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Presidente do Banco Mundial revela que há cem milhões de novos pobres no mundo
Economia 3 min. 19.08.2020

Presidente do Banco Mundial revela que há cem milhões de novos pobres no mundo

Presidente do Banco Mundial revela que há cem milhões de novos pobres no mundo

Foto: AFP
Economia 3 min. 19.08.2020

Presidente do Banco Mundial revela que há cem milhões de novos pobres no mundo

Redação
Redação
O presidente do Banco Mundial pede um perdão parcial da dívida aos países mais pobres.

O presidente do Banco Mundial apelou a um plano mais ambicioso de perdão da dívida dos países pobres.  Uma resposta que considera indispensável, já que a "recessão Covid-19 está a transformar-se numa depressão" nos países mais pobres, disse em entrevista ao jornal The Guardian.

David Malpass avança uma primeira hipótese de anulação sistemática de dívidas já que mais de 100 milhões de pessoas foram empurradas para a pobreza devido à crise, indicadores que serão divulgados oficialmente pela instituição no próximo mês. 

Os países pobres foram os mais afectados pelas consequências económicas do Covid-19, acrescentou Malpass, e uma crise crescente da dívida significava que é necessário ir além da suspensão do reembolso oferecidas pelos países ricos no início deste ano. "Isto é pior do que a crise financeira de 2008 e para a América Latina pior do que a crise da dívida dos anos 80", disse o presidente do Banco Mundial. "O problema imediato é o da pobreza. Há pessoas à beira do abismo". Fizemos progressos nos últimos 20 anos. Populações inteiras saíram da pobreza extrema. O risco, à medida que a crise económica se instala, é que as pessoas caiam de novo na pobreza extrema".Os problemas da dívida estavam a intensificar-se, disse Malpass, porque enquanto o produto interno bruto dos países pobres está a diminuir, o montante que lhes era devido não estava. O presidente do Banco Mundial ficou  satisfeito por ver os países do G7  admitirem prolongar a suspensão do pagamento da dívida que deveria terminar este ano até 2021, mas defende a necessidade de uma abordagem mais radical. "Mesmo antes da pandemia, já tínhamos notado problemas de endividamento em muitos países. Houve um enorme aumento do montante da dívida nos países pobres e em todo o mundo em desenvolvimento, em parte causado pela caça ao rendimento. "Para os países que estão muito endividados, precisamos de estar atentos ao stock da dívida", disse Malpass. "Até ao momento, temos estado a fornecer alívio para os pagamentos do serviço da dívida, mas depois acrescentando o que não foi pago no final". Malpass disse que os termos em que os países pediram empréstimos precisam de ser mais transparentes e disse que era importante que os acordos incluíssem credores que até agora não tinham participado em negócios de dívida, tais como investidores do sector privado e o banco de desenvolvimento da China. Malpass revela que o Banco tinha mobilizado 160 mil milhões de dólares para empréstimos e subsídios para aliviar a pressão imediata sobre os sistemas de saúde, o aumento do número de crianças fora da escola, a perda de rendimentos para aqueles que trabalham na economia informal e a ameaça de fome. O custo total do reforço das infra-estruturas dos países em desenvolvimento, da melhoria dos sistemas de saúde e educação, e do fim da dependência das nações pobres em relação aos combustíveis fósseis, iria atingir valores de triliões de dólares. "A recessão transformou-se numa depressão para alguns países", disse Malpass, acrescentando: "Esta é a maior crise em décadas, mas estou optimista de que as pessoas que trabalham em conjunto encontrarão um caminho para a ultrapassar". 

O presidente do Banco Mundial disse que a perspectiva de as pessoas passarem fome era "gravemente preocupante", sublinhando a crescente ameaça à segurança alimentar à medida que o ano avançava.  Malpass considera uma "enorme tragédia" que a crise tenha impedido muitas crianças nos países pobres de irem à escola. "É bastante claro". Quando as crianças estão fora da escola, perdem parte do que já aprenderam". O reduzido acesso às escolas significava que alguns países estavam a retroceder na educação, acrescentou, com efeitos de arrastamento na protecção física de raparigas jovens para as quais havia um risco acrescido de se casarem em tenra idade.

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