Escolha as suas informações

Quantos dias tem de trabalhar para pagar as contas da energia?
Economia 5 min. 07.09.2022
Custo de vida

Quantos dias tem de trabalhar para pagar as contas da energia?

Custo de vida

Quantos dias tem de trabalhar para pagar as contas da energia?

Getty Images/iStockphoto
Economia 5 min. 07.09.2022
Custo de vida

Quantos dias tem de trabalhar para pagar as contas da energia?

Paula SANTOS FERREIRA
Paula SANTOS FERREIRA
Em 16 países da Europa é preciso mais do que um mês de salário mínimo para cobrir as despesas anuais de gás e eletricidade. É o caso de Portugal. E no Luxemburgo?

O primeiro-ministro, Xavier Bettel, declarou que não vai permitir que o acesso à energia "se torne um luxo"  e que o aquecimento no inverno "não venha a depender do salário das famílias", no Luxemburgo. 

Mas, na Europa, já há milhões de trabalhadores em sérias dificuldades para poder pagar a fatura de energia nas suas casas, para ter aquecimento e gás para cozinhar, revela um estudo da Confederação Europeia dos Sindicatos (ETUC, na sigla inglesa) agora divulgado, com dados de julho. Há países em que os custos anuais de energia são superiores a um mês inteiro de salário mínimo, às vezes dois.

Quantos dias precisa de trabalhar quem ganha o salário mínimo (bruto) no Luxemburgo (2.313 euros) para pagar as despesas de gás e eletricidade em casa? Precisa de 25 dias, quase um mês, indica o relatório, para pagar os 1.870 euros, contas feitas pelo sindicato. Na sua análise a ETUC compara os custos anuais de energia, em julho de 2022, com os salários mínimos e ainda com os rendimentos médios anuais dos trabalhadores cada país, para concluir quantos dias de trabalho são precisos para pagar as faturas anuais energéticas.

Recorde-se que o Grão-Ducado é o país com o salário mínimo mais alto da Europa, e a análise é feita com os dados de julho. E é o terceiro país onde são precisos gastar menos dias de trabalho para fazer face aos custos anuais energéticos, atrás da Lituânia (17 dias) e da Polónia (24 dias).


Comissão Europeia propõe distribuir lucros excessivos das energéticas pelos mais pobres
A Comissão Europeia propõe cinco ideias para a discussão. Entre elas taxar os lucros astronómicos das empresas de energia e dar o dinheiro diretamente aos mais pobres.

Para quem ganha salários baixos conseguir pagar o gás e eletricidade está ainda mais dramático. Há 16 países europeus em que um mês de salário mínimo não chega para fazer face às despesas anuais de gás e eletricidade. É o caso de Portugal onde são precisos 35 dias de trabalho para pagar 950 euros de energia, para quem ganha o salário mínimo (823 euros brutos).

Já os trabalhadores dos países vizinhos do Grão-Ducado precisam de um mês ou mais de salário mínimo para fazer face às despesas de energia anuais. Na Bélgica, tem de se trabalhar 37 dias, mais do que em Portugal, na Alemanha, 33 dias e em França, 30 dias.

A República Checa é o país da Europa em pior situação, com quem aufere salário mínimo a precisar de mais de dois meses (65 dias) para as despesas anuais energéticas. Seguem-se a Estónia e a Grécia (54 dias) e a Holanda (48 dias). 

Energia vs rendimentos

Quando a comparação passa do salário mínimo para o rendimento médio anual dos trabalhadores de cada país, a situação melhora um pouco, mas continua crítica, como mostra o relatório da ETUC.

Quantos dias de trabalho precisa um trabalhador do Luxemburgo com um rendimento anual médio (47.967 euros) para cobrir os custos anuais de energia na sua casa (1.870 euros) ? Precisa de 14 dias, sendo a seguir à Lituânia (11 dias) o segundo país onde se tem de trabalhar menos dias.

Em Portugal, já são precisos 22 dias de trabalho para quem aufere um rendimento anual médio (15.444 euros) para pagar as contas do ano de energia (950 euros). Comparando com os países vizinhos do Grão-Ducado, a situação portuguesa é ligeiramente melhor do que a da Bélgica (24 dias) e ligeiramente pior do que na França (20 dias) e Alemanha (21 dias).


Alemanha. Bónus no ordenado para lidar com subida de preços
Prevê-se um bónus de 300 euros no ordenado, sujeito a impostos.

Em relação aos vizinhos, os trabalhadores do Luxemburgo têm assim de sacrificar menos dias de trabalho para os custos energéticos.

A análise mostra ainda que há quatro países da Europa em que as faturas anuais demoram mais de um mês a pagar em relação aos rendimentos dos trabalhadores, sendo os gregos os mais afetados (36 dias), seguindo-se os checos (33 dias), os italianos e os eslovenos (com 30 dias).

Energia é "um luxo"

Não há milagres, como alerta Esther Lynch, a vice-secretária geral da ETUC no relatório: "Quando as contas custam mais do que o salário de um mês, não há truque inteligente para economizar dinheiro que faça a diferença. Estes preços agora são simplesmente inacessíveis para milhões de pessoas". Em julho de 2022 a energia custava mais 38% do que no mesmo mês em 2021 e continua a aumentar, lembra o sindicato.

"Por trás destes números estão pessoas reais que têm que tomar decisões cada vez mais difíceis, sobre se podem dar ao luxo de ligar o aquecimento ou cozinhar refeições quentes para os seus filhos". Tudo isto, ao mesmo tempo que "os administradores e acionistas das empresas de energia desfrutam dos lucros recordes à custa" dos trabalhadores, vinca esta responsável.


As ajudas para o aumento dos preços serão conhecidas a 18 de setembro
Só depois da reunião tripartida, a meio setembro, serão decididos os apoios à população para mitigar o aumento explosivo de preços de gás e eletricidade.

Aumentos salariais

Perante a realidade, prevendo a continuação dos aumentos e a baixa do valor salarial, a ETUC reivindica medidas urgentes: aumentos salariais para fazer face ao aumento do custo de vida; aumento do salário mínimo e ajudas direcionadas para quem ganha salários mais baixos e tem dificuldades em pagar as contas de energia. O organismo pede ainda um teto para os custos energéticos e um imposto sobre os lucros excessivos das empresas de energia.

São necessárias medidas nacionais e europeias de apoio à crise, para proteger os rendimentos, os postos de trabalho e financiar ajudas sociais, ressalva ainda o ETUC.

O Contacto tem uma nova aplicação móvel de notícias. Descarregue aqui para Android e iOS. Siga-nos no Facebook, Twitter e receba as nossas newsletters diárias.


Notícias relacionadas