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Presidente do PE classifica de medíocre o orçamento que está a ser negociado em Bruxelas
Economia 3 min. 20.02.2020 Do nosso arquivo online

Presidente do PE classifica de medíocre o orçamento que está a ser negociado em Bruxelas

Presidente do Parlamento Europeu, David-Maria Sassoli

Presidente do PE classifica de medíocre o orçamento que está a ser negociado em Bruxelas

Presidente do Parlamento Europeu, David-Maria Sassoli
Foto: AFP
Economia 3 min. 20.02.2020 Do nosso arquivo online

Presidente do PE classifica de medíocre o orçamento que está a ser negociado em Bruxelas

Telma MIGUEL
Telma MIGUEL
David Sassoli avisa que os deputados europeus não vão deixar passar um “envelope minimalista”. Primeiro-ministro luxemburguês também considerou a proposta de orçamento insuficiente.

Numa conferência de imprensa, David Sassoli recorda que os 1,074% do PIB que o Conselho Europeu propõe aos países não permite cumprir as ambições da década. E avisa que os deputados europeus não vão deixar passar um “envelope minimalista”.

“A posição do Parlamento Europeu é muito clara: a proposta apresentada pelo Conselho é inaceitável”, disse o italiano hoje à tarde numa conferência de imprensa na sede do Conselho Europeu. “Não se esqueçam senhores jornalistas que o orçamento da União Europeia para os próximos sete anos não nasce no Conselho. Ele nasce no Parlamento Europeu”. O acordo sobre o Quadro de Financiamento Plurianual que vai sair deste fim-de-semana (prevê-se que a reunião não acabe amanhã) do Conselho Europeu, disse Sassoli, é apenas o primeiro passo.

Vamos negociar o que for preciso, explicou o italiano, garantindo que a posição “deste Parlamento é clara e fortíssima: este orçamento não serve os interesses dos cidadãos”. O Parlamento Europeu (PE) já tinha apresentado as suas contas sobre o futuro e avançou com uma “proposta  muito pragmática” para alcançar as políticas que já foram aprovadas. E para isso chegou à conclusão que é preciso  que os Estados-membros contribuam anualmente com 1.3 % do seu Produto Interno Bruto (PIB), um valor mais ambicioso que o pedido pela Comissão Europeia, de 1.11%, e muito mais ambiciosos do que aquele que o presidente do Conselho, Charles Michel, apresentou, de apenas 1.074% do PIB e que é o que começou hoje a ser discutido pelos Estados-membros. A fasquia está ainda a ser puxada mais para baixo, pelo chamado grupo frugal (Áustria, Holanda, Dinamarca e Suécia) a lutar por um orçamento de 1% do PIB.

O que Sassoli disse é que um envelope com pouco dinheiro lá dentro não vai fazer cumprir as ambições modernas de von der Leyen de descarbonizar a Europa e de fazer uma revolução digital. “Este orçamento desenhará o que será a Europa na próxima década. E a proposta que está em cima da mesa não permite o desenvolvimento. É um orçamento que não nos permite enfrentar os desafios que temos pela frente. As ambições que a senhora von der Leyen apresentou ao PE ficarão por cumprir com esta proposta”, disse Sassoli, garantindo que “o PE não renunciará às suas prerrogativas”, e que os deputados só irão apoiar um orçamento 2021-2027 que permita fazer cumprir o Pacto Ecológico Europeu e programas como o Erasmus e de investigação e desenvolvimento.

Sassoli referiu-se ainda à falta de orçamento para apoio aos países do Sul que estão a lidar com a crise migratória. “Com esta proposta ficarão ainda mais sós: sem política europeia e sem dinheiro para enfrentar a crise migratória”.

 Também o primeiro-ministro luxemburguês considerou a proposta insuficiente.  “É fazer mais com menos. Não sei se o Charles Michel é o irmão gémeo do David Copperfield”, ironizou. Xavier Bettel explicou que o que se pede ao contribuinte luxemburguês é 1,50 euros por dia. “É um preço bastante baixo a pagar pela liberdade de movimento, de trabalhar, e de ter acesso a saúde e ter um continente com estabilidade”.

À entrada da reunião de hoje, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, salientou que “é importante defender um orçamento moderno, com 25% do orçamento anual destinado ao Pacto Ecológico Europeu”.

 

 

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