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Saldos no Luxemburgo, proibições em Portugal
Economia 3 6 min. 05.01.2022 Do nosso arquivo online
Descontos

Saldos no Luxemburgo, proibições em Portugal

No Luxemburgo, os descontos iniciaram na segunda-feira e prolongam-se até 29 de janeiro. Em Portugal, estão proibidos desde o Natal até dia 9, por culpa da pandemia.
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Saldos no Luxemburgo, proibições em Portugal

No Luxemburgo, os descontos iniciaram na segunda-feira e prolongam-se até 29 de janeiro. Em Portugal, estão proibidos desde o Natal até dia 9, por culpa da pandemia.
Foto: Marc Wilwert
Economia 3 6 min. 05.01.2022 Do nosso arquivo online
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Saldos no Luxemburgo, proibições em Portugal

Tiago RODRIGUES
Tiago RODRIGUES
Começou a época dos saldos de inverno. Pelo menos para alguns países. No Luxemburgo, os descontos iniciaram na segunda-feira e prolongam-se até 29 de janeiro. Em Portugal, estão proibidos desde o Natal até dia 9, por culpa da pandemia. Associações portuguesas criticam a medida, o comércio no Grão-Ducado respira de alívio.

A primeira semana de 2022 arrancou com reduções de preços e apelos às compras nas lojas do Luxemburgo. Os saldos de inverno começaram na segunda-feira e prolongam-se até dia 29. 

Apesar do aumento dos casos de infeção por covid-19 um pouco por todo o mundo, devido à variante Omicron, o Governo decidiu manter o período de descontos e promoções. Num Conselho de Ministros, no final de outubro, foi também decidido que os saldos de verão irão realizar-se entre 24 de junho e 23 de julho.

Para o comércio do Grão-Ducado, este momento é um respirar de alívio. “Não temos quaisquer números concretos sobre os saldos. No entanto, é evidente que os descontos continuam a ser um momento muito aguardado pelos clientes e as lojas, que aproveitam para acabar com stock e fazer dinheiro, a fim de financiar novas coleções e gamas”, disse ao Contacto o diretor-adjunto da Confederação Luxemburguesa do Comércio (CLC), Claude Bizjak.


Saldos começam esta segunda-feira no Luxemburgo
O período de descontos e reduções de preços nas lojas do Grão-Ducado prolonga-se até 29 de janeiro, inclusive.

Numa altura em que o número de infeções pelo novo coronavírus tem aumentado, o responsável nota que, “antes de mais, é importante salientar que o comércio nunca foi identificado como a origem de surto” de casos de covid-19. “As regras sanitárias são rigorosas e são respeitadas tanto pelos clientes como pelas empresas. A proibição dos saldos não teria, na nossa opinião, qualquer impacto positivo no combate à pandemia”, argumentou. 

Claude lembra ainda que as vendas com redução de preço são permitidas durante todo o ano. “Se os saldos fossem proibidos, as lojas poderiam fazer ‘promoções excecionais’ sem utilizar a palavra ‘saldos’”, explicou o diretor-adjunto do CLC.

No entanto, Claude reconhece que o impacto de uma campanha de promoções sem a palavra ‘saldos’ não seria a mesma coisa, “especialmente para as pequenas lojas que não têm meios para levar a cabo uma grande campanha de marketing”. Segundo o responsável, “algumas lojas estão, portanto, mais dependentes das vendas do que outras e arriscar-se-iam a ficar com muito stock, criando assim problemas de gestão de caixa”.

Questionado sobre se o Luxemburgo também deveria ter adotado a proibição ou adiamento dos saldos de inverno devido à atual situação pandémica, como acontece em Portugal, Claude respondeu: “Certamente que não. A situação é diferente de um país para outro e é sobretudo o sistema de saúde que deve ser monitorizado”, apontou, assegurando que os “retalhistas e as suas equipas estão bem instruídos na aplicação dos protocolos sanitários em vigor”.

Na Bélgica, os saldos de inverno também começaram na segunda-feira, marcados pelas restrições impostas pelas autoridades de saúde para conter a propagação da variante Omicron. O uso de máscara é obrigatório para ir às promoções nas lojas do país.

Os descontos também se aplicaram no mesmo dia nos quatro departamentos da antiga região francesa da Lorena – Meuse, Moselle, Meurthe-et-Moselle e Vosges -, para se alinharem com os vizinhos Luxemburgo e Bélgica. Os comerciantes de Lorena obtiveram, há cerca de dez anos, saldos de inverno por antecipação para lutar contra a concorrência do Luxemburgo, onde as vendas com redução de preço começam habitualmente na primeira semana do ano.

Comerciantes contestam

Já em Portugal, os saldos estão proibidos desde 25 de dezembro até 9 de janeiro, mas os consumidores vão poder fazer as trocas nas lojas até ao final deste mês. O Governo português anunciou um conjunto de novas medidas para controlar a pandemia da covid-19, no Conselho de Ministros do passado dia 21 de dezembro. 

Os descontos que normalmente ocorrem no período entre o Natal e o ano novo e depois nos primeiros dias do ano são apenas permitidos nas compras online. O objetivo passa por reduzir os ajuntamentos nas compras. Além das restrições aos saldos, a lotação nos estabelecimentos comerciais foi limitada a uma pessoa por cinco metros quadrados.


Saldos proibidos em Portugal entre 25 de dezembro e 9 de janeiro
O Governo português aprovou esta terça-feira um conjunto de novas medidas para controlar a pandemia da covid-19.

Os comerciantes em Portugal estão insatisfeitos, porque acreditam que esta proibição vai prejudicar o negócio numa altura que é tradicionalmente benéfica para as lojas. “Durante muitos anos, os saldos e as promoções só eram feitos em janeiro. Só há quatro ou cinco anos é que passaram a existir a seguir ao Natal e as pessoas habituaram-se a isso. Havia, assim, a expectativa do lado dos consumidores em fazer compras a seguir ao Natal porque os preços eram mais baixos e do lado dos comerciantes a expectativa de que iam desenvolver mais o seu negócio nesta época”, explicou Ana Vieira, secretária-geral da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP).

No setor do comércio havia a esperança de que os saldos ajudassem a colmatar uma parte dos problemas do último ano, devido à pandemia. “Os últimos meses, em geral, não foram maus, mas não chegaram para recuperar dos encerramentos e dos períodos em que houve restrições, principalmente no primeiro semestre de 2021. Apesar do segundo semestre ter sido melhor, não chegou para colmatar essa quebra e muitos comerciantes tinham a expectativa de poderem agora recuperar parte do seu negócio”, acrescentou a responsável da CCP.

Para Ana Vieira, esta proibição de realizar saldos e promoções é, portanto, “muito negativa”. “Até porque quanto mais tarde forem os saldos de inverno, mais as pessoas hesitam em comprar, pensando que já não se justifica essa compra porque a estação está a acabar”. Uma opinião partilhada por Rodrigo Moita de Deus, diretor-executivo da Associação Portuguesa de Centros Comerciais (APCC), que fala numa “concorrência desleal” devido ao facto de os saldos serem permitidos nas vendas online.

O diretor da APCC entende que o objetivo da medida é limitar o tráfego de pessoas nas grandes superfícies comerciais e que isso tem “um efeito positivo do ponto de vista do combate pandémico”. No entanto, considera injusto que possa haver saldos online, porque cria “uma concorrência desleal com o comércio a retalho”. 

É difícil saber ainda qual será o impacto a nível económico desta proibição, mas as perspetivas não são boas. “É possível que nas próximas semanas se vá recuperar algumas compras, mas são duas semanas perdidas, portanto vai ser complicado”, lamentou Rodrigo.

A verdade é que a medida já está a ter um “efeito negativo” nos centros comerciais. “O objetivo era limitar a circulação e foi bem-sucedida nesse sentido. Os saldos online são um estrago monumental em tudo o que é o retalho físico. É um estrago que já se vem vivendo com as grandes plataformas internacionais e que nestes dias se agravou ainda mais”, apontou o responsável da APCC.

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