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Preços das casas no Luxemburgo estão sobreavaliados em 30%
Economia 3 min. 28.02.2019 Do nosso arquivo online

Preços das casas no Luxemburgo estão sobreavaliados em 30%

Preços das casas no Luxemburgo estão sobreavaliados em 30%

Economia 3 min. 28.02.2019 Do nosso arquivo online

Preços das casas no Luxemburgo estão sobreavaliados em 30%

Paula CRAVINA DE SOUSA
Paula CRAVINA DE SOUSA
O elevado valor do alojamento tem impacto na atratividade do país, na falta de inclusão social e no excesso de trânsito.

A Comissão Europeia adverte que os preços das casas no Luxemburgo estão sobreavaliados. De acordo com os cálculos de Bruxelas, as casas têm uma sobreavaliação de 30% e os preços continuam a subir.

A conclusão surge no relatório da Comissão Europeia sobre o Luxemburgo divulgado na quarta-feira no âmbito do semestre europeu. Além das perspetivas económicas, Bruxelas analisa áreas como a habitação, sistema de pensões e saúde, o mercado laboral e o sistema de ensino, entre outros.

Sobre a sobreavaliação das casas, o documento adverte que há mais organismos que apontam para esta tendência. Bruxelas refere as estimativas do Banco Central do Luxemburgo (BCL) - que indicam uma sobreavaliação na ordem dos 7% - e do Comité Europeu do Risco Sistémico - cujos valores se situam entre os 4% e os 52%. “Apesar de o intervalo ser muito abrangente, parece haver um consenso que aponta para uma sobreavaliação moderada (sic) dos preços das casas, o que pode levar, se [a tendência] continuar, a uma correção potencial no futuro”, pode ler-se no relatório.

Paralelamente, os preços das casas continuam a subir: valorizaram 4,5% nos 12 meses terminados em junho de 2018. No entanto, parecem estar a crescer a um ritmo ligeiramente mais lento, uma vez que no ano anterior (terminado em junho de 2017) os valores tinham registado um acréscimo de 5,1%.

O aumento dos preços do imobiliário e das rendas pode ter consequências negativas em termos de competitividade e inclusão social. Isto porque os salários elevados nalguns setores podem ser anulados pelos altos preços dos imóveis. O relatório explica que os níveis salariais nalguns setores de atividade, como no financeiro, tecnologia, entre outros, tornam o Grão-Ducado num país atrativo para a força laboral. No entanto, a Comissão Europeia nota que o crescimento mais rápido do preço das casas comparativamente com o do rendimento pode ter uma influência negativa na atratividade do país, sobretudo em setores onde os salários são menos dinâmicos. “Isto pode exercer uma pressão - no sentido ascendente - sobre as expectativas salariais”, afirma Bruxelas.

O aumento dos preços pode fazer subir a percentagem de pessoas – atualmente nos 10% - que gasta mais de 40% do seu rendimento para pagar a casa. Além disso, há outro risco: as famílias com rendimentos mais baixos são cada vez mais empurradas para fora da capital e dos grandes centros urbanos do país. Ora, isto provoca mais trânsito e mais tempo perdido nas estradas, aumentando a despesa relacionada com os transportes.

Os avisos feitos noutras áreas

  • Emprego. O Luxemburgo conseguiu apenas progressos limitados no que se refere ao aumento do emprego dos trabalhadores mais velhos. A taxa de emprego destes trabalhadores (entre os 55-64 anos) estagnou em torno dos 39% desde 2010 e não se conseguiu limitar as reformas antecipadas.
  • Pobreza. A pobreza entre os trabalhadores está a tornar-se um desafio crescente. O fenómeno tem crescido desde 2011 até atingir os 13,7% em 2017. O valor está acima da média europeia, que é de 9,6%. Os trabalhadores por conta própria, quem têm contratos de trabalho temporário e as famílias monoparentais são os principais grupos de risco.
  • Ensino. Os alunos com um background migrante enfrentam problemas linguísticos e de integração que têm impacto no seu desempenho escolar. Os resultados escolares dos estudantes dependem muito do seu estatuto socioeconómico. Os chumbos são ainda muito frequentes. No ensino secundário técnico, 71% dos alunos já repetiram, pelo menos, um ano.
  • Pensões. A Comissão Europeia mantém as suas preocupações com a sustentabilidade do sistema de pensões no longo-prazo.


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