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Trigo, alumínio e titânio: as matérias-primas estratégicas da Ucrânia e da Rússia
Economia 4 min. 07.03.2022
Guerra na Ucrânia

Trigo, alumínio e titânio: as matérias-primas estratégicas da Ucrânia e da Rússia

Campo de trigo na região de Sumy Oblast, na Ucrânia.
Guerra na Ucrânia

Trigo, alumínio e titânio: as matérias-primas estratégicas da Ucrânia e da Rússia

Campo de trigo na região de Sumy Oblast, na Ucrânia.
Foto: Unsplash / Kyryl Levenets
Economia 4 min. 07.03.2022
Guerra na Ucrânia

Trigo, alumínio e titânio: as matérias-primas estratégicas da Ucrânia e da Rússia

AFP
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Trigo e girassol, ou titânio, alumínio e níquel: a Rússia e a Ucrânia desempenham um papel fundamental no fornecimento mundial de matérias-primas estratégicas para uso industrial e alimentar.

Desde o início da invasão russa à Ucrânia, os preços mundiais de muitas destas mercadorias subiram para níveis sem precedentes.

Gás e petróleo

A Rússia é um dos maiores produtores mundiais de gás e petróleo, e os investidores estão em pânico sobre possíveis rupturas no fornecimento de hidrocarbonetos.

Por enquanto, as sanções económicas evitam cuidadosamente o setor energético, mas os EUA, menos dependentes do que a Europa graças à sua produção interna, falam agora de uma proibição das importações de petróleo russo. A Rússia é o segundo maior exportador mundial de crude (petróleo em bruto).


Como a guerra na Ucrânia pode afetar a economia global
As implicações globais imediatas serão preços a subir com uma inflação mais elevada, menor crescimento e alguma perturbação nos mercados financeiros à medida que as sanções mais graves entrarem em vigor.

Os preços do petróleo, tanto o Brent do Mar do Norte como o WTI dos EUA, aproximaram-se dos máximos esta segunda-feira, excedendo brevemente os 130 dólares (cerca de 119 euros) por barril, pela primeira vez desde 2008.

No mesmo dia, o preço do gás atingiu o máximo histórico na Europa, a 345 euros por megawatt-hora. A União Europeia importa 40% do seu gás da Rússia.

Produtos agrícolas: o Mediterrâneo dependente do Mar Negro

A Rússia, que se tornou o maior exportador mundial de trigo em 2018, é "crucial" para alimentar o mundo, mas a capacidade de exportação da Ucrânia é também uma preocupação. Ambos os países são um "celeiro" para o resto do mundo.

Na Europa, o preço do trigo subiu desde o início do conflito, atingindo um preço sem precedentes de 450 euros por tonelada esta segunda-feira.

A Ucrânia, o quarto maior exportador mundial de milho, estava em vias de se tornar o terceiro maior exportador de trigo, apenas atrás da Rússia e dos Estados Unidos.


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O ataque russo à Ucrânia terá um impacto económico na Europa e no Luxemburgo. As sanções serão seguidas de contra-sanções.

Para tirar os cereais do país sem passar pelos portos, "o operador de comboios (ucraniano) quer exportar trigo, milho e girassol através da rede ferroviária para os países vizinhos (Roménia, Hungria, Eslováquia e Polónia)", comentou o corretor Inter-Courtage numa nota.

Outros países como a Bulgária estão a tomar medidas para limitar as exportações e a Hungria proibiu mesmo a venda de cereais no estrangeiro, o que está a ajudar a apertar um mercado já tenso antes da invasão.

O abastecimento de cereais a países como o Egito, Argélia e África subsaariana, cada vez mais dependentes do trigo russo e ucraniano, "pode ser um problema se os navios que transportam trigo do Mar Negro forem parados", adverte Philippe Chotteau, economista do Institut de l'Élevage, em Paris.

"O Líbano depende em 50% do trigo russo e ucraniano para a sua alimentação. Isto significa que, para alguns países, os aumentos de preços serão mais dramáticos do que para nós. Lá, haverá escassez", receia também Christiane Lambert, presidente da principal organização representante dos agricultores na Europa, Copa-Cogeca.

Segundo a firma especializada Agritel, "o maior perigo é para o óleo de girassol".

Famosa pelos seus infinitos campos de girassóis, a Ucrânia é o maior produtor mundial de sementes oleaginosas e o maior exportador mundial do seu óleo e "a situação é muito tensa no mercado mundial dos óleos", diz Sébastien Poncelet, um perito da Agritel.

Metais: automóveis e aviação na linha da frente 

Os metais industriais "mais expostos" às sanções da Rússia pela comunidade internacional são o alumínio, o níquel e o paládio, de acordo com a consultora inglesa Capital Economics.

O grupo russo Rusal é o segundo maior produtor industrial de alumínio do mundo. O metal atingiu um novo máximo histórico na Bolsa de Metais de Londres (LME) esta segunda-feira, a 3.960 dólares (cerca de 3.632 euros) por tonelada.

Para o níquel, existe a empresa russa Nornickel Norilsk, dirigida pelo oligarca Vladimir Potanin. Em 2019, a Rússia era o terceiro maior produtor de minério de níquel, atrás da Indonésia e das Filipinas, mas é o segundo maior produtor de níquel refinado, apenas atrás da China.


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Após a invasão à Ucrânia, a Capital Economics estima que 7% do mercado mundial de níquel refinado "poderia ser afetado" por quaisquer sanções. O metal, que também está a bater recordes de mercado, é um dos materiais mais procurados do mundo nas fábricas de baterias elétricas, que supostamente permitem que a indústria automóvel se afaste do petróleo.

Para o paládio, que também atingiu um máximo histórico de 3.442 dólares (cerca de 3.160 euros) por onça, e do qual a Rússia controla 50% do mercado mundial, a indústria automóvel está também na linha da frente. É utilizado no fabrico de conversores catalíticos.

O titânio, um metal apreciado pelos fabricantes de aviões pela sua leveza e força muito elevada, é também uma consequência indireta do conflito. A empresa russa VSMPO-Avisma, fundada em 1941 nos Urais, é o principal fornecedor mundial da indústria aeroespacial, segundo Olivier Andriès, CEO do fabricante de motores de aviões Safran, que diz ter "alguns meses de stock" pela frente.

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