Escolha as suas informações

Portugal Expo promove região afetada por incêndios

Portugal Expo promove região afetada por incêndios

Foto: Sandro Soares
Economia 4 min. 18.04.2018

Portugal Expo promove região afetada por incêndios

Paula TELO ALVES
Paula TELO ALVES
A feira anual de promoção de produtos e serviços portugueses regressa este fim-de-semana à Luxexpo, em Kirchberg. A região centro vai estar em destaque.

A segunda edição da Portugal Expo, que regressa à Luxexpo este fim-de-semana, vai dedicar especial atenção à região centro, a mais afetada pelos incêndios de outubro no ano passado. “É uma questão de solidariedade para com os as zonas sinistradas”, diz, ao Contacto, Francis da Silva, responsável da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Luxemburguesa (CCILL).

A feira, dedicada aos produtos e serviços portugueses, vai contar este ano com cerca de 60 expositores e a região centro está bem representada. Um dos convidados é a Associação Comercial e Industrial da Bairrada (Aciba). “Vêm para falar da sua região,para promover oportunidades de investimento e para falar do que está a ser feito após os fogos e do que ainda falta fazer”, explica Francis da Silva. O programa inclui ainda conferências sobre “oportunidades de investimento na região afetada pelos fogos” ou “economia do interior”.

Além de representantes da região centro, a Portugal Expo vai contar também este ano com uma delegação de Albufeira, para promover o turismo no Algarve.

Esta é a única feira no Luxemburgo dedicada exclusivamente a Portugal e o objetivo é claro: promover as exportações portuguesas, num mercado que não se limita ao Grão-Ducado, tirando partido da localização do país, equidistante de França, Bélgica e Alemanha (a chamada Grande Região). “A Grande Região representa 11 milhões de consumidores, sensivelmente o mesmo número que em Portugal, mas tem o dobro do Produto Interno Bruto (PIB) de Portugal”, refere o dirigente. Por essa razão, na feira vai estar representada, além da Câmara de Comércio do Luxemburgo, também a Federação das Pequenas e Médias Empresas (PME) da Alemanha, “que representa 650 mil empresas”, precisa o presidente da CCILL.

Francisco Silva, da CCILL, segundo à direita na foto, vai estar novamente da LuxExpo para promover as empresas portuguesas.
Francisco Silva, da CCILL, segundo à direita na foto, vai estar novamente da LuxExpo para promover as empresas portuguesas.
Foto de arquivo: CCILL

Muito mais do que o “mercado da saudade”

Tal como na primeira edição, a Portugal Expo apresenta um leque alargado de produtos e serviços, que está longe de se limitar ao chamado “mercado da saudade”, dirigido aos emigrantes portugueses. “Para as empresas em Portugal, o mercado da saudade nem sempre é importante, sobretudo em algumas áreas, como no setor dos produtos de luxo ou nos produtos gourmet, que têm outro público”, aponta Francis da Silva.

Este ano, a lista de empresas participantes vai do setor imobiliário ao mobiliário de casa e jardim, passando pelas ofertas de turismo, joalharia, cerâmica e artigos de luxo, em alguns casos com “soluções de design e inovadoras”. Além disso, a feira dedica particular atenção ao setor da alimentação e bebidas, “como vinhos, enchidos, azeite, queijos e doçaria”, que representam “uma parte significativa” dos cerca de 60 stands.

A maioria das empresas vem de Portugal, estando também representados cerca de uma dúzia de empresários do Luxemburgo, num evento que quer atrair o consumidor final, mas também promover contactos com empresários no Grão-Ducado (o chamado “business to business”).

“As empresas vêm tentar que as suas marcas e produtos sejam conhecidos, tanto por parte dos consumidores, como também no ’business to business’. É natural que as empresas procurem parceiros para fazer a distribuição e para os representar no estrangeiro”, destaca Francis da Silva.

O dirigente aponta a importância deste tipo de eventos para reforçar as exportações portuguesas que, no caso do Luxemburgo, têm vindo a aumentar nos últimos cinco anos. E cita dados da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portuga (AICEP). Em 2012, o valor dos bens exportados para o Luxemburgo rondou os 60 milhões de euros, subindo “para o dobro, atualmente, com 120 milhões”.

Tendo em conta o valor global de bens e serviços, esse valor sobe para 568 milhões por ano, contra 397 milhões de produtos do Luxemburgo exportados para Portugal, o que faz com que a balança comercial seja favorável aos portugueses, segundo o presidente da CCILL.

“O mérito é todo das empresas, mas quem é que esteve cá para as ajudar? Foi a Câmara [CCILL]. Se com tão pouco conseguimos fazer tanto, imagine se tivéssemos mais meios”, afirma, defendendo que “o país tem de investir muito mais na promoção da marca ’made in Portugal’”.

A Portugal Expo vai contar ainda com uma série de conferências destinadas ao público, incluindo “Como comprar e financiar casa em Portugal”, “Regime fiscal para residentes não habituais”, em assuntos tão diversos como a agricultura sustentável ou a carpintaria industrial.

A organização espera aumentar este ano o número de visitantes que, na primeira edição, rondou os dez mil. “A primeira edição foi no dia de São Nicolau e caía um nevão enorme. Mesmo assim tivemos dez mil visitantes”, recorda Francis da Silva.


Notícias relacionadas

“Os portugueses saíram do seu país por não encontrarem empregos”
Depois de o ministro luxemburguês da Economia, Etienne Schneider, ter ido a Portugal, foi a vez do homólogo português se deslocar ao Luxemburgo. Manuel Caldeira Cabral esteve no Grão-Ducado e falou com o Contacto sobre a estratégia a desenvolver para estreitar as relações económicas entre os dois países. As ’startups’, o turismo e a economia aeroespacial ocuparam um espaço privilegiado na agenda do ministro.
Ministre portugais de l’Economie, Manuel Caldeira Cabral, Foto Lex Kleren
Em Lisboa: Luxemburgo como alvo dos empresários portugueses
Dar a conhecer as vantagens de investir e como exportar para o Luxemburgo foi o mote do seminário organizado pela Confederação Internacional dos Empresários Portugueses (CIEP) e Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa (CCIP) que no passado dia 26 de Setembro de reuniu dezenas de empresários em Lisboa.
O presidente da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Luxemburguesa, Francis da Silva