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Preço do trigo bate recordes depois da Índia proibir a sua exportação
Economia 2 min. 17.05.2022
Matérias-primas

Preço do trigo bate recordes depois da Índia proibir a sua exportação

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Preço do trigo bate recordes depois da Índia proibir a sua exportação

Foto: Joel Saget/AFP
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Preço do trigo bate recordes depois da Índia proibir a sua exportação

AFP
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O preço do trigo, com o valor mais alto de sempre desde o início da guerra na Ucrânia, bateu um novo recorde esta segunda-feira, na abertura do mercado europeu, fixando-se nos 435 euros por tonelada. A subida ocorre depois de a Índia, o segundo maior produtor mundial deste cereal, ter anunciado um embargo à sua exportação.

"Registámos um recorde de abertura para as novas colheitas de trigo. É uma subida para todos os prazos de vencimento na Euronext, em resposta ao anúncio da Índia", disse Gautier Le Molgat, analista do Agritel, à AFP.

A Índia, o segundo maior produtor mundial de trigo, anunciou no sábado que iria interditar a exportação da mercadoria, a menos que recebesse autorização especial do Governo para o fazer, devido à queda da produção provocada por ondas de calor extremas.


Quebra na produção de cereais por causa de guerra pode pôr em risco alimentação mundial
A Ucrânia colheu no ano passado 106 milhões de toneladas de cereais, um recorde absoluto que este ano deve diminuir entre 25% a 50%, referiu o ministro da Agricultura ucraniano, em entrevista à agência France Presse.

Índia quer garantir "segurança alimentar" da população

Nova Deli, que anteriormente se tinha comprometido a fornecer trigo aos países fragilizados dependentes das exportações da Ucrânia, afirmou que quer garantir a "segurança alimentar" das 1,4 mil milhões de pessoas da Índia. Uma decisão que "agravará a crise" no abastecimento global de cereais, considerou o G7, o grupo dos países mais industrializados do mundo, no sábado.

O recorde anterior tinha sido assinalado a 13 de maio, altura em que os preços desta matéria-prima abriram a 422 euros por tonelada, na sequência de novas previsões globais dos EUA, que reduziram a produção de trigo ucraniano em um terço para 2022/23. Antes da guerra, a Ucrânia representava 12% das exportações mundiais deste grão.

Este cereal tem vindo a subir há meses para níveis sem precedentes nos mercados mundiais, impulsionada pela guerra na Ucrânia. O aumento foi de 40% em três meses, e o mercado é muito restrito devido ao risco de seca no sul dos EUA e na Europa Ocidental.

G7 preocupado com protecionismo alimentar


Uma vendedora embala óleo vegetal num mercado tradicional em Medan, Indonésia, esta quinta-feira.
Maior produtor mundial de óleo de palma proíbe exportação. Preços sobem
Indonésia é o maior produtor do óleo vegetal, que está presente em bens alimentares, produtos de higiene e até tinta de impressão.

Na reunião no fim de semana, o G7 mostrou-se preocupado com a expansão de medidas de protecionismo alimentar para fazer frente à inflação elevada causada pela guerra na Ucrânia. No final de abril, já a Indonésia tinha tomado uma decisão semelhante com o embargo à exportação de óleo de palma, do qual é o maior produtor mundial.

Reunidos no sábado em Estugarda, na Alemanha, os ministros da Agricultura do G7 criticaram a proibição decretada pela Índia. "Se todos começarem a impor restrições como esta ou a fechar mercados, a crise só se irá aprofundar", observou o ministro alemão, Cem Özdemir. 

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Em 2021, a Rússia e a Ucrânia estavam entre os maiores exportadores de cereais e sementes de girassol.