Escolha as suas informações

Super Mario vai usar os últimos trunfos para dar mais vida à economia
Economia 3 min. 11.09.2019

Super Mario vai usar os últimos trunfos para dar mais vida à economia

Super Mario vai usar os últimos trunfos para dar mais vida à economia

Foto: AFP
Economia 3 min. 11.09.2019

Super Mario vai usar os últimos trunfos para dar mais vida à economia

Paula CRAVINA DE SOUSA
Paula CRAVINA DE SOUSA
A redução das taxas de juro parece ser um dado adquirido, mas a questão que se coloca agora é se o presidente do Banco Central Europeu vai mesmo avançar com o relançamento da compra de ativos. É que há cada vez mais vozes que se opõem à ideia.

Mario Draghi, está de saída do Banco Central Europeu (BCE), mas deverá usar a sua penúltima reunião como presidente daquele organismo – que decorre amanhã – para jogar os últimos trunfos na tentativa de reanimar a inflação e a economia da zona euro. Entre as últimas jogadas, Draghi já sinalizou a possibilidade de reduzir ainda mais as taxas de juro e de relançar o programa de compra de ativos (o chamado quantative easing). E o mercado está à espera que isso aconteça. No entanto, Mario Draghi tem de ultrapassar obstáculos importantes se quiser chegar à meta.

É que os líderes dos bancos centrais da Alemanha, Holanda, Estónia e Áustria opõem-se ao relançamento do programa de compra de ativos. O governador do Banco de França, François Villeroy de Galhau, já questionou também a necessidade de relançar aquele programa no momento atual. A questão que se coloca agora é se Super Mario vai conseguir convencer os seus opositores.

Os economistas ouvidos pela agência Bloomberg, ainda acreditam que (Super Mario) Draghi vai dar energia à economia. O presidente do BCE deverá relançar agora o programa de quantitive easing (QE) – programa que tem como objetivo injetar dinheiro nas economias através da compra de ativos a bancos comerciais. Este instrumento é utilizado com pouca frequência e normalmente só ativado em situação de risco de recessão ou deflação. O argumento dos céticos é o de que a economia da zona euro ainda está a crescer, apesar das ameaças que sobre ela pairam, e que será mais prudente deixar que se clarifiquem alguns riscos como o Brexit ou a imposição de tarifas dos Estados Unidos sobre a União Europeia (UE).

Em declarações ao Contacto, o economista-chefe do grupo BNP Paribas, William de Vijlder, confirma esta incerteza. “Se olharmos para a última conferência do BCE e para as declarações de Olli Rehn [membro do BCE], havia a expectativa de uma retoma do QE. Mas, se olharmos para as recentes afirmações de alguns membros do comité executivo, a expectativa já não é a mesma”, afirma. Vijlder diz ainda esperar que o programa avance, mas adianta que está “menos convencido disso do que antes”. O responsável adianta que há outras alternativas para as quais Draghi pode estar a olhar, de forma a encontrar um meio termo. A primeira hipótese e a mais direta será a de avançar com a retoma do programa de compra de ativos agora; a segunda passaria por “anunciar o relançamento do QE mais tarde, se algumas condições se concretizarem. A terceira possibilidade passaria por voltar a acionar o ’alívio quantitativo’ “apenas quando e se for necessário”. Esta opção “seria mais aberta”, afirma.

Na última reunião do BCE em julho, Draghi afastou um cenário de crise na zona euro, mas admitiu que a perspetiva está “a piorar e a piorar” e adiantou que a possibilidade de uma recuperação na segunda metade do ano é cada vez menos provável. O presidente do BCE – que será substituído por Christine Lagarde em novembro – sinalizou então vontade de implementar um pacote mais agressivo de estímulo à economia. Os sinais de abrandamento continuam a agravar-se. Da Alemanha – maior economia da União Europeia –, a possibilidade de uma recessão adensa-se com as encomendas e a produção industrial a recuarem e o emprego a abrandar. Do lado britânico, o caos está instalado no processo de saída do Reino Unido da União Europeia. Entretanto, mantém-se a incerteza em torno da guerra comercial entre Estados Unidos e China.

Quanto às taxas de juro, uma redução é dada como certa. Resta saber como vão os bancos reagir ao facto de os juros resvalarem ainda mais para terreno negativo. Uma das consequências tem a ver com a rendibilidade do setor. Uma das estratégias que tem sido utilizada pelas instituições financeiras é fazer repercutir em alguns dos seus clientes estas taxas negativas. Por outras palavras, cobram aos clientes pelos depósitos que têm, numa tentativa de incentivá-los a investir ou a colocar os seus ativos em produtos mais arriscados. Alguns bancos cobravam taxas aos clientes institucionais e passaram a fazê-lo aos privados, com depósitos mais elevados. O UBS, por exemplo, anunciou no início de agosto que vai passar a cobrar uma taxa de 0,6% aos clientes que tenham mais de 500 mil euros na unidade suíça do banco. Até essa altura, a taxa era aplicada aos clientes com mais de um milhão de euros.


Notícias relacionadas

BCE mantém taxas inalteradas e revê crescimento em alta
O Banco Central Europeu (BCE) deixou as taxas de juro inalteradas e confirmou que a partir de janeiro vai reduzir o programa de compra de ativos destinado a apoiar a economia da zona euro. Por outro lado, reviu o crescimento da zona euro em alta.
Zona euro: BCE mantém juros inalterados
O Banco Central Europeu (BCE) manteve hoje as taxas de juro inalteradas bem como o programa de ativos. A decisão anunciada pelo presidente da instituição, Mario Draghi, já era esperada pelos analistas.
O presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, manteve o programa de estímulos à economia da zona euro.