

"É errado falar em despedimentos"

A Luxair desmente a intenção de cortar postos de trabalho, na sequência do acordo tripartido assinado com o governo e com os sindicatos que prevê enviar cerca de metade da massa salarial para a reforma antecipada e outra metade para unidades de reclassificação profissional. 

Em declarações ao Contacto, o porta-voz da transportadora luxemburguesa, Joe Schoeder, recusa fazer quaisquer outros comentários sobre a real situação dos trabalhadores da companhia aérea. Em nome da Luxair esclarece que "é errado falar de despedimento" e que "graças às medidas postas em prática, ninguém perderá o seu emprego e irá para a rua". 

"Como foi noticiado nos meios de comunicação nas últimas semanas, cerca de 50% do nosso pessoal irá beneficiar das medidas de reforma antecipada e que os restantes mais ou menos 50% irão juntar-se à célula de reclassificação onde irão desempenhar outras tarefas internas/externas", reitera. 

O Estado paga?

O projeto de lei que a câmara dos deputados discute nas próximas semanas, sobre o conjunto de medidas anunciadas, também inclui uma emenda que que permite à empresa aumentar o limite máximo do número de horas trabalhadas durante o regime de desemprego parcial.

Na prática, a companhia está autorizada a aumentar a carga horária dos funcionários sem prescindir dos cerca de 50% da ajuda estatal que cobre os salários, pelo menos até junho do próximo ano, quando o objetivo da medida é “evitar despedimentos e permitir que os empregadores ’conservem o capital mais importante: a sua equipa’”, como tem sugerido o ministro da Economia Franz Fayot.

A turbulência no tecido financeiro luxemburguês é evidente. O ministro das Finanças, Pierre Gramegna, comprometeu-se a libertar cerca de 50 milhões de euros durante três anos, a fim de financiar os instrumentos legais de desemprego parcial, reforma antecipada, unidade de reclassificação e o empréstimo temporário do trabalho. “Nenhum trabalhador cairá pelas fendas da rede de segurança social”, comprometeu-se ainda o ministro da Mobilidade, François Bausch.

Luxair ao Terminal 2

Na mesma entrevista em que assumiu perdas avaliadas em 100 milhões de euros, o CEO da Luxair, vincou que, antes de recorrer à ajuda estatal, a empresa prefere arrumar a casa. Para Gilles Feith, a estratégia deveria não só permitir à companhia aérea “beneficiar da máxima flexibilidade” neste período “muito complicado”, mas também “aproveitar ao máximo o tempo disponível para melhorar”.

Em contracorrente com o corte abrupto nos até então 2.900 trabalhadores, a companhia lançou com poucas horas de distância um conjunto de novas rotas, garantindo “a ligação do Luxemburgo ao resto dos destinos europeus e mais distantes”. Depois de Bucareste (Roménia), Cracóvia (Polónia) e Bolonha (Itália), a Luxair prepara-se para voar para Usedom (Alemanha/Polónia), Toulon (França), La Rochelle (França) e Tessalónica (Grécia).

Quando questionados sobre uma possível recapitalização, os membros do Governo indicaram que esta opção não estava sequer em cima da mesa. Finalmente, é de notar que este plano será apresentado “até ao final do ano” à Comissão Europeia, tendo o executivo europeu dado a sua aprovação prévia ao plano de apoio previsto para Findel.

De acordo com as previsões mencionadas pelos ministros, um total de 320 postos deverá desaparecer até ao final de 2023. “Esperamos um regresso à normalidade no setor da aviação até 2024”, prevê o governante dos transportes, François Bausch.

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