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Pandemia obriga Trump a viragem económica
Economia 4 min. 23.03.2020

Pandemia obriga Trump a viragem económica

Pandemia obriga Trump a viragem económica

Foto: AFP
Economia 4 min. 23.03.2020

Pandemia obriga Trump a viragem económica

Trump vê-se forçado a recuar no seu programa liberal e antecipam-se apoios públicos só vistos no período posterior à Segunda Guerra Mundial. O inquilino da Casa Branca diz que é um "presidente em tempo de guerra".

Com o Congresso norte-americano a adiar a aprovação do lançamento de estímulos orçamentais à economia e os mercados mais uma vez a darem sinais de nervosismo, a Reserva Federal norte-americana (Fed) viu-se forçada esta segunda-feira de manhã, antes da abertura da bolsa em Wall Street, a assegurar, de uma forma nunca antes vista, que as suas rotativas que imprimem dinheiro vão estar a funcionar à maior velocidade possível.

Às 14.45 desta segunda-feira, o índice Dow Jones descia 2,71% para 18.678,20 pontos e o Nasdaq recuava 1,58% para 6.776,71 pontos. O índice alargado S&P 500 baixava 2% e estava em 2.260,15 pontos. Nos primeiros minutos de operações, a pressão sobre os índices bolsistas parecia mais ligeira, apesar de continuarem negativos, depois de a Reserva Federal (Fed) ter divulgado hoje uma série de medidas para permitir às empresas liquidez para sobreviverem "às sérias dificuldades" económicas causadas pela pandemia de Covid-19.

A Fed prometeu que fará tudo para ajudar os mercados a continuarem a funcionar e lançou um novo programa de 300 mil milhões de dólares (mais de 278 mil milhões de euros) para ajudas destinadas a "apoiar o fluxo de crédito para empregadores, consumidores e empresas".

A Fed anunciou também que vai comprar dívida pública e privada de forma ilimitada para sustentar os mercados financeiros, em resposta à crise causada pela pandemia.

Até agora a Fed tinha fixado um limite 700.000 milhões de dólares para a compra de ativos, 500.000 milhões em títulos do Tesouro e 200.000 milhões em títulos hipotecários.

Na sexta-feira, a bolsa nova-iorquina fechou em baixa a pior que viveu semana depois da crise financeira de 2008. O Dow Jones Industrial Average perdeu 4,55% e 17,3% no conjunto da semana e o tecnológico Nasdaq recuou 3,79% e 12,6% ao longo da semana.

Viragem económica de Trump

Quando chegou à Casa Branca, Donald Trump prometeu liberalizar ainda mais a economia, acima até de Ronald Reagan, e conseguiu aprovar o maior corte fiscal desde os anos 80. A menos de um ano da corrida para a reeleição, o presidente norte-americano vê-se agora forçado a impulsionar um plano de resgate económico para empresas e cidadãos e até a ativar, de acordo com o El País, a Lei de Produção da Defesa, que data da Guerra da Coreia, e permite ao governo intervir nas indústrias para garantir a fabricação de materiais necessários ao país.

A colossal crise desencadeada pelo novo coronavírus mudou as agendas, os planos e os programas dos governos de todo o mundo. A história colocou Donald Trump diante de uma crise de magnitude ainda imprevisível na qual o cenário de uma forte pandemia deixa metade do planeta em quarentena. A duração ainda é imprevisível mas os impactos podem vir a ser mais brutais do que os da crise financeira de 2008 e a recessão global já é tida como certa. Washington adverte que a taxa de desemprego pode chegar a 20%, uma aberração num país com poucos apoios sociais e habituado ao quase pleno emprego. Perante a catástrofe que se aproxima, o presidente republicano promove injeções de dinheiro público para conter a devastação provocada pela quarentena geral.

Há vários dias que republicanos e democratas negoceiam no Congresso as medidas do plano final que vai custar cerca de 1,8 milhão de biliões de dólares. Deste, 500 mil milhões de dólares destinam-se a enviar diretamente às famílias através de cheque (até 3 mil dólares por cada família). Conta-se também empréstimos às companhias aéreas num valor de 50 mil milhões de dólares e 150 mil milhões de dólares para outros setores como o da hotelaria.

Além disso, as declarações anuais de rendimentos são adiadas por 90 dias, que resulta numa liquidez disponível de 300 mil milhões de dólares. Em cima da mesa, discute-se também apoios aos desempregados.

Com os planos já conhecidos mais o que se espera dos bancos centrais, os programas públicos acabarão por igualar os que foram ativados após a Segunda Guerra Mundial, escreve o El País. "Sou um presidente em tempo de guerra", afirmou Donald Trump na sexta-feira. "Não é culpa deles", acrescentou, referindo-se aos trabalhadores e patrões. Se o desastre da Grande Recessão pode ser atribuída ao desenvolvimento do capitalismo, agora é um vírus, no sentido literal, que põe o planeta em cheque.

Com Lusa

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