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Os trabalhadores no Luxemburgo estão cada vez mais velhos
Economia 2 min. 19.11.2018

Os trabalhadores no Luxemburgo estão cada vez mais velhos

Os trabalhadores no Luxemburgo estão cada vez mais velhos

Foto: Getty Images
Economia 2 min. 19.11.2018

Os trabalhadores no Luxemburgo estão cada vez mais velhos

Paula CRAVINA DE SOUSA
Paula CRAVINA DE SOUSA
O número de trabalhadores jovens está a diminuir no Luxemburgo. A idade média dos trabalhadores no Grão-Ducado é agora de 41 anos. A conclusão é de um estudo feito pelo Instituto de Investigação Sócio-Economica do Luxemburgo (Liser, na sigla em inglês) que fez a fotografia sobre a situação dos trabalhadores assalariados no país, entre 1994 e 2018. O retrato é o de uma população ativa envelhecida.


Um dos aspetos analisados é a idade dos trabalhaodres: em 24 anos, a relação entre jovens trabalhadores (entre os 15 e os 34 anos) e os trabalhadores com mais idade (mais de 50 anos) caiu significativamente. Em 1994, os empregados jovens eram cinco vezes mais do que os mais velhos. Em 2018, os jovens são apenas 1,3 vezes mais do que aqueles que têm mais de 50 anos. Há assim uma diminuição do número de jovens a trabalhar.

Esta tendência tem a ver com o envelhecimento de todos os grupos que compõem a população ativa do Luxemburgo: residentes luxemburgueses, residentes estrangeiros e fronteiriços. O relatório explica que, na maior parte doa países europeus, a população nacional – os residentes – são a principal fatia da mão-de-obra assalariada. Assim, o envelhecimento demográfico reflete-se directamente na população ativa. Ora, o Luxemburgo surge como um caso particular, em que o envelhecimento depende em larga medida dos trabalhadores fronteiriços e dos residentes estrangeiros.

Foi por isso que o Grão-Ducado pôde beneficiar de uma pausa no envelhecimento dos seus trabalhadores até meados dos anos 2000, devido à chegada de mão-de-obra fronteiriça e estrangeira mais jovem do que a média da mão-de-obra luxemburguesa.

No entanto, a dinâmica esgotou-se entretanto e o fenómeno começa a inverter-se. Desde 2003 que os fronteiriços e os estrangeiros têm envelhecido a um ritmo mais rápido do que os luxemburgueses. Entre 94 e 2018, a idade média dos trabalhadores residentes luxemburgueses aumentou 3,6 anos; a dos residentes estrangeiros progrediu 6,2 anos e a dos fronteiriços subiu 7,1 anos. Cada um destes grupos tem a mesma idade média: de 41 anos.

O estudo debruça-se também sobre a fatia de fronteiriços no total dos trabalhadores do Luxemburgo. O peso tem vindo a aumentar e entre fronteiriços e residentes luxemburgueses houve quase uma troca direta de percentagens. Em 1994, 46% dos trabalhadores eram residentes luxemburgueses e 26% eram fronteiriços. Hoje é quase o contrário: a maioria atravessa todos os dias a fronteira para vir trabalhar para o Grão-Ducado, enquanto apenas 27% são luxemburgueses. Foi em 2008, que se deu a mudança drástica e que os trabalhadores fronteiriços quase duplicaram, passando de 26%, para 44%. Quanto aos residentes estrangeiros, a percentgaem tem-se mantido estável em torno dos 27%.


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