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Portugal. Produção de pera rocha cai para metade
Economia 2 min. 24.08.2022
Seca

Portugal. Produção de pera rocha cai para metade

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Portugal. Produção de pera rocha cai para metade

Foto: PxHere
Economia 2 min. 24.08.2022
Seca

Portugal. Produção de pera rocha cai para metade

Lusa
Lusa
A seca extrema e as elevadas temperaturas ajudam a explicar a quebra acentuada no setor.

A produção de pera rocha deste ano, cuja colheita começou há uma semana, deverá ter uma quebra de 50% devido à seca e às elevadas temperaturas registadas em julho, estimou esta terça-feira a associação do setor.


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“Já tínhamos previsto uma quebra de aproximadamente 30% em relação à campanha anterior, o que já não era muito benéfico, mas aceitável em ano de contrassafra, mas a quebra vai aumentar e nós estimamos que ande a rondar os 50% em relação ao ano anterior devido às condições climatéricas”, afirmou à agência Lusa Domingos dos Santos, presidente da Associação Nacional dos Produtores de Pera Rocha (ANP), que representa o setor.

Preço de venda ao consumidor deve aumentar

Segundo o dirigente, a situação de seca extrema no país associada às elevadas temperaturas registadas em julho, fez com que não haja disponibilidade de água no solo e nas poucas reservas de água existentes na região Oeste para regar, refletindo-se na produção da pera rocha.

“Temos peras com teores de açúcar elevadíssimos, ou seja, com grande qualidade organoléptica, mas, mais pequenas, pesam menos, o que há uma quebra”, explicou Domingos dos Santos.

A ANP estimou que possam existir prejuízos no setor no final do ano.


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“O mercado vai ter de compensar uma parte desta quebra de produção”, com aumento no preço da venda da fruta aos consumidores, “mas nunca vai compensar na totalidade e vai ser sempre dramático para os produtores tendo em conta o aumento de custos de produção que temos tido nos últimos meses no campo e nas próprias centrais fruteiras e vai ser muito difícil refletir isto no consumidor final”, concretizou.

É preciso pensar o "futuro da água" na região

Para o dirigente, na região Oeste, onde não faltava até há poucos anos água para a agricultura e, por isso, as barragens e os sistemas de retenção de água são quase inexistentes, torna-se necessário “pensar no futuro da água nesta região e da fruticultura e da horticultura” e prever investimentos nesse sentido.

Na campanha de 2021/2022, a produção situou-se nas 220 mil toneladas de pera rocha, das quais 60 a 70% foram exportadas.

Brasil, Reino Unido, Marrocos, França e Alemanha são os cinco principais mercados de destino desta fruta.


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A ANP possui cinco mil produtores associados, com uma área de produção de 11 mil hectares.

Produzida (99%) nos concelhos entre Mafra e Leiria, sendo os de maior produção os do Cadaval e Bombarral, a pera rocha do Oeste possui Denominação de Origem Protegida, um reconhecimento da qualidade do fruto português por parte da União Europeia.

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