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"Pandora Papers". Três políticos portugueses entre os líderes mundiais que esconderam fortunas
Economia 5 min. 04.10.2021
Evasão fiscal

"Pandora Papers". Três políticos portugueses entre os líderes mundiais que esconderam fortunas

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"Pandora Papers". Três políticos portugueses entre os líderes mundiais que esconderam fortunas

Foto: Lusa
Economia 5 min. 04.10.2021
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"Pandora Papers". Três políticos portugueses entre os líderes mundiais que esconderam fortunas

Os nomes dos três políticos aparecem numa investigação jornalística internacional, que revela que líderes mundiais e políticos, alguns no ativo, funcionários públicos e celebridades esconderam fortunas de milhares de milhões de dólares para não pagarem impostos.

Os antigos ministros Nuno Morais Sarmento e Manuel Pinho e o antigo deputado socialista Vitalino Canas são três políticos portugueses que fazem parte da lista "Pandora Papers", divulgada, esta segunda-feira, pelo Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação e que revela que 35 líderes mundiais e centenas de políticos e funcionários públicos esconderam fortunas de milhares de milhões de dólares para não pagarem impostos.

Segundo o Expresso, que faz parte do consórcio, os nomes dos três políticos aparecem na investigação feita a partir de 12 milhões de ficheiros com origem nalguns dos maiores paraísos fiscais do mundo. 

De acordo com o jornal, Nuno Morais Sarmento, atualmente vice-presidente do PSD, foi o beneficiário de uma companhia offshore registada nas Ilhas Virgens Britânicas que serviu para comprar uma escola de mergulho e um hotel em Moçambique. Já Manuel Pinho, antigo Ministro da Economia, do Governo socialista de José Sócrates, era beneficiário de três companhias ‘offshore’ e transferiu o seu dinheiro para uma delas quando quis comprar um apartamento em Nova Iorque. Também do PS, o antigo deputado Vitalino Canas teve uma procuração passada para atuar em nome de uma companhia, também registada nas Ilhas Virgens Britânicas, para abrir contas em Macau.

Mansões nos EUA e castelos em França

A investigação "Pandora Papers", revelada cinco anos depois da dos "Panama Papers", menciona 14 líderes mundiais no ativo e 21 que já não estão no poder entre os nomes que usaram 'offshores' para ocultar património e rendimentos.  

Entre os nomes referidos na investigação que estão no ativo, estão o rei Abdallah II da Jordânia, que desde que chegou ao poder, em 1999, adquiriu 14 luxuosas propriedades nos Estados Unidos e no Reino Unido, graças a uma rede de sociedades ‘offshore’ em paraísos fiscais como as Ilhas Virgens. Os advogados do monarca disseram ao Consórcio de Jornalistas que as compras foram feitas com a sua fortuna pessoal e que o recurso a sociedades ‘offshore’ foi feito por razões de segurança e discrição.

O primeiro-ministro da República Checa, Andrej Babis, é outra das figuras do grupo de 14 líderes mundiais que se destaca. Antes de ser primeiro-ministro, já era milionário e colocou 22 milhões de dólares em empresas-fantasma que serviram para financiar a compra do castelo Bigaud, uma grande propriedade situada em Mougins, no Sul de França e sobre a qual não há qualquer menção na declaração de património que Andrej Babis teve de apresentar quando entrou na política.


Investigação jornalística revela esquemas financeiros de Isabel dos Santos
Entre os esquemas expostos está o da petrolífera Sonangol, que terá permitido à filha do ex-presidente angolano desviar mais de 100 milhões de dólares para o Dubai. Investigação mostra também o envolvimento de vários portugueses.

O primeiro-ministro checo, que está envolvido num caso de fraude a fundos europeus e de conflito de interesses, já reagiu à investigação dizendo que não cometeu nenhuma ilegalidade e que tudo não passa de uma manobra destinada a “denegrir” a sua imagem antes das eleições legislativas deste mês.

Entre os 35 líderes mundiais (no ativo ou antigos) identificados nos "Pandora Papers", 14 são latino-americanos, três deles estão em funções: Guillermo Lasso, o chefe de Estado do Equador, que chegou a operar 14 sociedades inscritas em paraísos fiscais, antes de se apresentar a eleições; Sebastián Piñera, o Presidente do Chile, que fez negócios nas Ilhas Virgens, comprando ações de um projeto mineiro, que vendeu meses depois de chegar à chefia do Estado; e Luis Abinader, o Presidente da República Dominicana, que aparece ligado a duas sociedades secretas no Panamá, também criadas antes de chegar ao poder.

Os "Pandora Papers" também questionam as atividades no Brasil do atual ministro da Economia, Paulo Guedes, e do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto.

 Outro dos líderes apontados é o Presidente do Azerbaijão, Ilham Aliev, é regularmente acusado de corrupção. Pessoas próximas do chefe de Estado realizaram transações imobiliárias opacas no Reino Unido, entre as quais a compra de um edifício de escritórios no valor de 45 milhões de dólares em nome do seu filho de 11 anos.

No Quénia e no Paquistão os nomes dos respetivos líderes, Uhuru Kenyatta e  Imran Khan, aparecem na lista devido ao encobrimento de riqueza por parte de familiares ou elementos dos seus governos.

Nomes proeminentes da política europeia também aparecem 

 A investigação revela ainda novos detalhes sobre importantes doadores estrangeiros do Partido Conservador do primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, e detalha atividades financeiras questionáveis do "ministro oficioso de propaganda" do Presidente russo, Vladimir Putin.  


o primeiro-ministro britânico, David Cameron, deteve uma participaçáo numa sociedade offshore
David Cameron admite ter beneficiado de offshore nas Bahamas
O primeiro-ministro britânico, David Cameron, admitiu hoje que deteve uma participação de 30 mil euros numa sociedade offshore registado pelo seu pai. A revelação surgiu dias depois de o caso Panama Papers ser conhecido. Este é o maior escândalo mundial sobre offshores ao revelar como líderes mundiais, políticos, realizadores de cinema, desportistas, entre outros usavam os paraísos fiscais.

Mas os nomes mais sonantes serão os de Tony Blair e Dominique Strauss-Kahn.

Segundo a investigação, o antigo primeiro-ministro britânico, Tony Blair, e a sua mulher, Cherie, adquiriram em 2017 um edifício de escritórios através da compra de uma sociedade nas Ilhas Virgens que era proprietária dos espaços, uma transação que lhes permitiu economizar cerca de 400 mil dólares em impostos.

Já o antigo ministro francês e ex-diretor do Fundo Monetário Internacional, que nos últimos anos viu o seu nome envolvido em escândalos sexuais, fez transitar vários milhões de dólares de honorários por consultoria a empresas através de uma sociedade marroquina isenta de impostos.

Pep Guardiola, Julio Iglesias Shakira e Claudia Schiffer na lista 

Além dos 35 líderes mundiais, cerca de 300 políticos, assim como funcionários públicos, de 91 países e territórios ocultaram propriedades e rendimentos em paraísos fiscais para não pagarem os respetivos impostos. Mas a lista contempla também celebridades do meio desportivo e artístico, como Pep Guardiola, a estrela do críquete indiano Sachin Tendulkar, Julio Iglesias a cantora Shakira ou a supermodelo alemã Claudia Schiffer.

Tanto a cantora colombiana Shakira e a modelo alemã Claudia Schiffer detêm contas ‘offshore’, mas os seus agentes garantem não se tratar de fuga aos impostos.


OpenLux. Luxemburgo deixou de ser o paraíso fiscal para futebolistas e famosos
Durante anos, jogadores como Luka Modric e músicos como Shakira usaram o Luxemburgo para pagar menos impostos aproveitando um regime fiscal mais vantajoso em relação à propriedade intelectual sem terem neste país qualquer atividade. As autoridades de outros Estados apertaram o cerco aos famosos e pressionaram o Grão-Ducado para restringir as condições de acesso a este benefício.

Já o cantor Julio Iglesias, com uma fortuna estimada em 800 milhões de euros em 2020 (segundo a Forbes), surge associado a cerca de vinte empresas ‘offshore’ nas Ilhas Virgens, com a pretensão de organizarem o seu património.

No desporto, surgem os nomes de Pep Guardiola, treinador do Manchester City, e a lenda do críquete indiana Sachin Tendulkar, que garante ter feito investimentos legítimos e declarados.

Com Lusa



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