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Patrick Duarte, Monster.lu: “Empresas luxemburguesas estão muito atrasadas no recrutamento online”
Patrick Duarte é administrador e director de vendas da Monster.lu

Patrick Duarte, Monster.lu: “Empresas luxemburguesas estão muito atrasadas no recrutamento online”

Foto: LW
Patrick Duarte é administrador e director de vendas da Monster.lu
Economia 4 min. 12.05.2016

Patrick Duarte, Monster.lu: “Empresas luxemburguesas estão muito atrasadas no recrutamento online”

O mundo do trabalho está a mudar rapidamente com as novas tecnologias, a internet e as redes sociais. Quem melhor para nos falar disso do que Patrick Duarte, administrador e director de vendas da Monster.lu, uma plataforma de recrutamento online, com quem nos cruzámos no Fórum ICT Spring, que teve lugar na terça e na quarta-feira, em Kirchberg.

O mundo do trabalho está a mudar rapidamente com as novas tecnologias, a internet e as redes sociais. Quem melhor para nos falar disso do que Patrick Duarte, administrador e director de vendas da Monster.lu, uma plataforma de recrutamento online, com quem nos cruzámos no Fórum ICT Spring, que teve lugar na terça e na quarta-feira, em Kirchberg.

CONTACTO: O Patrick Duarte foi um dos oradores da conferência intitulada “As novas tecnologias e a grande mutação nos Recursos Humanos” no Fórum ICT Spring Luxembourg. O que é que está a mudar nos recursos humanos e na forma de contratar pessoas?

Patrick Duarte: Faltam recursos humanos, há uma penúria de talentos…

Em certos sectores ou…

Não! Em todos os sectores. Mas agora temos que ver onde estão, onde andam esses talentos? Estão na internet e sobretudo nas redes sociais. Por exemplo, a Alemanha prevê um aumento do PIB de 1,7% nos próximos anos. Se mantiverem essa tendência, em 2030 o país vai ter uma quebra de 20% da sua população activa. Essa penúria já se começa a sentir agora, e não só na Alemanha.

Como é que as empresas podem lutar contra essa penúria?

Na antecipação dessa penúria, as empresas têm que alterar a forma como procuram os seus futuros trabalhadores, porque as pessoas já não são estáticas, são cada vez mais móveis, através dos smartphones estão conectadas à internet e às redes sociais.

Actualmente, são publicadas nas redes sociais, cerca de 60 mil novas ofertas de emprego por dia, só para falar do Twitter e do Facebook...

No Luxemburgo?

Não, no Luxemburgo esses números são completamente diferentes. Há poucas empresas a recrutar na internet e nas redes sociais, a percentagem é inferior a 5%.

As empresas luxemburguesas não sabem ou não querem recrutar pela internet?

O Luxemburgo ainda é um país muito, muito, tradicional nesse campo. No Luxemburgo ainda é o trabalhador que anda à procura do empregador, compra o jornal, vê os pequenos anúncios.

Mas as coisas estão a mudar rapidamente e muitas empresas não sentem essa mutação e não percebem o potencial em utilizar as novas tecnologias e a internet para encontrar os perfis que precisam. Podem estar a deixar passar o candidato ideal para um posto que têm em aberto.

Muitas empresas no Luxemburgo nem página nas redes sociais têm. É por isso que esta conferência é importante, para que os recrutadores dessas companhias mais tradicionais saibam como preparar-se para esta mudança que já está aí.

É aí que entra em acção uma plataforma como a Monster.lu?

Sim! Fazemos acordos e contratos com empresas, cujos departamentos de recursos humanos definem os perfis que querem encontrar.

"Muitas empresas no Luxemburgo nem conta no Facebook têm, e muitas não vêem a importância da internet e das redes sociais na procura dos talentos que precisam", lamenta Patrick Duarte
"Muitas empresas no Luxemburgo nem conta no Facebook têm, e muitas não vêem a importância da internet e das redes sociais na procura dos talentos que precisam", lamenta Patrick Duarte
Foto: Linkedin

Mas na Monster.lu deixámos de ser um mero site que as pessoas consultam, passámos a ser mais pró-activos, a ser consultores, a orientar os recrutadores na direcção que devem seguir para encontrarem os talentos que precisam. Do nosso lado, passamos em revista os inscritos na nossa plataforma, afinamos a procura e estendemos essa pesquisa à internet e às redes socais.

No site da Monster.lu, o internauta pode procurar um emprego por sector, publicar o seu CV e até responder a uma oferta de trabalho.

Toda a geração do “milénio” [os que têm entre 15 e 20 anos, ndR] está na internet, está em várias redes sociais em simultâneo, tem perfis em linha, está tão visível que não pode ser ignorada, porque são eles os talentos de amanhã...

E o mundo do trabalho de amanhã vai ser assim tão diferente?

Os nossos pais tinham o mesmo patrão a vida inteira. A nossa geração já muda três a quarto vezes de empregador. Mas as previsões dizem que a partir de 2025-2030, os empregos vão passar a ter uma duração de apenas três a quatro anos, em média. Ou seja, as pessoas vão ser contratadas para uma missão, um projecto específico, com um prazo definido no tempo, e depois mudarão outra vez de emprego. 

No Luxemburgo esse horizonte é talvez mais longíquo...

Mesmo no Luxemburgo, que apesar de ser um país muito conservador a esse nível, acredito que essa tendência vai chegar muito depressa cá também. Há três ou quatro anos, cerca de 50% da população do Luxemburgo estava no Facebook, hoje essa percentagem é superior a 80%. As coisas também estão a mudar rapidamente aqui.

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Patrick Duarte nasceu em 1971 numa família lusa-alemã residente na zona de Esch-sur-Alzette. O pai tem origens em Vila Franca de Xira. Patrick Duarte é formado em estudos sociais e educativos pelo IEES-Institut d'Etudes Educatives et Sociales, de Livange. Começou a trabalhar na indústria, na Kronospan (anos 1990), passou pela Guardian Industries (2002-2007) e depois mudou de sector ao integrar em 2008 a Monster.lu, onde além de administrador e director de vendas, é especialista em gestão, marketing, novas tecnologias, medias online e recrutamento online.

José Luís Correia

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