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"Taxar os ricos" chegou à Alemanha e é pedido pelos próprios
Economia 3 min. 16.09.2021
Impostos

"Taxar os ricos" chegou à Alemanha e é pedido pelos próprios

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"Taxar os ricos" chegou à Alemanha e é pedido pelos próprios

AFP
Economia 3 min. 16.09.2021
Impostos

"Taxar os ricos" chegou à Alemanha e é pedido pelos próprios

Milionário Antonis Schwarz, apoiante dos Verdes na campanha para estas eleições parlamentares, criou o movimento "Tax Me Now!" ("Taxem-me Agora!") com outros milionários, para que o próximo governo lhes aplique mais impostos.

No regresso da Met Gala, em Nova Iorque, esta segunda-feira, a frase "Tax The Rich" ("Taxem os Ricos") teve honras de desfile na passadeira vermelha. A congressista democrata Alexandria Ocasio-Cortez levou, à milionária e elitista gala de beneficência americana, a frase, que é uma das suas bandeiras políticas, estampada nas costas do seu vestido.

E apesar de, aparentemente, estar em "território inimigo", a ideia não é muito diferente daquela que um grupo de milionários e bilionários, entre os quais George Soros, o cofundador do Facebook Chris Hughes e os herdeiros dos impérios Hyatt e Disney, defendeu numa carta aberta, em 2020, em plena crise pandémica, para que o Estado lhes aplicasse mais impostos.

Alexandria Ocasio-Cortez, na Met Gala.
Alexandria Ocasio-Cortez, na Met Gala.
foto: AFP

Agora, na Alemanha, o milionário Antonis Schwarz, herdeiro de uma dinastia de empresários farmacêuticos, quer que o próximo governo alemão o taxe mais e lançou mesmo um movimento, com outros milionários alemães e austríacos, intitulado "Tax Me Now!" ("Taxem-me Agora!").

O milionário filantropo criou a iniciativa este verão para a incluir na agenda das campanhas para as eleições parlamentares de 26 de setembro, no âmbito das questões de justiça social. 


Covid-19. Milionários propõem taxar os mais ricos para ajudar contra a crise
Com a pandemia "os milionários como nós desempenham um papel essencial para curar o mundo", afirmam os signatários numa carta aberta pedindo aos governos para aumentar os impostos a quem tem muito dinheiro.

Apoiante da campanha do Partido Verde, à qual fez uma doação de 500.000 euros, Antonis Schwarz tem vindo a investir na economia social e solidária há vários anos e está preocupado com "a altíssima desigualdade da riqueza" na Alemanha, explicou numa entrevista ao canal ZDF. 

Num país descrito, no início dos anos 2000, como "doente", a recuperação económica "beneficiou toda a população alemã, especialmente a classe média", regista o último relatório governamental sobre pobreza e riqueza na Alemanha. Mas a análise salienta também "a dificuldade das camadas mais vulneráveis da população em escapar a um estado de pobreza a longo prazo".   

O saldo dos 16 anos de mandato de Angela Merkel, que agora chega ao fim, é que 1% da população do país concentra cerca de 35% da riqueza, referem os dados de um estudo do Instituto Económico Alemão (DIW).

A crise económica e social provocada pela pandemia apenas aguçou os apelos a uma maior redistribuição social dos rendimentos. Além do partido de esquerda Die Linke, o Partido Social Democrata (SPD), que lidera as sondagens, e os Verdes são a favor da devolução de um imposto sobre a fortuna, que foi abolido em 1997, ou de uma reforma do imposto sucessório. 

Mini-empregos

O SPD e os Verdes também querem aumentar o salário mínimo dos atuais 9,60 euros por hora para 12 euros para ajudar a corrigir a outra falha no milagre económico alemão: salários relativamente baixos e um mercado de trabalho precário. 


Especulação imobiliária leva ao aumento de milionários no Luxemburgo
Mesmo em ano de pandemia, 2020, os preços da habitação dispararam. Resultado: Há mais milionários no país, 42.800 no total, mas também há mais famílias sem dinheiro para uma casa. Se não se agir já só os ultra-ricos vão ficar a viver no Luxemburgo.

 Quando Angela Merkel tomou posse, herdou as reformas do social-democrata Gerhard Schröder para tornar o mercado de trabalho mais flexível, as leis Hartz. As novas condições de pagamento das prestações sociais e a redução da sua duração empurraram milhares de desempregados para o sistema de "mini-empregos", que são mal pagos (450 euros por mês com apenas 20% das contribuições sociais pagas pelo empregador). 

Uma em cada seis pessoas vive abaixo do limiar da pobreza na Alemanha

O número de pessoas abrangidas por este sistema aumentou em 43%, de 2003 a 2019, passando a abranger 7,6 milhões de trabalhadores de uma população ativa de 42 milhões. 


Como se diz trillion em português?
Apesar das desigualdades acentuadas pela covid-19, sabemos que há quem esteja constantemente a facturar. Uma crónica de Raquel Ribeiro.

 Ao mesmo tempo, a Alemanha, que ainda tinha uma taxa de desemprego de mais de 11% em 2005, voltou a ter um emprego quase pleno. Mas quase uma em cada seis pessoas (15,8%) na Alemanha vive abaixo do limiar do risco de pobreza (1,040 euros por mês para uma pessoa), de acordo com um estudo recente coordenado pelo instituto nacional de estatística Destatis. 

Esta proporção era ligeiramente inferior a 11% no final dos anos 90. E quem ficar abaixo do limiar da pobreza terá mais dificuldade em sair dele: a proporção de pessoas "permanentemente" em risco de pobreza é duas vezes mais elevada do que em 1998. 

com AFP

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