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Trabalhadores mais velhos em risco de enfrentar vaga de desemprego
Economia 4 min. 17.09.2020 Do nosso arquivo online

Trabalhadores mais velhos em risco de enfrentar vaga de desemprego

Trabalhadores mais velhos em risco de enfrentar vaga de desemprego

Foto: Lex Kleren
Economia 4 min. 17.09.2020 Do nosso arquivo online

Trabalhadores mais velhos em risco de enfrentar vaga de desemprego

Ana TOMÁS
Ana TOMÁS
A par dos jovens, os trabalhadores com mais de 55 anos são o grupo mais vulnerável às consequências económicas da pandemia, alerta relatório da Fundação Idea.

A crise económica provocada pela pandemia pode atingir de forma mais dura os trabalhadores com idades a partir dos 55 anos, no Luxemburgo.

Se, por um lado, os jovens são um dos grupos mais vulneráveis - a taxa de desemprego, nesta população, é atualmente de 26%, uma das mais elevadas da UE -, por outro é preciso não esquecer o impacto que a perda de postos de trabalho vai ter nos trabalhadores mais velhos, como alerta o relatório da Fundação Idea, no seu recente relatório.

Segundo o organismo, "a actual crise pode ter efeitos duradouros e graves" nas perspectivas de emprego dos trabalhadores com mais de 55 anos de idade e não se vêem propostas para este grupo, ao contrário do que acontece com o desemprego jovem, contemplado nas respostas à crise a serem dadas pela União Europeia.

No caso do Luxemburgo, ainda que a falta de emprego tenha disparado nos mais jovens, passando de 18% para 26% entre fevereiro e junho, são aqueles que têm mais de 55 anos os mais afetados pelo desemprego de longa duração. Uma situação que, em muitos casos, já acontecia antes da pandemia e que agora terá tendência a reforçar-se.

"O Grão-Ducado é confrontado com uma elevada incidência de desemprego de longa duração entre os trabalhadores mais velhos. Quase 70% das pessoas com mais de 55 anos que estão desempregadas estão-no há pelo menos um ano, em comparação com "apenas" 40% das pessoas com menos de 55 anos".

Inatividade e revitalização de competências

A idade é também um fator que conta para os empregadores, e, embora os mais velhos tenham a vantagem dos anos de experiência acumulados, a versatilidade exigida para a adaptação a novas funções e a necessidade de formação correm muitas vezes contra este grupo.

Nesse aspeto, a Fundação Idea assinala que o Luxemburgo está particularmente mal colocado na revalidação de competências dos seus cidadãos mais velhos, quando comparado com outros países da União Europeia.

"Apesar do 'boom' do emprego (cerca de 11.000 postos adicionais por ano entre 2009 e 2019) e da importância de competências para as empresas, no Luxemburgo, os trabalhadores mais velhos conheceram uma subida na taxa de inatividade e a taxa de participação em formação ficou entre as mais fracas da UE".

O envelhecimento da população, que faz com o que o peso deste grupo vá aumentando na população ativa, combinado com a transição ecológica e digital, desfavorável às profissões tradicionais que são ocupados por cidadãos mais velhos, são fatores que, alerta a fundação, serão exacerbados pela pandemia de covid-19 e pela crise económica associada, tendo profundos reflexos na perda de emprego.


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"Os trabalhadores mais velhos são (considerados) menos capazes de se conseguirem adaptar a novas formas de emprego e de organização do trabalho, pelo que nas empresas pode haver (a curto prazo) uma menor probabilidade de contratar trabalhadores mais velhos, que, dessa forma, veriam então a sua probabilidade de requalificação e transição para novos empregos reduzidas."  

Mais "caros"

A Fundação Idea alerta ainda para a tentação de despedir os trabalhadores com mais de 55 anos pelo facto de acumularem salários mais altos associados aos anos de serviço.

"Num esforço para restaurar a sua rentabilidade, as empresas podem procurar reduzir os seus custos, apressando as mudanças. Face a essa possibilidade, as "formas de despedimento" que contemplem os empregados mais bem pagos (considerados resistentes a alterações) podem parecer "tentadoras" para muitas empresas, sobretudo porque no Luxemburgo a remuneração está fortemente ligada a antiguidade", assinala o relatório.

A Idea Foundation deixa, por isso, algumas recomendações no sentido de se proteger também os trabalhadores com mais de 55 anos de uma vaga de desemprego que pode ser tão ou mais devastadora que a própria pandemia. 

Revitalizar a economia, apoiando as empresas que enfrentam o risco de falência é um dos conselhos deixados aos poderes políticos que devem ter como objetivo trazer "a economia de volta ao pleno emprego", beneficiando tanto os jovens como os mais velhos.

 "Além disso, devem ser previstas medidas específicas (sociais e fiscais), particularmente a favor dos trabalhadores mais em risco de desemprego durante um longo período de tempo, a fim de encorajar a contratação e a retenção de cidadãos mais velhos no contexto da pandemia", defenda a Idea.


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 Por outro lado, e a longo prazo, a fundação considera que é preciso fazer  uma "reflexão profunda" sobre o trabalho dos cidadãos mais velhos e oferecer-lhes garantias, com vista, sobretudo a combater a baixa taxa de actividade das pessoas com mais de 55 anos, o desemprego de longa duração e a "depreciação" das suas competências, garantindo ao mesmo temo a formação e a reintegração em empregos de qualidade. 

Em última instância é lembrar também às empresa e organizações o potencial desses trabalhadores experientes, tornando a idade numa mais valia e não num peso. 

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